
Alemanha pune ataque fatal a revisor e homicídios em série de médico paliativo
Tribunais aplicam 10 anos de prisão e prisão perpétua em casos que reacendem debate sobre segurança nos transportes e ética médica, enquanto a Suíça avalia uso de tasers.
Em decisões proferidas na quinta-feira, a justiça alemã sentenciou dois casos de grande repercussão: um tribunal de Zweibrücken condenou a dez anos de prisão um homem de 26 anos pela morte de um revisor de comboio, e um tribunal de Berlim aplicou prisão perpétua a um médico de cuidados paliativos que assassinou 15 pacientes. As sentenças, ainda passíveis de recurso, desencadearam reações imediatas das famílias das vítimas e reavivaram discussões sobre a violência contra trabalhadores do setor público e os limites da atuação médica.
No caso do revisor, o agressor, de nacionalidade grega, foi considerado culpado de ofensas corporais com resultado morte, após ter desferido golpes violentos contra Serkan Çalar, de 36 anos, durante uma inspeção de bilhetes num comboio regional na Renânia-Palatinado, em fevereiro. A agressão, registada por câmaras de vigilância, provocou uma hemorragia cerebral que vitimou o funcionário dois dias depois. A família do revisor, que boicotou a leitura da sentença, exigia uma condenação por homicídio ou assassínio, e o seu advogado classificou o veredicto como 'um quinto golpe' contra os familiares. O tribunal justificou a moldura penal por considerar que o arguido agiu de forma espontânea e não previu a morte da vítima. A Deutsche Bahn anunciou a criação de um memorial na estação central de Mannheim e a introdução de câmaras corporais para revisores, enquanto um responsável de segurança da operadora relatou um aumento contínuo de agressões, com 231 crimes de ofensas corporais registados na sua área em 2025.
Paralelamente, o tribunal de Berlim condenou Johannes M., médico de 41 anos, a prisão perpétua pelo homicídio de 12 mulheres e três homens, com idades entre 25 e 94 anos, entre 2021 e 2024. O profissional visitava pacientes terminais ao domicílio e administrava-lhes misturas letais de anestésicos e relaxantes musculares sem consentimento. Segundo a acusação, o médico agiu por 'desejo de matar' e não por compaixão, tendo ainda ateado fogo a pelo menos duas residências para ocultar provas. O arguido confessou os crimes durante o julgamento, alegando que se convenceu de estar a ajudar os doentes. As autoridades investigam agora a sua eventual ligação a mais de 70 outras mortes suspeitas, depois de o serviço de cuidados paliativos onde trabalhava ter alertado a polícia para um padrão anormal de óbitos.
A violência contra profissionais dos transportes públicos motivou também uma resposta na Suíça, onde o Governo federal iniciou a revisão dos regulamentos para permitir o uso de tasers e câmaras corporais pela polícia de transportes. A decisão surge na sequência de uma agressão grave a um funcionário dos Caminhos de Ferro Federais Suíços (SBB) em janeiro de 2026 e do caso alemão. O sindicato do setor (SEV) apoia a medida, argumentando que os tasers permitem neutralizar agressores de forma seletiva, ao contrário do gás pimenta. A Amnistia Internacional, porém, considera os dispositivos inadequados para uso diário e defende que devem ficar restritos a unidades especiais. O debate sobre a segurança nos transportes e a proteção dos trabalhadores permanece em aberto, com a expectativa de que as alterações regulamentares suíças avancem nos próximos meses e de que os recursos judiciais nos dois casos alemães prolonguem a discussão pública.
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