
DeepSeek avança para chip próprio de IA e acirra disputa tecnológica entre China e EUA
Startup chinesa projeta semicondutor para inferência, reduzindo dependência de Nvidia e Huawei, enquanto Washington avalia novas restrições ao uso de modelos chineses.
A startup chinesa DeepSeek está a desenvolver um chip próprio de inteligência artificial para a fase de inferência — o momento em que um modelo já treinado gera respostas —, segundo três fontes anónimas citadas pela Reuters. A notícia fez as ações da Nvidia recuarem cerca de 1,6% nas negociações pré-mercado nos EUA, refletindo o receio de que a procura chinesa pelos semicondutores da empresa continue a encolher. O movimento insere-se num esforço mais amplo de Pequim para contornar os controlos de exportação de Washington, que desde 2023 impedem o acesso das empresas chinesas aos chips mais avançados da Nvidia e a componentes críticos como a memória de alta largura de banda.
O projeto, ainda em fase inicial, representa uma viragem estratégica para a DeepSeek, que ganhou notoriedade global em janeiro de 2025 ao apresentar o modelo de raciocínio R1, treinado com chips Nvidia H800 — concebidos para o mercado chinês e posteriormente banidos pelos EUA. Desde então, a empresa tem recorrido cada vez mais aos processadores Ascend da Huawei, mas a dependência de um único fornecedor doméstico revelou-se uma vulnerabilidade. A Huawei domina quase metade do mercado chinês de chips de IA, avaliado em 50 mil milhões de dólares, porém enfrenta a concorrência crescente de Alibaba, Baidu e agora da própria DeepSeek, que iniciou contratações discretas de engenheiros de design de semicondutores e contactos com fabricantes de memória e fundições.
A iniciativa alinha-se com uma tendência global: a OpenAI apresentou em março o seu primeiro chip de inferência, Jalapeno, desenvolvido com a Broadcom, e a Anthropic estuda projeto semelhante. Na perspetiva de Washington, porém, a autonomia tecnológica chinesa é vista como uma ameaça à segurança nacional. O Congresso norte-americano avalia mecanismos para limitar o uso de modelos de IA chineses por empresas dos EUA, incluindo proibições federais de aquisição que afetariam também prestadores de serviços ao governo. Em paralelo, Pequim mantém o seu próprio «firewall» digital, bloqueando o acesso a modelos ocidentais como o ChatGPT e reforçando o controlo sobre as tecnologias de IA com base em «valores socialistas fundamentais».
Para observadores em Lisboa e em Brasília, o acirrar da rivalidade sino-americana no setor dos semicondutores sublinha a fragilidade das cadeias de abastecimento globais. A Europa, que importa a quase totalidade dos chips avançados, vê na disputa um argumento adicional para acelerar a capacidade de produção própria no âmbito da Lei Europeia dos Chips. Já no Brasil, onde o debate sobre soberania digital ganha espaço, a dependência de fornecedores externos de IA generativa é cada vez mais encarada como um risco estratégico.
O sucesso do chip da DeepSeek está longe de garantido: projetar um semicondutor competitivo exige anos e capital elevado, e as restrições dos EUA impedem o acesso às fundições mais avançadas. A empresa mantém conversações com parceiros externos, mas não há calendário público para a conclusão do projeto. O próximo marco a observar será a eventual formalização de uma parceria de fabrico ou a reação de Washington, que poderá apertar ainda mais o cerco às ambições tecnológicas chinesas.
| Imprensa atlântica / anglosfera | 0.00 | neutral |
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| Imprensa indiana e sul-asiática | +0.40 | aligned |
| Imprensa russa e CEI | 0.00 | neutral |
| Imprensa chinesa | 0.00 | neutral |
O Ocidente observa o movimento da DeepSeek como uma busca estratégica por soberania tecnológica, enquadrando-o como um desafio ao domínio dos EUA.
Ao enfatizar o objetivo de 'acabar com a dependência dos EUA', a narrativa cria uma competição de soma zero entre a tecnologia americana e chinesa, tornando o desenvolvimento do chip da DeepSeek uma ameaça direta à liderança americana.
O quadro atlântico omite que a DeepSeek também visa reduzir a dependência da Huawei, e que o chip é apenas para inferência, não para treinamento, limitando seu impacto imediato no negócio principal da Nvidia.
A Índia enquadra o chip da DeepSeek como um golpe direto na Nvidia, celebrando o potencial da China para contornar a tecnologia dos EUA e sinalizando uma mudança no cenário global de chips.
O uso de 'má notícia para a Nvidia' e 'a China pode não precisar dos seus chips' personifica a rivalidade, transformando um desenvolvimento corporativo em um confronto nacionalista.
O quadro indiano omite que o chip é apenas para inferência, portanto o mercado de chips de treinamento da Nvidia permanece em grande parte inalterado, e que a DeepSeek também busca independência da Huawei.
A Rússia reenquadra a história como uma repressão liderada pelos EUA contra a IA chinesa, retratando Washington como o agressor e a DeepSeek como vítima de restrições geopolíticas.
Ao focar nas restrições dos EUA em vez da inovação da DeepSeek, a narrativa desvia a atenção para o excesso americano, tornando o desenvolvimento do chip um detalhe secundário.
O quadro russo omite os detalhes do desenvolvimento do chip da DeepSeek, incluindo seu propósito e cronograma, e não menciona as dinâmicas competitivas com a Nvidia e a Huawei.
A China apresenta o chip da DeepSeek como uma estratégia pragmática e de longo prazo para alcançar a autossuficiência, com uma avaliação clara dos desafios dos controles de exportação dos EUA e do impacto sobre o rival doméstico Huawei.
A reportagem técnica detalhada normaliza a medida como uma decisão empresarial racional, enquanto a menção da potencial perda de mercado da Huawei introduz concorrência interna, desviando de uma narrativa puramente anti-americana.
O quadro chinês omite qualquer crítica aos controles de exportação dos EUA como injustos, tratando-os como um desafio dado, e não destaca o estágio inicial do desenvolvimento ou o risco de fracasso.
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