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Defesa e Segurançaterça-feira, 7 de julho de 2026

Ataques a três navios no Estreito de Ormuz reacendem tensão entre Irã e Catar

Embarcações do Catar e da Arábia Saudita foram atingidas por projéteis e drones, enquanto Teerã insinua autoria e Doha responsabiliza o Irã, pondo à prova o frágil cessar-fogo.

Três navios-tanque comerciais foram atingidos por projéteis e drones no Estreito de Ormuz entre a noite de segunda-feira e a manhã de terça-feira, informou o centro de operações marítimas do Reino Unido (UKMTO). O primeiro incidente envolveu o Al Rekayyat, um cargueiro de gás natural liquefeito (GNL) do Catar, que sofreu um incêndio na casa de máquinas após ser atingido a bombordo, perto da costa de Omã. A tripulação foi evacuada em segurança. Um segundo navio, o petroleiro de bandeira saudita Wedyan, também registou danos, enquanto uma terceira embarcação foi atingida por um veículo aéreo não tripulado, sofrendo danos estruturais ligeiros. Não houve vítimas nem derrames ambientais, segundo as autoridades marítimas.

A televisão estatal iraniana, citando fontes anónimas, afirmou que o Al Rekayyat ignorou advertências antes de ser atacado, sem reivindicar formalmente a autoria. O comando militar conjunto do Irão reiterara na semana anterior que todos os petroleiros devem utilizar as rotas aprovadas por Teerã e que qualquer interferência dos EUA teria uma “reação rápida e decisiva”. Em Doha, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Majed Al-Ansari, condenou o ataque como “inaceitável” e uma “violação grave do direito internacional”, responsabilizando o Irão “totalmente do ponto de vista jurídico”. Washington, através do presidente Donald Trump, advertiu que o Irão terá de “fazer um acordo ou vamos terminar o trabalho”, embora as negociações indiretas estejam suspensas durante o luto pelo líder supremo Ali Khamenei, morto no início do conflito.

Os ataques reacendem o risco para a navegação numa via por onde, em tempos de paz, transitava cerca de um quinto do petróleo e gás comercializados globalmente. O memorando de entendimento assinado em junho entre Washington e Teerã previa a reabertura do estreito sem cobrança de portagens durante 60 dias, mas o Irão insiste em controlar as rotas e cobrar taxas de passagem, posição rejeitada pelos EUA e pelos Estados árabes do Golfo. Na perspetiva de analistas em Lisboa e Brasília, a instabilidade no Golfo Pérsico pressiona os preços da energia e afeta economias lusófonas dependentes de importações, como Portugal e os países africanos de língua oficial portuguesa.

As conversações entre os dois países, mediadas pelo Catar e pelo Paquistão, estão paralisadas até ao funeral de Khamenei, cujo corpo foi trasladado para a cidade santa de Qom. O Irão condicionou a retoma das negociações à cessação das hostilidades israelitas no Líbano e à retirada total de Israel, enquanto os EUA mantêm a exigência de livre navegação. O Centro Conjunto de Informação Marítima, supervisionado pela Marinha norte-americana, assegurou que a rota junto à costa omanita continua aberta, mas os armadores enfrentam um dilema: transitar pela via aprovada pelo Irão, reconhecendo tacitamente o seu controlo, ou arriscar represálias na rota apoiada por Washington. A próxima ronda negocial não tem data marcada.

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terça-feira, 7 de julho de 2026

Ataques a três navios no Estreito de Ormuz reacendem tensão entre Irã e Catar

Embarcações do Catar e da Arábia Saudita foram atingidas por projéteis e drones, enquanto Teerã insinua autoria e Doha responsabiliza o Irã, pondo à prova o frágil cessar-fogo.

Três navios-tanque comerciais foram atingidos por projéteis e drones no Estreito de Ormuz entre a noite de segunda-feira e a manhã de terça-feira, informou o centro de operações marítimas do Reino Unido (UKMTO). O primeiro incidente envolveu o Al Rekayyat, um cargueiro de gás natural liquefeito (GNL) do Catar, que sofreu um incêndio na casa de máquinas após ser atingido a bombordo, perto da costa de Omã. A tripulação foi evacuada em segurança. Um segundo navio, o petroleiro de bandeira saudita Wedyan, também registou danos, enquanto uma terceira embarcação foi atingida por um veículo aéreo não tripulado, sofrendo danos estruturais ligeiros. Não houve vítimas nem derrames ambientais, segundo as autoridades marítimas.

A televisão estatal iraniana, citando fontes anónimas, afirmou que o Al Rekayyat ignorou advertências antes de ser atacado, sem reivindicar formalmente a autoria. O comando militar conjunto do Irão reiterara na semana anterior que todos os petroleiros devem utilizar as rotas aprovadas por Teerã e que qualquer interferência dos EUA teria uma “reação rápida e decisiva”. Em Doha, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Majed Al-Ansari, condenou o ataque como “inaceitável” e uma “violação grave do direito internacional”, responsabilizando o Irão “totalmente do ponto de vista jurídico”. Washington, através do presidente Donald Trump, advertiu que o Irão terá de “fazer um acordo ou vamos terminar o trabalho”, embora as negociações indiretas estejam suspensas durante o luto pelo líder supremo Ali Khamenei, morto no início do conflito.

Os ataques reacendem o risco para a navegação numa via por onde, em tempos de paz, transitava cerca de um quinto do petróleo e gás comercializados globalmente. O memorando de entendimento assinado em junho entre Washington e Teerã previa a reabertura do estreito sem cobrança de portagens durante 60 dias, mas o Irão insiste em controlar as rotas e cobrar taxas de passagem, posição rejeitada pelos EUA e pelos Estados árabes do Golfo. Na perspetiva de analistas em Lisboa e Brasília, a instabilidade no Golfo Pérsico pressiona os preços da energia e afeta economias lusófonas dependentes de importações, como Portugal e os países africanos de língua oficial portuguesa.

As conversações entre os dois países, mediadas pelo Catar e pelo Paquistão, estão paralisadas até ao funeral de Khamenei, cujo corpo foi trasladado para a cidade santa de Qom. O Irão condicionou a retoma das negociações à cessação das hostilidades israelitas no Líbano e à retirada total de Israel, enquanto os EUA mantêm a exigência de livre navegação. O Centro Conjunto de Informação Marítima, supervisionado pela Marinha norte-americana, assegurou que a rota junto à costa omanita continua aberta, mas os armadores enfrentam um dilema: transitar pela via aprovada pelo Irão, reconhecendo tacitamente o seu controlo, ou arriscar represálias na rota apoiada por Washington. A próxima ronda negocial não tem data marcada.

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