
Morre aos 1.200 anos o carvalho de Sherwood, árvore lendária de Robin Hood
O icónico Major Oak, que segundo a lenda abrigou o fora-da-lei inglês, não brotou folhas esta primavera; especialistas apontam compactação do solo por turistas e alterações climáticas como causas prováveis.
O Major Oak, carvalho centenário que domina a paisagem da floresta de Sherwood, em Nottinghamshire, não resistiu à primavera de 2026. A Royal Society for the Protection of Birds (RSPB), que gere a reserva natural, confirmou que a árvore com cerca de 1.200 anos não produziu folhas este ano, um desfecho que põe fim a décadas de declínio e a sucessivos boatos sobre a sua morte. Associado à lenda de Robin Hood — que ali se teria escondido do xerife de Nottingham com o seu bando de salteadores —, o carvalho era considerado um dos monumentos vivos mais visitados da Europa, atraindo peregrinações desde a era vitoriana.
A causa exata da morte permanece incerta, mas acumulam-se indícios de que o afeto humano foi fatal. Durante mais de dois séculos, milhões de visitantes compactaram o solo em redor do tronco retorcido e da copa imponente, impedindo a água das chuvas de alcançar as raízes. Intervenções bem-intencionadas também cobraram o seu preço: desde 1904, correntes metálicas e escoras de madeira sustentavam os ramos, e cavidades foram preenchidas com betão, práticas que, segundo especialistas citados pela imprensa sueca e alemã, perturbaram o envelhecimento natural da árvore. A estes fatores somam-se ondas de calor, secas prolongadas e a pressão das alterações climáticas, mencionadas tanto por analistas russos como por conservacionistas britânicos.
A notícia ecoou com pesar em várias latitudes. Na Europa, diários como o Aftonbladet e o Göteborgs-Posten sublinharam o valor simbólico do “Robin Hood-trädet”, enquanto o Tages-Anzeiger destacou a romaria de dois séculos que selou o destino da “Major Oak”. Do mundo árabe, o Hespress marroquino e o Emirates 24/7 deram relevo ao fim de um ícone natural, e na Ásia, o South China Morning Post reforçou a narrativa de uma árvore “amada até à morte”. Para o leitor lusófono, a perda evoca a fragilidade de monumentos vivos como a Oliveira do Mouchão, em Portugal, ou a Figueira Centenária do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, igualmente expostos à pressão turística e às mudanças do clima.
Apesar do luto, o Major Oak não será removido. A RSPB garante que o tronco morto permanecerá no coração de Sherwood como monumento natural, continuando a sustentar insetos, fungos e aves — um testemunho de que, mesmo na morte, a árvore alimenta o ecossistema. “As histórias que ela nos deu são o seu legado. É a árvore mais famosa do mundo e a lenda viverá para sempre”, resumiu um educador ambiental local, em declarações reproduzidas pela imprensa australiana. O carvalho sem folhas será, a partir de agora, uma ruína viva da memória medieval inglesa e um alerta global sobre os limites da convivência entre património natural e multidões.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O carvalho milenar de Sherwood, ligado a Robin Hood, morreu depois de não dar folhas nesta primavera. Seca, calor extremo e pressão humana, incluindo tentativas de conservação com correntes e concreto, são apontados como causas. O tronco morto ficará de pé, ainda valioso para o ecossistema, enquanto a lenda sobrevive.
O carvalho de Sherwood foi 'amado até a morte' pelos visitantes, com o solo compactado sufocando-o. Enquanto isso, a lenda de Robin Hood é recontada de forma sombria e violenta – um novo filme transforma o herói popular em anti-herói. O fim da árvore espelha o desvanecimento do mito romântico do fora-da-lei.
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