
Ataques dos EUA atingem perímetro da central nuclear de Bushehr, dizem autoridades iranianas
Ofensiva americana contra alvos militares no Irã provoca temores de segurança nuclear e disparada do petróleo, enquanto trégua de junho colapsa.
Os Estados Unidos atingiram o perímetro da central nuclear de Bushehr, no sudoeste do Irã, durante uma nova vaga de bombardeamentos na quinta-feira, segundo o vice-governador da província, Ehsan Jahanian, citado pela agência estatal Irna. A ofensiva, que decorreu por volta do meio-dia local, também alcançou uma base militar em Choghadak e um cais de pesca no sul da província, sem causar vítimas ou danos à instalação nuclear, de acordo com as mesmas fontes. O Comando Central dos EUA (Centcom) não reportou ataques diurnos, mas confirmou ter atingido 90 alvos militares durante a noite anterior — incluindo sistemas de defesa aérea, vigilância costeira, depósitos de mísseis e drones, capacidades navais e infraestrutura logística — com o objetivo de degradar a capacidade de Teerã de ameaçar navios civis no Estreito de Ormuz.
A Casa Branca justificou a escalada como retaliação a ataques iranianos contra embarcações comerciais na via marítima, acusação que o Irã nega. Teerã, por sua vez, classificou os bombardeamentos como “crime de guerra flagrante” e violação do memorando de cessar-fogo assinado em junho, e respondeu com mísseis contra bases norte-americanas no Bahrein, Catar e Kuwait. O presidente Donald Trump declarou o fim da trégua durante a cimeira da NATO em Ancara e afirmou, já a bordo do Air Force One, que a liderança iraniana o contactara em busca de um acordo — alegação não corroborada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, que prometeu não ceder a “violações, intimidações e baixezas”.
A proximidade dos impactos à única central nuclear operacional do Irã reacendeu alertas de segurança. Em abril, a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) advertira que ataques nas imediações de Bushehr representam “um perigo muito real para a segurança nuclear”. A central, construída com assistência russa, tem um reator em funcionamento e dois em construção; a Rússia retirou o seu pessoal do local durante o conflito. No plano económico, o barril de Brent disparou mais de 7%, ultrapassando os 79 dólares, com o temor de fecho do Estreito de Ormuz a gerar perdas nas bolsas europeias e asiáticas e a fazer recuar o índice Bovespa em quase 1%, segundo analistas em Brasília. Observadores em Lisboa notam que a perturbação das cadeias de abastecimento energético pode agravar a pressão inflacionista na zona euro, com impacto direto nos preços dos combustíveis em Portugal e nos países africanos lusófonos importadores de crude.
A nova fase de hostilidades sucede-se ao colapso do entendimento provisório mediado por Paquistão, Omã e Catar, que previa negociações sobre o programa nuclear iraniano e a segurança da navegação no Golfo Pérsico. Washington exigia o abandono do enriquecimento de urânio; Teerã reivindicava o fim dos ataques israelitas, o levantamento do bloqueio a portos e compensações de guerra. A ofensiva militar não interrompeu as cerimónias fúnebres do líder supremo, Ali Khamenei, cujo enterro foi adiado algumas horas devido à aglomeração no Iraque. Até ao fecho desta edição, não havia registo de novos ataques durante o dia, mas o dossiê permanece em aberto, com os mercados e as capitais regionais a monitorizar os próximos movimentos de Washington e Teerã.
| Imprensa russa e CEI | −0.70 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa latino-americana | 0.00 | neutral |
| Imprensa indiana e sul-asiática | −0.10 | neutral |
O Irã acusa os Estados Unidos de atacar perto da usina nuclear de Bushehr, violando o cessar-fogo e colocando em risco a segurança regional.
Ao repetir termos como 'violação do cessar-fogo' e 'ataque perto de instalação nuclear', a narrativa cria um senso de perigo iminente e ilegalidade da ação americana.
Omite a declaração dos EUA de que nenhum novo ataque foi realizado durante o dia.
Autoridades iranianas relatam explosões perto de Bushehr, mas a usina nuclear permanece intacta e os EUA não confirmaram novos ataques.
A confiança em fontes oficiais iranianas sem verificação independente mantém uma postura neutra enquanto relata o evento.
Omite o ataque à ponte ferroviária que liga o Irã à Rússia e à China, presente em outros blocos.
O Irã alega ataques dos EUA perto da usina nuclear, mas Washington não os reconheceu, deixando a alegação não verificada.
O uso de 'suposto' e a menção da falta de confirmação dos EUA introduzem dúvidas e mantêm uma distância cética.
Omite o detalhe de que a usina não foi danificada e a declaração dos EUA de que os ataques haviam terminado.
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