
Argentina aprofunda cortes em transferências, enquanto déficit brasileiro eleva juros e afasta investidores
Queda superior a 60% nos repasses às províncias argentinas contrasta com rombo fiscal no Brasil, que pressiona a dívida pública e reduz apetite por títulos, num contexto de inflação persistente em mercados emergentes.
O governo argentino intensificou o ajuste fiscal no primeiro semestre de 2026, com as transferências não automáticas às províncias e à Cidade de Buenos Aires recuando 61,8% em termos interanuais, o segundo pior registo desde 2005. Apenas em junho, os repasses somaram 48.300 milhões de pesos, uma contração de 87,7% face ao mesmo mês do ano anterior. O gasto primário devengado da administração nacional também caiu 2,3% no semestre, com destaque para o recuo de 32,4% na obra pública. Na perspetiva de Buenos Aires, a consolidação fiscal assenta na redução de fundos discricionários, concentrando os recursos remanescentes em programas como a universalização da jornada escolar alargada e transferências a caixas previdenciárias.
No Brasil, o cenário é inverso. O déficit consolidado do setor público atingiu 56,1 mil milhões de reais em maio, um aumento de 66% em relação a 2025, elevando a dívida bruta para 81,1% do PIB, o patamar mais alto em cinco anos. Observadores em São Paulo notam que o desequilíbrio pressiona os juros e reduz a procura por títulos públicos: o último leilão de papéis indexados ao IPCA+ teve baixa demanda, sinal de que investidores questionam a capacidade de pagamento do governo. O custo médio da dívida brasileira já se aproxima de 13%, muito acima dos 0,5% do Japão ou dos 3% dos Estados Unidos, o que encarece o financiamento e alimenta a inflação.
A Colômbia também regista um arrefecimento do investimento externo. A balança cambial revelou que o investimento direto estrangeiro caiu 19,8% em junho, para 634 milhões de dólares, com o setor de petróleo e minas a responder por 75% do total. No acumulado do semestre, a queda é de 12,3%, refletindo a concentração setorial e a vulnerabilidade a choques de preços. Em Daca, a inflação permanece acima de 9% há três meses, enquanto os salários reais recuam há 53 meses consecutivos, comprimindo o consumo e a qualidade de vida da população. Economistas locais descrevem a inflação como um “imposto invisível” que corrói a renda das famílias e desacelera a atividade económica.
O próximo marco a observar será a divulgação dos dados fiscais do segundo semestre na Argentina e no Brasil, bem como as decisões dos respetivos bancos centrais sobre taxas de juro. No caso brasileiro, a trajetória da dívida e a reação dos mercados de títulos serão cruciais para aferir a confiança dos investidores. Em Bangladesh, a entrada em vigor de um novo regime salarial para funcionários públicos em julho poderá testar a capacidade de o governo conter pressões inflacionárias adicionais sem desestabilizar o mercado de bens essenciais.
| Imprensa latino-americana | −0.60 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa indiana e sul-asiática | −0.60 | critical |
Brazil decries the worsening fiscal deficit that scares investors. Argentina blames the government for cutting provincial funds, worsening the crisis.
Percentage figures are presented as irrefutable proof of failed management, without contextualizing global causes.
Omits the failed Brazilian bond auction, which is the trigger of the story.
Bangladesh laments the erosion of citizens' purchasing power, with inflation outpacing wages for 53 months.
The repetition of '53 months' creates a sense of chronic injustice, pushing the reader to sympathize with the victims.
Does not connect Bangladesh's inflation to the broader fiscal pressure in emerging markets, isolating the national case.
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