
AI aquece procura por chips e faz disparar preços da eletrónica
Fabricantes alertam para impacto no custo final de dispositivos, enquanto falhas de segurança e dependência excessiva de chatbots levantam preocupações sociais.
O presidente executivo da Apple, Tim Cook, afirmou que o aumento dos preços dos dispositivos da empresa é “inevitável”, devido à escassez global de chips de memória e armazenamento, absorvidos em massa pelos centros de dados de inteligência artificial. A Microsoft reportou custos de componentes de consolas mais do que duplicados desde o outono passado, e outras fabricantes como a Dell e a Ford também sinalizam pressões. Nos mercados lusófonos, onde a procura por eletrónica se mantém elevada, o encarecimento ameaça transferir-se para o consumidor final – analistas da Techinsights projetam um acréscimo superior a 200 dólares no próximo iPhone.
No domínio laboral, a atriz Anne Hathaway expôs outro efeito da massificação dos sistemas generativos: a standardização que prejudica quem procura emprego. Ao receber notas de agradecimento idênticas de vários candidatos, geradas por ChatGPT após entrevistas, Hathaway alertou que o recurso automático à IA revela precisamente aquilo que se pretendia esconder. Em Lisboa e São Paulo, agências de recrutamento já sinalizam o mesmo fenómeno, que esvazia a vantagem de uma comunicação personalizada.
Paralelamente, a segurança dos próprios modelos está sob escrutínio. Investigadores da empresa britânica Mindgard descobriram uma falha no ChatGPT que, através de comandos inócuos e técnicas de jailbreak, permite a criação de imagens fotorrealistas de extrema violência, como corpos mutilados. Apesar de a OpenAI ter anunciado a correção, os especialistas demonstraram que ligeiras modificações nos pedidos reativam a vulnerabilidade, levantando suspeitas sobre as bases de treino utilizadas. Um dos investigadores interrompeu os testes após gerar uma imagem que descreveu como “aterradora”.
A confiança nos chatbots estende-se a decisões pessoais, num fenómeno que investigadores da Wharton School e da NostaLab classificam como “rendição cognitiva”. Utilizadores relatam depender de assistentes como o Claude para decidir desde o que vestir até à condução de relações afetivas, partilhando conversas privadas para obter conselhos. Neurocientistas advertem que abdicar do exercício diário do pensamento crítico pode atrofiar competências de julgamento e memória. Aplicações como o Moot, que delibera por voto entre personas de IA, aceleram esta tendência.
Os próximos meses trarão indicações concretas: a Apple prepara a apresentação da nova geração de iPhones no outono, enquanto a Microsoft revê planos de hardware. No campo da segurança, a OpenAI procura blindar definitivamente o seu gerador de imagens, e reguladores europeus e brasileiros acompanham os desenvolvimentos. O equilíbrio entre inovação e proteção do utilizador permanece em aberto.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O boom da IA está elevando os preços dos chips, tornando a eletrônica de consumo mais cara. Ao mesmo tempo, as pessoas estão delegando cada vez mais decisões pessoais à IA, arriscando um declínio em suas próprias capacidades de tomada de decisão. Esses custos ocultos levantam preocupações sobre a adoção descontrolada da inteligência artificial.
Um pesquisador de segurança descobriu uma vulnerabilidade no ChatGPT que permite gerar imagens ultraviolentas, contornando os filtros de segurança. A descoberta foi emocionalmente devastadora, destacando o potencial da IA para produzir conteúdo horrível. Esta falha expõe graves inadequações nas atuais medidas de segurança da IA.
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