
Apple adia iPhone 18 e prepara primeiro dobrável, enquanto marcas chinesas aceleram lançamentos
A reconfiguração do calendário da Apple para 2027 coincide com a ofensiva de Xiaomi, OnePlus e Vivo na Índia e na China, redesenhando o mapa da competição global por consumidores de smartphones.
A Apple parece decidida a reescrever o seu calendário de lançamentos, adiando o iPhone 18 para a primavera de 2027 e concentrando os esforços de 2026 no iPhone 18 Pro e no primeiro iPhone dobrável da companhia. A informação, que já circulava entre analistas, ganhou corpo com declarações do presidente da Largan Precision, fornecedor de lentes para a gigante de Cupertino, que confirmou a um grupo de acionistas o pedido de um cliente norte-americano para deslocar a produção de componentes para o primeiro trimestre de 2027. Na perspetiva de Lisboa, a decisão sinaliza uma pausa estratégica que pode abrir uma janela de oportunidade para as rivais Android no segmento premium europeu, enquanto observadores em Brasília avaliam o impacto nas cadeias de montagem locais, onde a Apple mantém operações para abastecer o mercado latino-americano.
Paralelamente, o universo dos dobráveis ganha tração com a confirmação da Vivo de que o X Fold 6 será apresentado na China a 26 de junho de 2026. Descrito como um “DSLR mini que se dobra”, o aparelho chega com um conjunto de câmaras ambicioso e um design inspirado nas formações azuis do fundo oceânico, apostando na diferenciação estética e fotográfica para conquistar um público exigente. A movimentação chinesa não é isolada: o segmento de dobráveis, que durante anos foi tratado como nicho experimental, caminha para se tornar o novo campo de batalha da indústria, com a Apple a preparar a sua entrada precisamente no ano em que a Vivo e outras marcas asiáticas já terão várias gerações de experiência acumulada.
Enquanto isso, a Índia consolida-se como palco de uma disputa feroz em todas as faixas de preço. A Xiaomi lançou o Redmi Turbo 5, um modelo de vocação premium com ecrã AMOLED de 6,59 polegadas, bateria de 7.540 mAh e o processador MediaTek Dimensity 8500 Ultra, prometendo quatro anos de atualizações do Android e seis de segurança. Já a OnePlus anunciou a estreia da série N, pensada para o segmento de entrada, com o OnePlus N6 a chegar ao mercado indiano a 30 de junho por um valor estimado entre 18 mil e 25 mil rupias. A estratégia de marketing, segundo executivos da marca, dispensará grandes campanhas publicitárias e apostará em canais digitais para alcançar a geração mais jovem. Nos países africanos de língua portuguesa, onde a sensibilidade ao preço é determinante, modelos como o OnePlus N6 encontram terreno fértil, reforçando a presença de fabricantes chineses que já dominam as vendas em mercados como Angola e Moçambique.
A Apple, contudo, não se limita a ajustar hardware. Relatos que chegam de Cupertino indicam que o iOS 27 ainda guarda surpresas não reveladas na WWDC 2026, entre elas novos mostradores para o Apple Watch, uma aplicação de câmara mais flexível e uma integração profunda de chatbots de terceiros no Siri. A ampliação do assistente de voz para dialogar com sistemas de inteligência artificial externos sugere que a empresa está a preparar o ecossistema para um salto qualitativo, independentemente do ritmo de lançamento dos seus próprios dispositivos. Observadores em Pequim veem nessa abertura um reconhecimento tácito da pujança dos modelos de linguagem desenvolvidos fora dos Estados Unidos, enquanto a comunidade tecnológica em Portugal aguarda para perceber se a Siri renovada conseguirá competir com assistentes já poliglotas e profundamente integrados nos dispositivos Android. O cenário que se desenha para o biénio 2026-2027 é, assim, de transformação acelerada: a Apple recalibra o seu ciclo de inovação, as marcas chinesas ocupam todos os flancos e o consumidor global, do Rio de Janeiro a Maputo, prepara-se para uma oferta sem precedentes de escolha.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A confirmação da cadeia de suprimentos de que a Apple adiará o iPhone 18 para 2027 é tratada como um fato corriqueiro, não como uma crise. Enquanto isso, marcas como OnePlus e Vivo lançam novos aparelhos, preenchendo a lacuna. O mercado está apenas se reorganizando, com os fabricantes asiáticos aproveitando o momento.
O lançamento do Redmi Turbo 5 na Índia é apresentado como uma resposta direta à reorganização do mercado premium. Enquanto a Apple adia seu próximo modelo, a Xiaomi oferece aos usuários indianos uma alternativa de ponta com especificações agressivas. O atraso da Apple se transforma em uma janela de oportunidade para marcas que miram o topo.
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