
Alemanha cancela megaprojeto naval e derruba ações de defesa na Europa
Berlim abandona as fragatas F126 e opta por oito navios menores da TKMS, provocando queda de 20% nas ações da Rheinmetall e reacendendo o debate sobre a eficiência dos gastos militares.
O Ministério da Defesa da Alemanha decidiu cancelar o programa de construção de seis fragatas da classe F126, o maior projeto de navios de guerra do país desde a Segunda Guerra Mundial. A informação, confirmada por fontes governamentais em Berlim, provocou uma reação imediata nos mercados: as ações da Rheinmetall, que assumiria a liderança do consórcio, caíram cerca de 20% — a maior perda diária em 25 anos —, enquanto os títulos da Thyssenkrupp Marine Systems (TKMS), alternativa escolhida, subiram mais de 14%. O índice DAX, de Frankfurt, recuou 0,71%, pressionado pelo setor de defesa, num dia em que outras praças europeias tiveram desempenho misto, com o alívio nos preços do petróleo a limitar perdas.
Segundo o governo alemão, o projeto F126, orçado entre 10 e 12,8 mil milhões de euros e com cerca de 2,3 mil milhões já desembolsados, enfrentava atrasos técnicos, dificuldades de coordenação entre os estaleiros neerlandeses e os subcontratados alemães e derrapagens financeiras que o tornaram inviável. O ministro da Defesa, Boris Pistorius, justificou a opção por oito fragatas MEKO A-200, da TKMS, como uma resposta mais rápida e adequada às necessidades da Marinha e da NATO. Na perspetiva de analistas em Frankfurt, a decisão expõe fragilidades estruturais nas aquisições de defesa alemãs, agravadas pela suspensão do travão da dívida para despesas militares, que, segundo o Tribunal de Contas Federal, incentiva a ineficiência. Em Moscovo, a imprensa sublinhou o impacto sobre a Rheinmetall, um dos principais fornecedores de armamento à Ucrânia, enquanto em Teerão o episódio foi descrito como um recuo nas ambições navais de Berlim.
O cancelamento sucede ao fracasso do projeto de caças FCAS, de cooperação franco-alemã-espanhola, e insere-se num ciclo de revisões de grandes programas militares europeus. Para o setor industrial, a substituição do contratante principal da Damen para a TKMS redistribui carteiras de encomendas e pode gerar pressões adicionais sobre cadeias de fornecimento já sobrecarregadas. Em Brasília, a decisão é acompanhada com atenção, uma vez que a TKMS é a parceira estratégica do Programa de Fragatas Classe Tamandaré, da Marinha do Brasil, e qualquer reorientação da capacidade produtiva do estaleiro alemão poderá ter reflexos nos cronogramas de entrega. Em Lisboa, observadores notam que o episódio reforça as dúvidas sobre a capacidade europeia de executar projetos colaborativos de defesa, num momento em que Portugal participa em várias iniciativas da Cooperação Estruturada Permanente (PESCO).
O programa F126 previa navios polivalentes de 166 metros e 10 mil toneladas, concebidos para missões de longa duração. A sua anulação ocorre num contexto de rearmamento acelerado da Alemanha, que planeia investir 780 mil milhões de euros até 2030 em resposta à ameaça russa, segundo documentos oficiais. O comité orçamental do Bundestag já autorizou a libertação de fundos para a aquisição das MEKO A-200, e o Ministério da Defesa deverá formalizar os novos contratos nas próximas semanas. Ainda assim, o custo total da operação, somando os montantes já gastos e os novos compromissos, poderá ultrapassar os 12 mil milhões de euros, tornando este o programa naval mais oneroso da história alemã, com um perfil de capacidades inferior ao inicialmente planeado.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O ministro da Defesa alemão afundou o projeto da fragata F126, o maior programa naval desde a Segunda Guerra Mundial, após derrapagens de custos e falhas técnicas. Os contribuintes enfrentam milhares de milhões em custos irrecuperáveis, e a indústria de defesa sofreu um tombo histórico nas bolsas, com a Rheinmetall a perder 17% num só dia. É o mais recente de uma série de projetos de armamento de prestígio fracassados, levantando sérias dúvidas sobre a competência alemã em aquisições de defesa.
A Alemanha abandonou o seu programa de navios de guerra mais ambicioso desde a Segunda Guerra Mundial, com o projeto da fragata F126 a colapsar sob problemas de custos e coordenação. O contratante principal Rheinmetall vê as suas ações desabarem, enquanto Berlim abate milhares de milhões. O episódio evidencia as dificuldades que as indústrias de defesa ocidentais enfrentam para entregar plataformas navais complexas.
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