
Trump declara-se 'o chefe' no G7 enquanto líderes reforçam apoio à Ucrânia
Donald Trump impôs o tom com uma piada de poder, enquanto o G7 anunciava sanções reforçadas contra Moscovo e apoiava o cessar-fogo no Estreito de Ormuz.
O terceiro e último dia da cimeira do G7 em Évian-les-Bains, na França, ficou marcado por um gesto que resumiu a dinâmica de poder entre os líderes das maiores economias ocidentais. Donald Trump entrou na sala de trabalho com cerca de uma hora de atraso, quando os restantes chefes de Estado e de governo já estavam sentados, e, detendo-se à cabeceira da mesa, disparou: “I am the boss”. A frase, dita com um sorriso contido, arrancou risos dos presentes, incluindo do anfitrião Emmanuel Macron, que o cumprimentou com um “How are you?”. O momento de descontração, porém, não diluiu a substância política do encontro: minutos antes, os líderes do G7 tinham divulgado uma declaração conjunta de firme apoio à integridade territorial da Ucrânia e de promessa de novas sanções contra a economia de guerra russa.
A declaração final da cimeira, que decorreu entre 15 e 17 de junho, comprometeu os sete países a reforçar as sanções nos setores de petróleo e gás, com o objetivo de aumentar a pressão sobre Moscovo. O texto saudou ainda o acordo provisório entre Washington e Teerão para a abertura do Estreito de Ormuz, um entendimento que Trump trouxe para a mesa como trunfo pessoal, e sublinhou a necessidade de diversificar as rotas de abastecimento energético e reduzir a dependência de matérias-primas críticas da China. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, esteve presente na esperança de convencer Trump de que as contraofensivas de Kiev estão a produzir resultados concretos e de que a Rússia já não está em posição de ditar condições para um eventual cessar-fogo.
Na perspetiva de Brasília, a presença de Luiz Inácio Lula da Silva entre os convidados internacionais reforçou o interesse do Brasil em participar ativamente no redesenho das cadeias globais de abastecimento. O país, grande produtor de matérias-primas estratégicas, observa com atenção as discussões sobre minerais críticos e a transição energética, áreas em que pode desempenhar um papel relevante. Observadores em Lisboa notam que Macron, ao presidir à cimeira, procurou projetar uma Europa unida, mas a atitude de Trump expôs as tensões latentes na relação transatlântica. Para as nações lusófonas africanas, como Angola e Moçambique, produtoras de petróleo e gás, o endurecimento das sanções à Rússia e a diversificação de fornecedores abrem potenciais janelas de oportunidade nos mercados europeus, ainda que a volatilidade geopolítica exija cautela.
O comunicado do G7 fortalece a posição de Kiev em futuras negociações de paz, mas o estilo unilateral de Trump levanta dúvidas sobre a coesão do grupo a longo prazo. O magnata de 80 anos, que acabara de celebrar o aniversário e de fechar o acordo com o Irão, tratou a cimeira como uma extensão do seu conhecido reality show, sem abandonar a substância negocial. A ênfase na redução da dependência chinesa e na segurança das cadeias de abastecimento sinaliza uma viragem estratégica que transcende o imediatismo das sanções. Resta saber se a unidade retórica conseguida em Évian se traduzirá em ações coordenadas, sobretudo quando o “chefe” americano continua a preferir a via das negociações diretas e imprevisíveis.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
2 grupos editoriais · 3 idiomas
A entrada teatral de Trump e sua declaração de ser o chefe são interpretadas como mais uma prova de um declínio mental alarmante. Comentaristas expressam indignação, sugerem demência senil e questionam sua aptidão para liderar. O episódio não é tratado como humor, mas como sintoma de uma crise profunda.
Chegando por último, Trump fez questão de se declarar o chefe, misturando seriedade com um sorriso. Observadores europeus notam a teatralidade, o tapinha nas costas do primeiro-ministro britânico e a reclamação sobre o calor, pintando um líder que transforma a cúpula em palco pessoal. O gesto é recebido com ironia e um dar de ombros paternalista.
Artigos relacionados
Inglaterra vence Croácia em jogo de seis gols na estreia do Grupo L
7 idiomas · 29 veículos
EsporteColômbia vence Uzbequistão com brilho de Luis Díaz e assume liderança do Grupo K
7 idiomas · 26 veículos
Defense & SecurityUcrânia ataca refinaria de Moscovo pela segunda vez numa semana em megaofensiva com drones
8 idiomas · 22 veículos