
UE propõe abrandar redução de licenças de carbono e prolonga apoios à indústria
Comissão Europeia revê mercado de emissões para dar mais tempo à descarbonização, mas medida divide Estados-membros e gera críticas de ambientalistas e de países nórdicos.
A Comissão Europeia propôs esta sexta-feira uma travagem no ritmo de redução anual do teto de emissões do mercado de carbono (ETS), o principal instrumento climático do bloco. A partir de 2031, o fator de redução linear passará dos atuais 4,4% para 3,7% até 2035, e depois para 1,7% até 2040, o que significa mais licenças disponíveis e um encarecimento mais lento do CO₂. O preço de referência recuou ligeiramente para 78,58 euros por tonelada após o anúncio. A revisão, que responde à pressão de setores industriais e de países como Itália e Polónia, mantém o objetivo de neutralidade carbónica em 2050, mas alivia a trajetória intermédia.
O novo figurino prolonga a atribuição de licenças gratuitas a indústrias como a siderurgia e o cimento até 2038, em vez de as extinguir em 2034, mas impõe condições: 80% das licenças serão entregues mediante planos de investimento em descarbonização aprovados e publicados, e os restantes 20% só depois de os investimentos estarem executados. Ao mesmo tempo, Bruxelas obriga os Estados-membros a reinvestirem metade das receitas do ETS — que desde 2013 geraram 260 mil milhões de euros — na descarbonização dos setores abrangidos. A proposta inclui ainda a integração gradual da incineração de resíduos e o alargamento a voos internacionais com origem na UE até cinco mil quilómetros de distância.
A iniciativa expõe um fosso entre as capitais europeias. Na perspetiva de Estocolmo, Helsínquia e Madrid, o abrandamento penaliza as empresas que já investiram na transição, como as siderurgias suecas SSAB e Stegra, cujos projetos de aço verde dependem de um preço elevado do carbono para competir com o aço fóssil. O primeiro-ministro sueco classificou a proposta de “injusta” para quem esteve na vanguarda. Em Roma e Varsóvia, porém, a flexibilização é considerada insuficiente: a Confindustria fala em “efeitos apenas marginais” e o governo polaco promete continuar a pressionar por mais alívios. As organizações ambientalistas denunciam um “recuo monumental” e eurodeputados verdes alertam para o risco de a Europa perder a corrida das tecnologias limpas para a China.
Em paralelo, o executivo comunitário apresentou um plano de ação para a eletrificação, com a meta indicativa de duplicar o peso da eletricidade no consumo final de energia até 2040, passando dos atuais 23% para 46%. A medida é justificada pela necessidade de reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados, agravada pela crise no Estreito de Ormuz, e poderá gerar poupanças anuais de 200 mil milhões de euros. A proposta do ETS segue agora para negociação no Conselho e no Parlamento Europeu, num processo que se antevê longo e que terá na França um dos Estados-pivot, dadas as suas posições intermédias entre os campos opostos.
| Imprensa europeia continental | −0.50 | critical |
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| Imprensa latino-americana | 0.00 | neutral |
| Imprensa do Sudeste Asiático | 0.00 | neutral |
Os críticos alertam que a UE está sacrificando a ambição climática por um alívio industrial de curto prazo, dando à China uma vantagem competitiva em tecnologias limpas.
Ao enquadrar a desaceleração como uma concessão à indústria e aos governos conservadores, e ao destacar o risco de perder a liderança climática, a narrativa cria uma hierarquia de ameaças que torna a reforma perigosa.
A narrativa omite o argumento de que a reforma é uma resposta necessária para prevenir a desindustrialização e inclui condições como investimentos verdes obrigatórios.
A reforma é apresentada como um ajuste pragmático para dar à indústria pesada mais espaço de manobra enquanto se busca a descarbonização, sem drama político.
A narrativa usa um tom tecnocrático, descrevendo a reforma como uma solução técnica neutra para equilibrar clima e competitividade, evitando qualquer menção a conflito político.
Omite as batalhas políticas e as críticas ambientalistas, bem como as taxas de redução específicas.
A UE está dando um passo medido para suavizar as regras do mercado de carbono, respondendo às preocupações da Itália e da Polônia sobre a competitividade, enquanto visa as metas climáticas de 2040.
A narrativa apresenta a reforma como um compromisso equilibrado entre interesses econômicos e ambientais, usando uma linguagem de 'aliviar a pressão' e 'alinhar com as metas' para sugerir um meio-termo racional.
Omite as fortes críticas dos grupos ambientalistas e os números específicos da desaceleração na redução do limite de emissões.
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