
Paquistão acusa Índia por ataque a base paramilitar em Karachi; Nova Déli nega e pede ação contra terrorismo interno
Islamabad alega que grupo Jamaat-ul-Ahrar é ‘proxy indiano’, sem apresentar provas; Índia rejeita acusações e insta Paquistão a desmantelar redes terroristas.
Na noite de sábado (27), um comando militante detonou um veículo com explosivos contra o portão principal do quartel-general dos Rangers de Sindh, em Karachi, no sul do Paquistão, desencadeando um tiroteio que se prolongou por cerca de 90 minutos. Três a quatro paramilitares morreram e outros quatro ficaram feridos, enquanto as forças de segurança afirmaram ter abatido entre três e seis atacantes e capturado um militante ferido, identificado como cidadão afegão. O grupo Jamaat-ul-Ahrar, uma fação do proscrito Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP), reivindicou a autoria do ataque em comunicado.
Em reação imediata, as Forças Armadas do Paquistão descreveram o Jamaat-ul-Ahrar como um ‘representante’ (proxy) da Índia, sem, contudo, fornecer evidências que sustentem a alegação. O primeiro-ministro Shehbaz Sharif reforçou este argumento, acusando Nova Déli de recorrer a ‘proxies’ para tentar minar a paz e a estabilidade no Paquistão. O comando militar prometeu ‘operações de retaliação’ contra os responsáveis, num momento em que Islamabad já realizou incursões aéreas em território afegão contra alegadas bases do TTP, aumentando a tensão com Cabul.
A Índia rejeitou de forma categórica as acusações. Através do porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Randhir Jaiswal, Nova Déli classificou os relatos paquistaneses como ‘infundados’ e instou o governo de Islamabad a ‘olhar para dentro’ e a tomar medidas credíveis contra a infraestrutura terrorista no seu próprio território, abandonando o que definiu como ‘propensão a recorrer ao terrorismo como instrumento de política de Estado’. Analistas em Nova Déli veem nas acusações uma tentativa de desviar a atenção das falhas de segurança internas e da escalada de violência militante que assola várias regiões paquistanesas.
O ataque constitui o incidente mais grave em Karachi desde outubro de 2024, quando uma explosão visou um comboio chinês, matando dois engenheiros. A ofensiva insere-se numa vaga de ações de grupos ligados ao TTP que, segundo observadores em Cabul e Islamabad, ganhou ímpeto desde o regresso dos talibãs afegãos ao poder em 2021. O Paquistão insiste que o Afeganistão oferece refúgio a estes grupos, alegação que Cabul nega repetidamente, considerando a militância um problema interno paquistanês. No plano multilateral, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa acompanha com apreensão o recrudescimento do terrorismo no sul da Ásia, cujos efeitos podem repercutir-se nas rotas marítimas do Índico, vitais para o comércio lusófono. Para Lisboa e Brasília, a escalada de retórica e a promessa de retaliação agravam o risco de desestabilização regional, embora nem Portugal nem o Brasil tenham comentado oficialmente o incidente. Com a Índia a manter a negação e o Paquistão a preparar uma resposta, o dossiê permanece em aberto, sem perspetivas de distensão imediata.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Um centro de segurança dos Rangers em Karachi foi alvo de um atentado suicida com explosões e tiros. A facção terrorista Jamaat-ul-Ahrar, dissidência dos talibãs paquistaneses, reivindicou o ataque. As forças de segurança sofreram baixas enquanto as operações prosseguiam no local.
Um ataque suicida a um complexo paramilitar dos Rangers em Karachi provocou explosões e intenso tiroteio, matando três soldados e o homem-bomba. Unidades especiais foram mobilizadas e o bairro isolado. O incidente expõe mais uma vez a frágil situação de segurança no centro comercial do Paquistão.
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