
Trump fustiga Netanyahu em discurso de expletivos por ataque que adiou acordo com Irã
Ofensiva israelense em Beirute, uma hora antes da assinatura, enfureceu o presidente americano; memorando de entendimento foi selado horas depois e será formalizado na Suíça na sexta-feira.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recorreu a linguagem incomum para um chefe de Estado ao criticar o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, por um bombardeamento aéreo sobre Beirute que, segundo ele, quase fez naufragar o acordo de paz com o Irão. Em publicações nas redes sociais e numa entrevista ao site Axios, Trump afirmou que o ataque “não deveria ter acontecido”, acusou Netanyahu de “não ter um maldito juízo” e considerou que a ação adiou em algumas horas a assinatura do memorando de entendimento entre Washington e Teerão, prevista inicialmente para a manhã de domingo, dia em que o mandatário completou 80 anos. Horas depois, o próprio Trump anunciou que o pacto estava fechado e que será formalizado numa cerimónia na Suíça, na próxima sexta-feira.
O episódio insere-se numa guerra de meses entre os Estados Unidos e o Irão, desencadeada por ataques norte-americanos e israelitas contra alvos iranianos no final de fevereiro. Teerão sempre condicionou qualquer cessar-fogo à inclusão do conflito paralelo no Líbano, onde Israel conduz uma campanha contra o Hezbollah, grupo aliado do regime persa. O ataque de domingo contra os subúrbios a sul de Beirute foi interpretado por analistas em Washington como uma tentativa de sabotar as negociações e prolongar a instabilidade regional. Apesar da fúria presidencial, o gabinete de Netanyahu não se pronunciou oficialmente, e as Forças de Defesa de Israel limitaram-se a confirmar a operação.
Na perspetiva de Brasília, o desfecho do acordo é aguardado com cautela por causa das implicações no mercado global de petróleo. A eventual reabertura do Estreito de Ormuz, prometida por Trump para um futuro próximo, aliviaria as pressões sobre os preços dos combustíveis que afetam a Petrobras e o consumidor brasileiro. Observadores em Lisboa notam que a estabilização do Médio Oriente também interessa diretamente a Portugal, cuja fatura energética depende das cotações do barril e que mantém um contingente militar na Força Interina das Nações Unidas no Líbano. Já em Luanda, a atenção recai sobre o impacto nas receitas petrolíferas angolanas, num momento em que o país procura diversificar parcerias internacionais.
Apesar do otimismo cauteloso da Casa Branca, Teerão evitou confirmar um calendário e a sua diplomacia chegou a afirmar que a assinatura “não seria amanhã”. A insistência iraniana em vincular o Líbano ao pacto final permanece como o principal ponto de tensão. A concretização da cerimónia de sexta-feira dependerá da capacidade das partes em isolar as ações militares israelitas do processo diplomático, num xadrez regional em que qualquer novo ataque pode voltar a fazer descarrilar a paz frágil.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Trump está confiante de que o acordo com o Irã será assinado em poucas horas, apesar dos ataques israelenses a Beirute que quase o inviabilizaram. Ele criticou publicamente Netanyahu, chamando o ataque de um erro que jamais deveria ter acontecido, e prometeu caçar os vestígios nucleares iranianos.
Trump está furioso com Netanyahu por atacar Beirute às vésperas do acordo, dizendo que ele ‘não tem juízo nenhum’ e que o ataque atrasou a assinatura em horas. A imprensa latino-americana ressalta a linguagem áspera e a cisão entre os aliados, enquanto Teerã exige a inclusão do Líbano no cessar-fogo.
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