
Acordo-quadro entre Líbano e Israel expõe fratura interna e condiciona retirada ao desarmamento do Hezbollah
Assinado em Washington a 26 de junho, o entendimento tripartido prevê zonas-piloto no sul do Líbano, mas enfrenta rejeição total do Hezbollah e ceticismo quanto à sua exequibilidade.
O acordo-quadro rubricado entre Líbano e Israel, sob mediação dos Estados Unidos, estabelece um mecanismo faseado que vincula a retirada gradual das forças israelitas do sul do Líbano ao desarmamento verificável do Hezbollah e de outros grupos armados não estatais. Segundo fontes diplomáticas em Washington, o documento prevê a criação imediata de duas zonas-piloto — as localidades de Frun e Zawtar al-Gharbiya — onde o exército libanês assumirá o controlo operacional após operações de desmantelamento de infraestruturas militares, verificadas por uma terceira parte. Um anexo de segurança, cujo conteúdo foi divulgado pela imprensa libanesa e iraniana, detalha a formação de um grupo de coordenação militar tripartido (MCG4L) e atribui ao Estado libanês a responsabilidade de garantir a segurança de longo prazo de Israel.
A receção ao acordo expôs uma clivagem profunda no cenário político libanês. O Presidente Joseph Aoun descreveu-o como um passo rumo à restauração da soberania, posição partilhada por forças como as Forças Libanesas, os Kataeb e o Partido do Diálogo Nacional, que veem no texto uma oportunidade de separar o destino do Líbano da agenda regional iraniana. O Conselho de Cooperação do Golfo manifestou apoio explícito, o que, na leitura de observadores em Beirute, amplia o isolamento dos opositores. Em contraste, o Hezbollah e o movimento Amal rejeitam o acordo em bloco. O secretário-geral do Hezbollah, Naim Qassem, classificou-o como “inexistente” e uma “rendição da soberania”, enquanto o presidente do Parlamento, Nabih Berri, o descreveu como um “acordo de imposições” que não será implementado. O partido armado avisou ainda que qualquer tentativa de desarmamento pela força pode desencadear um “conflito interno”, ecoando receios de uma guerra civil.
Analistas em Beirute e em capitais europeias apontam para uma contradição estrutural: o acordo impõe ao frágil Estado libanês, assente num sistema de partilha confessional, a obrigação de neutralizar a milícia mais poderosa do país, sem que este disponha de capacidade militar ou coesão política para o fazer. Na perspetiva de académicos como Fawaz Gerges, da London School of Economics, o entendimento “nasceu morto”, pois assenta numa condição impossível e arrisca legitimar uma zona-tampão israelita permanente no sul. Em Teerão, a imprensa próxima do regime denuncia uma “conspiração americano-sionista” para desarmar a resistência, ao mesmo tempo que o canal paralelo de conversações Irão-EUA em Islamabad, liderado pelo vice-presidente Vance, é visto como uma tentativa de gerir o dossiê libanês por via de um entendimento direto com Teerão, contornando a via negocial de Washington.
O acordo-quadro não é um tratado de paz e, segundo juristas libaneses, a sua natureza executiva dispensa ratificação parlamentar, embora a oposição conteste essa interpretação. A próxima etapa passa pela ativação do grupo de coordenação militar e pelo início das operações de desminagem e verificação nas zonas-piloto, num contexto em que Israel mantém presença em território libanês e o Hezbollah reafirma que não cooperará. A visita do comandante do Comando Central dos EUA, almirante Brad Cooper, a Beirute, a 29 de junho, sinalizou o empenho de Washington em sustentar o processo, enquanto a França e a Itália preparam uma eventual força de paz para suceder à UNIFIL, cujo mandato se aproxima do fim.
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | −0.20 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa do Golfo árabe | 0.00 | neutral |
Lebanon and Iran condition the agreement on ending the war, while internal divisions threaten stability.
By citing official Iranian and Lebanese sources, the conditional nature and need for consensus are emphasized, making the agreement appear fragile.
The role of the United States and Qatar as mediators is not mentioned.
Qatar mediates between Washington and Tehran, but mixed signals leave the outcome uncertain.
By presenting facts as diplomatic chronicle, an aura of neutrality is created, leaving room for interpretation.
The Iranian conditions and internal Lebanese divisions are not detailed.
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