
Alemanha aprova produção de combustível nuclear com tecnologia russa sob rigorosas condições
A autoridade ambiental da Baixa Saxónia autorizou a fábrica da Framatome em Lingen a produzir elementos combustíveis para reatores VVER, isolando o projeto de qualquer acesso direto de pessoal russo.
O ministério do Ambiente da Baixa Saxónia aprovou na quarta-feira o projeto da Advanced Nuclear Fuels (ANF), subsidiária da francesa Framatome, para fabricar em Lingen elementos combustíveis hexagonais destinados a reatores de conceção russa. A decisão permite que a União Europeia passe a dispor de uma fonte alternativa de abastecimento para as 19 centrais VVER ainda em operação em cinco Estados-membros — Bulgária, Chéquia, Hungria, Eslováquia e Finlândia — atualmente dependentes de fornecimentos diretos da Rosatom.
A autorização foi concedida apesar da oposição política expressa pelo próprio ministro regional, o verde Christian Meyer, que classificou a cooperação com o grupo estatal russo como “fundamentalmente errada”. O governante justificou o ato com a inexistência de base legal para recusar o pedido, uma vez que a Rosatom não é abrangida pelas sanções europeias impostas após a invasão da Ucrânia. O ministério federal do Ambiente corroborou que a lei nuclear alemã não oferece margem para veto e que apenas sanções à escala da UE poderiam bloquear o projeto. Para mitigar riscos de espionagem e sabotagem, a licença impõe condições severas: proibição total de entrada de funcionários da Rosatom ou da sua subsidiária TVEL nas instalações, auditorias externas a equipamentos e software provenientes da Rússia, isolamento desses sistemas da infraestrutura informática da fábrica e controlo de qualidade reforçado sobre os componentes importados.
A Framatome saudou a decisão como um “passo importante para a soberania energética europeia”, sublinhando que a produção permitirá oferecer uma alternativa segura a partir de 2027, enquanto a empresa desenvolve tecnologia própria. Do lado crítico, o deputado democrata-cristão Roderich Kiesewetter considerou a autorização “perigosa para a segurança” e defendeu a sua reversão, alertando para o risco de uma operação de influência russa. Organizações ambientalistas e setores do Partido Verde também manifestaram preocupação. Berlim continua a pressionar por sanções europeias ao setor nuclear civil, mas não reúne ainda a maioria necessária no Conselho.
A licença pode ser reavaliada caso surjam novos riscos, e o executivo regional disponibilizou de imediato o documento de 148 páginas para facilitar eventuais recursos judiciais. O episódio expõe a tensão entre a urgência de diversificar o aprovisionamento energético e os receios de segurança numa Europa que mantém laços tecnológicos com Moscovo. Para países lusófonos, o caso ilustra a complexidade das cadeias de abastecimento nucleares: o Brasil, que opera as centrais de Angra com tecnologia da Westinghouse e da Siemens, e Portugal, que não possui centrais nucleares mas participa no debate regulatório europeu, acompanham o desfecho de um processo que pode redefinir os equilíbrios entre soberania energética e controlo de riscos geopolíticos.
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | −0.40 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa europeia continental | −0.50 | critical |
| Imprensa russa e CEI | +0.10 | neutral |
A Alemanha autoriza um projeto nuclear franco-russo apesar dos graves riscos de espionagem e sabotagem. A decisão é perigosa e abre a porta para Moscou realizar atividades híbridas.
O bloco constrói a ameaça russa como existencial e iminente, usando o termo 'guerra híbrida' para transformar uma decisão técnica em um risco de segurança nacional.
O bloco omite que as autoridades alemãs não tinham base legal para rejeitar o projeto e que a Rosatom está isenta das sanções da UE, o que reduziria a percepção de risco voluntário.
A Alemanha aprova relutantemente um projeto nuclear com a Rússia, mas não tinha alternativa legal. A cooperação com a Rosatom é politicamente errada e perigosa, e desafios legais virão.
O bloco enfatiza a relutância das autoridades e a falta de alternativas legais, transformando a aprovação em uma derrota burocrática e transferindo a responsabilidade para o sistema jurídico.
O bloco omite que o projeto é uma cooperação comercial rotineira solicitada por operadores europeus e que as condições de segurança foram reforçadas, o que reduziria a indignação.
A Alemanha concedeu permissão para a produção de combustível nuclear com tecnologia russa, confirmando a demanda pela experiência da Rosatom. Apesar das críticas, o projeto avança com rigorosas medidas de segurança.
O bloco apresenta a aprovação como um fato técnico e comercial, minimizando objeções políticas e enfatizando a continuidade da cooperação nuclear apesar das sanções.
O bloco omite as críticas generalizadas de políticos alemães e os medos de espionagem, bem como o contexto da guerra híbrida da Rússia contra a Ucrânia, que minariam a narrativa de negócios normais.
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