
Rutte minimiza redução militar dos EUA e exorta Europa a acelerar defesa
Secretário-geral da NATO afirma que aliados europeus e Canadá compensarão a menor presença americana, mas dúvidas sobre a capacidade de substituição persistem.
O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, procurou esta quarta-feira acalmar os receios de um desengajamento americano da defesa europeia, depois de Washington ter comunicado aos aliados uma redução significativa dos meios militares que coloca à disposição da Aliança em situações de crise. A decisão, que afeta o chamado Modelo de Força da NATO, implica o corte de um terço dos caças destacados no teatro europeu, a diminuição de capacidades de reabastecimento aéreo e a transferência de esquadrões de bombardeiros e grupos navais para outras regiões. Rutte insistiu que “os Estados Unidos não estão a afastar-se” e que os ajustamentos não constituem “um problema”, mas antes uma redistribuição de responsabilidades que já está a ser compensada pelo aumento das contribuições europeias.
Os números apresentados pelo secretário-geral mostram que os aliados europeus e o Canadá aumentaram os seus investimentos em defesa em mais de 90 mil milhões de dólares em 2025, um crescimento de quase 20% num só ano. A meta de destinar 5% do PIB à defesa até 2035, acordada na cimeira de Haia, exige agora “planos claros, concretos e credíveis”, afirmou Rutte. Na perspetiva de Lisboa, onde o orçamento militar tem estado historicamente abaixo da média da Aliança, o apelo ganha contornos de urgência, sobretudo num momento em que a presença naval americana no Atlântico Norte é reduzida e a segurança das rotas marítimas exige maior autonomia europeia.
Observadores em Brasília notam que a reconfiguração das prioridades estratégicas de Washington pode ter reflexos no Atlântico Sul, espaço onde o Brasil e países africanos de língua portuguesa cooperam em segurança marítima. A eventual deslocação de meios navais americanos para o Indo-Pacífico, somada à pressão para que a Europa assuma a defesa convencional do seu território, poderá acelerar a procura de novos equilíbrios regionais e reforçar a importância de iniciativas como a Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul.
Às vésperas da reunião de ministros da Defesa da NATO, esta quinta-feira em Bruxelas, Rutte confirmou ainda que os Estados Unidos continuarão a fornecer ajuda militar essencial à Ucrânia, mas que o ónus financeiro recairá cada vez mais sobre os europeus. A cimeira de Ancara, também na agenda, deverá consolidar este novo figurino de partilha de encargos. Apesar do tom otimista do secretário-geral, a própria Aliança reconhece, nos bastidores, que se desenvolveu uma “dependência pouco saudável” das capacidades americanas, e a rapidez com que os parceiros europeus conseguirão preencher as lacunas deixadas por Washington permanece a grande incógnita.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Rutte exorta a Europa a apresentar planos credíveis para atingir a meta de 5% do PIB em gastos com defesa até 2035, enquadrando a redução dos EUA não como uma retirada, mas como um impulso necessário para a autonomia europeia. Destaca ainda o papel muito positivo de Trump no processo de paz na Ucrânia, esclarecendo que a ajuda militar essencial continuará, mas caberá à Europa arcar com o ônus.
Os Estados Unidos estão abandonando a Europa e desmantelando a defesa da OTAN com um corte sem precedentes: um terço dos caças, os sistemas de reabastecimento aéreo, os bombardeiros e a presença naval são drasticamente reduzidos. Washington força assim os aliados europeus a abandonar a dependência total e a garantir a própria segurança, marcando uma virada estratégica perigosa.
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