
Argentina e Inglaterra reeditam clássico das Malvinas e de Maradona nas semifinais do Mundial
O duelo desta quarta-feira em Atlanta, o primeiro oficial em 24 anos, coloca em jogo uma vaga na final e reaviva memórias da guerra de 1982 e dos gols de 1986.
Argentina e Inglaterra voltam a se enfrentar em Copas do Mundo após mais de duas décadas, desta vez nas semifinais do torneio de 2026, no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta. O último encontro oficial ocorrera na fase de grupos de 2002, quando um pênalti de David Beckham deu a vitória aos ingleses por 1 a 0. Agora, as duas seleções chegam à partida decisiva com trajetos distintos: a Inglaterra de Thomas Tuchel precisou da prorrogação para superar a Noruega, enquanto a Argentina, após sustos contra Cabo Verde e Egito, eliminou a Suíça para alcançar esta fase.
O pano de fundo histórico é incontornável. A Guerra das Malvinas, em 1982, deixou 649 argentinos e 255 britânicos mortos e transformou cada confronto futebolístico posterior num episódio de forte carga simbólica. Quatro anos depois, no México, Diego Maradona protagonizou os dois gols que definiram a vitória por 2 a 1 nos quartos de final: o primeiro, com a mão, imediatamente batizado de “Mão de Deus”; o segundo, uma arrancada que driblou cinco adversários, eleito o “Gol do Século”. Na perspetiva de Buenos Aires, aquele triunfo foi vivido como uma revanche desportiva; em Londres, a eliminação é recordada sobretudo pela ilegalidade do lance inaugural. Diego Maradona Jr. afirmou desde Itália que, desde então, “nada é normal contra a Inglaterra”, contrariando a tentativa do técnico Lionel Scaloni de tratar o jogo como um evento puramente futebolístico.
A rivalidade prolongou-se em 1998, com nova vitória argentina nos pênaltis após a expulsão de Beckham, e no já referido desforço inglês de 2002. Desde um amistoso em 2005, as seleções não se mediam. Observadores no Brasil notam que o reencontro reaviva a memória do Mundial de 1986, que também marcou a trajetória da seleção brasileira, e sublinham o interesse com que o mundo lusófono acompanha um duelo entre duas potências do futebol. Um dado curioso, resgatado pela imprensa argentina, indica que a Albiceleste jamais perdeu em Copas quando vestiu a camisa azul alternativa, que usará novamente nesta quarta-feira.
Dentro de campo, a semifinal representa para Lionel Messi a oportunidade de acrescentar à sua carreira um feito que pertenceu a Maradona: vencer a Inglaterra num Mundial. Scaloni insiste em separar o futebol da política, mas a comoção popular e as medidas de segurança reforçadas — a polícia local teme confrontos entre torcedores devido a problemas na venda de ingressos — mostram que o peso da história é difícil de isolar. O vencedor garantirá presença na final do torneio, enquanto o derrotado disputará o terceiro lugar, escrevendo um novo capítulo numa rivalidade que há muito transcende o relvado.
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A Argentina carrega a memória das Malvinas e da Mão de Deus; este jogo é um acerto de contas histórico.
Ao ligar diretamente a partida de futebol à guerra e ao gol icônico de Maradona, a narrativa transforma o jogo em um proxy da honra nacional, tornando qualquer posição neutra desrespeitosa.
A reivindicação britânica de soberania sobre as Falklands e o fato de que a guerra foi iniciada pela invasão argentina são omitidos, pois enfraqueceriam a narrativa vitimista.
A Guerra das Malvinas começou quando a Argentina invadiu território britânico, preparando o cenário para uma rivalidade futebolística histórica.
Ao usar o termo 'invadiu' e apresentar a guerra como um fato histórico sem comentários emocionais, a narrativa parece objetiva enquanto adota implicitamente o enquadramento britânico.
A perspectiva argentina de que as Malvinas são território soberano argentino e o impacto emocional da guerra são omitidos, pois introduziriam um tom partidário.
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