
Washington sanciona líderes libaneses por obstrução à paz e apoio ao Hezbollah
Tesouro dos EUA designa Suleiman Franjieh, Mahmoud Qmati e rede financeira em quatro países, enquanto ataques israelitas no sul do Líbano acentuam a pressão sobre o grupo xiita.
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos impôs sanções, na quinta-feira, a figuras de proa da política libanesa acusadas de usar a sua influência para travar o processo de paz e adiar o desarmamento do Hezbollah. Entre os visados estão Suleiman Franjieh, líder do Movimento Marada e antigo candidato presidencial apoiado pelo partido xiita, e Mahmoud Qmati, vice-presidente do conselho político do Hezbollah. A decisão, anunciada pelo secretário do Tesouro Scott Bessent, insere-se numa ofensiva mais ampla contra as redes financeiras que sustentam o grupo armado, classificado como organização terrorista por Washington.
Além dos dois dirigentes libaneses, o Escritório de Controlo de Ativos Estrangeiros (OFAC) sancionou indivíduos e empresas no Líbano, na Síria, no Iraque e em Omã, acusados de operar como testas-de-ferro e angariadores de fundos para o Hezbollah. A rede gira em torno de Alaa Hassan Hamieh, um empresário já sancionado anteriormente, cujos negócios geram receitas ilícitas para a milícia. “O Hezbollah precisa de se desarmar para que o Líbano possa ter um futuro seguro e próspero”, afirmou Bessent, sublinhando que o Tesouro continuará a perseguir os facilitadores financeiros do grupo.
O anúncio coincidiu com um novo episódio de violência no sul do Líbano, onde ataques aéreos israelitas mataram três pessoas, segundo a imprensa estatal libanesa. A ação militar ocorre num momento de fragilidade acrescida para o Hezbollah, que enfrenta pressão externa e um impasse político interno que mantém o país sem presidente há mais de um ano. Franjieh, herdeiro de uma das dinastias cristãs maronitas mais influentes do Líbano, era visto como o candidato preferencial do Hezbollah para a chefia do Estado, mas a sua designação como alvo de sanções pode inviabilizar definitivamente essa via e reconfigurar as negociações entre os blocos parlamentares.
Na perspetiva de Brasília, a medida norte-americana tem repercussões indiretas mas relevantes. O Brasil alberga a maior comunidade de origem libanesa fora do Médio Oriente, estimada em mais de oito milhões de pessoas, e mantém laços históricos e diplomáticos com Beirute. Além disso, a Marinha do Brasil assumiu recentemente o comando da Força-Tarefa Marítima da UNIFIL, a missão de paz da ONU no Líbano, o que coloca o país numa posição de responsabilidade acrescida sobre a estabilidade local. Observadores em Brasília avaliam que as sanções podem acelerar o isolamento do Hezbollah, mas também alertam para o risco de agravamento da crise económica libanesa, com impacto direto sobre a diáspora.
Em Lisboa, analistas sublinham que Portugal mantém um contingente significativo na UNIFIL e tem apostado numa diplomacia de equilíbrio no Médio Oriente. As sanções são vistas como um instrumento de pressão legítimo, mas que deve ser acompanhado de um esforço multilateral para evitar o colapso das instituições libanesas. Nos países africanos de língua portuguesa, com destaque para Angola e Moçambique, a atenção recai sobre os riscos de instabilidade regional e sobre o eventual aumento dos fluxos de refugiados, num momento em que a segurança marítima e as rotas comerciais do Índico já enfrentam desafios significativos. A decisão de Washington, ao mirar as finanças do Hezbollah em Omã e na Síria, revela a dimensão transnacional do grupo e a complexidade de uma solução puramente libanesa para a crise.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Os Estados Unidos impuseram sanções a figuras libanesas acusadas de obstruir o processo de paz e atrasar o desarmamento do Hezbollah. O Departamento do Tesouro enfatizou que o Hezbollah deve depor as armas para que o Líbano alcance segurança e prosperidade, e prometeu continuar mirando as redes financeiras do grupo. As medidas são apresentadas como um passo necessário para responsabilizar aqueles que minam o Estado libanês.
Os líderes libaneses alvo das sanções americanas as consideram irrelevantes, declarando que seu único 'crime' é ficar ao lado de seu povo contra o inimigo sionista que ocupa sua terra e mata seus cidadãos. Insistem que são pela paz, mas contra a rendição, e que as sanções apenas fortalecem sua convicção. A medida é retratada como um ataque à resistência e à dignidade nacional.
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