
Tesla sob escrutínio na Europa enquanto Brasil avança com sensor de travagem obrigatório
Reguladores europeus questionam dados de segurança do sistema Full Self-Driving da Tesla, ao passo que a Rivian anuncia tecnologia semelhante e o Brasil desenvolve um radar nacional para travagem automática a partir de 2029.
A promessa de uma condução autónoma mais segura enfrenta um novo escrutínio na Europa, onde a Tesla terá apresentado estatísticas enganadoras para obter a aprovação do seu sistema Full Self-Driving (FSD). Uma investigação da Reuters revelou que a fabricante norte-americana forneceu às autoridades da Suécia e dos Países Baixos dados que investigadores independentes classificam como marketing inflacionado, e não como avaliação científica rigorosa. As comparações utilizadas pela empresa para alegar que o FSD é até dez vezes mais seguro do que um condutor humano basearam-se em métricas inválidas, lançando dúvidas sobre a transparência da companhia num momento em que a União Europeia pondera autorizar a tecnologia.
Enquanto a Tesla enfrenta resistência regulatória na Europa, a Rivian prepara-se para lançar ainda este ano um sistema de condução supervisionada ponto a ponto, descrito pelo seu CEO, RJ Scaringe, como muito semelhante ao FSD. A promessa, dirigida aos veículos de segunda geração e ao futuro modelo R2, sinaliza que a corrida pelos sistemas avançados de assistência ao condutor (ADAS) se intensifica na América do Norte. Contudo, a abordagem da Rivian sublinha a supervisão humana obrigatória, um contraponto implícito às alegações de segurança absoluta que colocaram a Tesla sob observação.
No hemisfério sul, o Brasil adota uma via regulatória distinta. Pesquisadores de universidades, institutos e empresas do setor automóvel desenvolvem um sensor de radar nacional para sistemas ADAS, em resposta a uma resolução do Conselho Nacional de Trânsito que tornará a frenagem automática de emergência e a assistência de permanência em faixa obrigatórias em todos os veículos fabricados a partir de 2029. A iniciativa, que visa reforçar a segurança veicular com tecnologia local, contrasta com a dependência europeia de fornecedores externos e com a abordagem norte-americana de validação caso a caso. Em Brasília, a medida é vista como um passo para democratizar equipamentos de segurança ativa num mercado onde a frota ainda carece de proteções básicas.
Observadores em Lisboa notam que o escrutínio europeu sobre o FSD reflete uma postura cautelosa que se estende a todo o espaço comunitário, incluindo Portugal, onde a introdução de sistemas de condução assistida seguirá os mesmos critérios de validação científica. Já a decisão brasileira de nacionalizar a produção do sensor e antecipar a obrigatoriedade do ADAS poderá servir de modelo a outros países lusófonos, como Angola e Moçambique, que enfrentam sinistralidade rodoviária elevada e poderão beneficiar de tecnologias mais acessíveis. A divergência de ritmos e filosofias entre regiões sugere que o caminho para a automação da condução será tão fragmentado quanto as realidades económicas e regulatórias que o sustentam.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A Tesla apresentou aos reguladores europeus estatísticas de segurança autopublicadas que investigadores independentes classificam como marketing enganoso. Uma investigação jornalística encontrou comparações de dados inválidas por trás da alegação de que o sistema Full Self-Driving é até dez vezes mais seguro do que condutores humanos. O episódio levanta sérias dúvidas sobre o esforço da empresa para obter aprovação europeia.
O CEO da Rivian anunciou que a empresa lançará ainda este ano um sistema de condução autónoma supervisionada semelhante ao Full Self-Driving da Tesla. A tecnologia permitirá a condução ponto a ponto com supervisão nos veículos de segunda geração e no novo modelo R2. Trata-se de um passo pragmático no cenário competitivo da assistência avançada à condução.
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