
Alemanha e Irão: crises industriais expõem urgência de reformas estruturais
Enquanto a Alemanha perde 15 mil empregos industriais por mês e o Irão vê sua indústria automóvel sufocada por controlos de preços, os custos humanos e económicos da inação tornam-se cada vez mais evidentes.
A economia alemã enfrenta um momento crítico, com a perda de 15 mil postos de trabalho industriais por mês, um agravamento face aos 10 mil mensais registados no ano passado. Grandes grupos como a Volkswagen e a Bosch reduzem efetivos, mas são sobretudo as pequenas e médias empresas que encolhem, transferindo investimentos para o estrangeiro. A Volkswagen produz os seus elétricos de baixo custo em Espanha, e a BMW inaugurou uma fábrica na Hungria, evidenciando uma tendência que preocupa analistas em Berlim: a desindustrialização acelerada pela transição energética e pela concorrência chinesa.
No Irão, a crise industrial assume contornos distintos, mas igualmente profundos. A indústria automóvel vive há anos sob um regime de preços controlados que descola os valores de venda dos custos reais de produção, gerando prejuízos sistemáticos. A recente transferência da gestão da Iran Khodro para o setor privado, em fevereiro de 2025, alimentou esperanças de reestruturação, mas observadores em Teerão alertam que, sem reformas paralelas na governação económica e no ambiente de negócios, a privatização será insuficiente para restaurar a saúde do setor.
Os efeitos sociais dessa fragilidade são alarmantes. O índice de gestores de compras (PMI) iraniano, calculado pela Câmara de Comércio, mantém-se há meses abaixo dos 50 pontos, sinal de contração persistente. Esta métrica, seguida de perto por investidores internacionais, revela uma recessão mais severa do que a retratada pelas estatísticas oficiais, e está na raiz do aumento do trabalho infantil e de outras vulnerabilidades, como documentado por organizações humanitárias que operam na região.
As câmaras de comércio iranianas defendem que, embora as sanções internacionais restrinjam a economia, os principais obstáculos ao crescimento são estruturais: baixa produtividade, corrupção e instabilidade regulatória. Para esses organismos, a superação da crise exige um compromisso sério com a transparência, a concorrência leal e a redução da burocracia — uma agenda que ecoa em muitas economias emergentes lusófonas, onde instituições análogas procuram influenciar políticas públicas.
Diante de horizontes incertos, tanto a Alemanha como o Irão necessitam de reformas profundas para evitar uma estagnação prolongada. Enquanto Berlim debate pacotes de investimento em inovação e infraestruturas verdes, Teerão lida com a urgência de modernizar o seu tecido produtivo e proteger os mais frágeis. Para observadores em Lisboa e Brasília, o duplo exemplo mostra que, num mundo globalizado, a competitividade e a coesão social dependem cada vez menos de fatores externos e cada vez mais da qualidade das instituições e das políticas domésticas.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A recessão alemã se agrava: 15 mil empregos industriais são perdidos por mês, acima dos 10 mil do ano passado. O governo de coalizão corre para finalizar um pacote de reformas antes do recesso de verão para conter o declínio.
Do Irã, a crise industrial alemã é observada com distanciamento e um toque de ceticismo, notando que até as economias ocidentais mais fortes revelam fragilidades estruturais. Argumenta-se que, embora a turbulência global afete a todos, Teerã deve manter o foco em suas próprias reformas internas.
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