
Trump declara fim do cessar-fogo com o Irão e petróleo dispara
Presidente dos EUA afirma que acordo interino 'acabou' após troca de ataques no Golfo, enquanto Teerão acusa Washington de violar o memorando e os preços do crude sobem mais de 5%.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou esta quarta-feira, à margem da cimeira da NATO em Ancara, que o cessar-fogo com o Irão «acabou» e que negociar com Teerão é «uma perda de tempo». A declaração fez disparar os preços do petróleo: o Brent do Mar do Norte subiu 5,3%, para 78,09 dólares por barril, e o West Texas Intermediate avançou 5,4%, para 74,23 dólares. A reação dos mercados reflete o agravamento da instabilidade no Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um quinto do comércio global de crude, e cujo controlo está no centro da escalada militar entre os dois países.
A troca de ataques que antecedeu as palavras de Trump começou com o bombardeamento de três navios comerciais no estreito, atribuído por Washington a forças iranianas. Em resposta, o Comando Central dos EUA (CENTCOM) atingiu mais de 80 alvos no Irão, incluindo sistemas de defesa aérea, radares e dezenas de embarcações da Guarda Revolucionária. Teerão retaliou com mísseis e drones contra instalações militares norte-americanas no Bahrein e no Kuwait, que acionaram alertas antiaéreos. O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, qualificou a ação dos EUA como «absolutamente necessária», alinhando a aliança com a posição de Washington. Já o Irão, através do seu negociador-chefe, Mohammad Bagher Ghalibaf, acusou os Estados Unidos de violações «graves» do memorando de entendimento, citando o restabelecimento de sanções petrolíferas e os ataques ao seu território.
O acordo interino, assinado a 18 de junho com mediação do Paquistão, previa 60 dias de tréguas para negociações sobre um tratado de paz definitivo. Contudo, as conversações indiretas no Qatar foram suspensas sem progressos, e a decisão de Washington de revogar a licença que permitia ao Irão exportar petróleo — peça central do memorando — minou a confiança entre as partes. Na perspetiva de capitais europeias, a diplomata-chefe da UE, Kaja Kallas, considerou que os ataques «complicam ainda mais umas conversações já de si tensas» e anunciou uma reunião com países do Golfo para discutir a liberdade de navegação. Observadores em Lisboa e Brasília acompanham com preocupação o impacto nos preços dos combustíveis e o risco de contágio a outras rotas marítimas, como o Mar Vermelho, essenciais para as exportações do Atlântico Sul.
Apesar de Trump ter dito que permitirá que os seus negociadores, Steve Witkoff e Jared Kushner, continuem a dialogar, classificou os líderes iranianos como «escumalha» e «gente doente», e afirmou que os EUA «têm de eliminar esse cancro». O Irão, por seu lado, condiciona qualquer novo entendimento ao fim das sanções e ao reconhecimento do seu controlo sobre o estreito. O dossier permanece num impasse perigoso, agravado pelo funeral do líder supremo Ali Khamenei, cujo enterro está previsto para 9 de julho, e pela ausência de um canal de comunicação direto entre as partes. A próxima reunião técnica entre as delegações, inicialmente prevista para depois das cerimónias fúnebres, não tem data marcada, enquanto a região se prepara para uma nova fase de hostilidades.
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Trump declares the ceasefire over, calling Iran 'scum' and 'sick', while oil markets react with a 5% surge.
The bloc amplifies Trump's own confrontational language and frames the oil price spike as a direct consequence of his declaration, creating a sense of immediate crisis.
The bloc omits any detailed discussion of Iran's perspective or the context of the initial ceasefire agreement, focusing solely on Trump's words and market reaction.
Trump says the ceasefire is over 'as I see it', leaving room for doubt, while the oil price rise is mentioned without alarm.
The bloc uses Trump's own hedging language ('as I see it') to present the ceasefire's end as a subjective opinion rather than a definitive fact, thereby lowering the temperature of the narrative.
The bloc omits the specific details of the military strikes and the scale of the oil price surge, focusing instead on the diplomatic ambiguity.
Trump unilaterally ends the ceasefire with Iran, blaming Tehran, while the oil price rise is a secondary concern.
The bloc emphasizes the date of the original ceasefire to highlight its short duration and Trump's role in breaking it, subtly shifting responsibility onto the US.
The bloc omits any mention of Iran's attacks on ships that triggered the US strikes, focusing instead on the US decision to end the ceasefire.
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