
Visto negado a ministro extremista de Israel expõe tensões com Washington
Itamar Ben-Gvir, figura polémica da extrema-direita, desistiu de ir a Miami para um casamento depois de a embaixada americana exigir dados biométricos, procedimento raro para um titular de passaporte diplomático.
O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, cancelou uma viagem familiar aos Estados Unidos após enfrentar obstáculos inesperados no processo de obtenção de visto. A embaixada norte-americana em Jerusalém exigiu que o governante comparecesse pessoalmente para fornecer impressões digitais, um requisito biométrico que, segundo a imprensa israelita, raramente é aplicado a altos funcionários com passaporte diplomático. Ben-Gvir chegou a deslocar-se à representação diplomática, mas acabou por desistir da deslocação, alegando recear que a autorização não chegasse a tempo. A exigência fora do comum foi interpretada por analistas em Telavive como um sinal de relutância de Washington em facilitar a entrada do político, cujo cadastro criminal e histórico de incitamento pesam na avaliação consular.
A viagem tinha um caráter privado: Ben-Gvir planeava assistir ao casamento da filha de um empresário israelita radicado em Miami, com despesas cobertas pelo anfitrião. O ministro chegou a solicitar a um tribunal de Jerusalém o adiamento de uma audiência de difamação que move contra o diário Haaretz, justificando a necessidade de viajar. A sua biografia, porém, torna qualquer deslocação internacional um teste diplomático. Condenado em tribunal por incitamento ao racismo e apoio a uma organização terrorista, Ben-Gvir é uma das vozes mais inflamatórias da coligação de Benjamin Netanyahu, conhecido por provocações que já mereceram condenação da União Europeia e de capitais árabes.
Na perspetiva de Brasília, o episódio ilustra como mesmo administrações tradicionalmente alinhadas com Israel, como a de Donald Trump, recorrem a instrumentos administrativos para filtrar figuras incómodas. Observadores em Lisboa notam que o procedimento biométrico exigido a Ben-Gvir ecoa as preocupações europeias com a normalização de discursos extremistas em governos democraticamente eleitos. Já a imprensa do Médio Oriente, incluindo veículos iranianos e libaneses, destaca o gesto como uma humilhação diplomática que expõe fissuras entre Washington e a ala mais radical do executivo israelita. Em África lusófona, onde Israel procura reforçar laços, o incidente é lido como um lembrete de que a retórica inflamatória pode ter custos concretos na mobilidade internacional de governantes.
O desfecho deste caso evita um confronto público, mas lança interrogações sobre o futuro. A recusa tácita de visto, ou a imposição de entraves burocráticos, funciona como um mecanismo silencioso de sinalização política. Para a coligação de Netanyahu, a mensagem é clara: mesmo sob uma presidência americana amplamente favorável, há limites para a tolerância com perfis que desafiam as normas diplomáticas. A decisão de Ben-Gvir de cancelar a viagem, em vez de arriscar uma negação formal, revela a consciência de que o seu capital político interno não se traduz automaticamente em aceitação externa, um cálculo que poderá repetir-se noutras capitais atentas a este precedente.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O ministro extremista do regime sionista teve o visto americano negado, revelando que até Washington reluta em receber uma figura dessas. O cancelamento de sua viagem controversa, financiada por um empresário israelense, expõe o isolamento da extrema direita israelense até mesmo entre seus aliados.
O líder extremista do partido 'Poder Judaico' da entidade sionista foi forçado a cancelar sua viagem aos EUA após enfrentar obstáculos de visto. Apesar de possuir passaporte diplomático, foi submetido a procedimentos incomuns, sinalizando o desconforto de Washington com a extrema direita israelense.
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