
Aoun encontra Rubio em Washington e zonas-piloto avançam no sul do Líbano
Presidente libanês busca apoio dos EUA para retirada israelita e desarmamento do Hezbollah, enquanto operações de transição começam em três localidades.
O Presidente libanês, Joseph Aoun, iniciou no domingo uma visita de quatro dias a Washington, onde se reuniu com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e tem encontro marcado com o Presidente Donald Trump na terça-feira. Em paralelo, o Departamento de Estado anunciou na segunda-feira o início das operações nas chamadas 'zonas-piloto' no sul do Líbano, nas localidades de Froun, Srifa e Zawtar Al-Gharbiya, no quadro do acordo tripartido mediado por Washington entre Beirute e Telavive. A medida, segundo a administração norte-americana, resulta diretamente das conversações realizadas na semana anterior em Roma e visa testar o processo de retirada gradual das forças israelitas e a subsequente implantação do exército libanês.
Na perspetiva de Washington, a visita de Aoun representa uma oportunidade para consolidar o que Rubio descreveu como 'uma caminhada em direção à paz'. Em declarações à imprensa, o chefe da diplomacia norte-americana sublinhou que o Líbano deve ser governado por 'um governo legítimo, não pelo Hezbollah, não pelo Irão', e que o maior obstáculo à estabilidade é a existência de uma milícia armada que, segundo o Departamento de Estado, é financiada e treinada por Teerão. Rubio elogiou a coragem do executivo libanês nos esforços para desarmar o Hezbollah e reafirmou o compromisso dos EUA em apoiar a implementação do acordo-quadro, incluindo a atração de investimentos e a eventual retoma de voos diretos entre os dois países, suspensos desde 1985.
De acordo com fontes da presidência libanesa citadas pela imprensa de Beirute, Aoun insistiu na necessidade de um alinhamento entre as posições libanesa e americana quanto ao início do processo de retirada israelita, exigindo que a primeira zona experimental abranja áreas onde as forças de Israel estão efetivamente presentes. O presidente libanês deverá apresentar a Trump uma proposta para lidar com o arsenal do Hezbollah, ao mesmo tempo que solicita um reforço da ajuda militar e financeira ao exército libanês, condição que Beirute considera indispensável para assumir o controlo dos territórios evacuados. Aoun defendeu ainda, segundo a imprensa libanesa, a separação do dossiê libanês do confronto mais amplo entre Washington e Teerão, receando que uma ligação entre as duas crises atrase a retirada israelita e exponha o país a uma nova guerra regional.
O Hezbollah, que rejeitou publicamente o acordo-quadro e as negociações diretas com Israel, organizou no sábado uma concentração em Tiro para reiterar a sua oposição. Para as diplomacias de Brasil e Portugal, que albergam comunidades libanesas numerosas, o processo é acompanhado com atenção, dada a relevância da estabilidade libanesa para os fluxos migratórios e os laços históricos. O encontro de Aoun com Trump na terça-feira é aguardado como o momento em que a Casa Branca poderá clarificar o seu envolvimento direto, numa altura em que o cessar-fogo permanece frágil e Israel mantém ataques esporádicos no sul do Líbano.
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O Líbano reafirma sua soberania e obtém o apoio americano para desarmar o Hezbollah.
Enfatizando o papel do presidente como garante da soberania e apresentando as zonas-piloto como um sucesso concreto.
A omissão do ataque iraniano à Jordânia, que poderia ter minado a narrativa de um processo pacífico e incontestado.
Israel vê a visita como uma oportunidade para combater a influência iraniana, mas adverte que a ameaça persiste.
Ao enquadrar a visita no contexto de um ataque iraniano, cria-se uma hierarquia de ameaças que justifica a cautela.
A omissão dos aspectos positivos da visita do ponto de vista libanês, como o apoio americano ao governo legítimo.
A Europa observa o processo de paz com distanciamento, enfatizando o papel mediador dos Estados Unidos.
Ao apresentar os eventos como um procedimento diplomático normal, o conflito é universalizado e evita-se tomar partido.
A omissão da pressão americana sobre o Hezbollah e das dinâmicas políticas internas libanesas.
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