
Trump anuncia assinatura iminente de acordo com Irão e promete 'muro contra a bomba nuclear'
Presidente dos EUA diz que pacto pode ser firmado já esta quinta ou sexta-feira, com Teerão a renunciar ao armamento atómico, mas ameaça retomar bombardeamentos em caso de violação.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira que o acordo alcançado com o Irão para pôr fim à guerra no Médio Oriente será assinado «em breve», possivelmente já na quinta ou sexta-feira. A declaração foi feita durante a conferência de imprensa final da cimeira do G7, em Evian, na França, e surge depois de o governo suíço ter anunciado que a cerimónia de assinatura estava prevista para sexta-feira em Lucerna, com a presença do vice-presidente JD Vance. Fontes citadas pela imprensa europeia indicam, contudo, que mediadores de ambos os países avaliam a possibilidade de uma assinatura eletrónica ainda esta quinta-feira, acelerando a entrada em vigor das disposições sobre o estratégico Estreito de Hormuz.
Trump descreveu o memorando como um «muro contra a arma nuclear», em contraste com o acordo firmado por Barack Obama, que classificou como «um dos mais estúpidos» que já viu. Segundo o presidente, Teerão comprometeu-se a não produzir nem adquirir armas nucleares e a cooperar tecnicamente de imediato. «Vamos provavelmente assinar um acordo. Eles querem assinar e têm-se comportado de forma muito adequada», disse, acrescentando que Washington «levará» o urânio enriquecido iraniano, mesmo que este tenha «pouco valor». A imprensa do Médio Oriente sublinha que o pacto inclui ainda o aumento significativo do tráfego marítimo no Estreito de Hormuz, com navios petroleiros iranianos a ultrapassarem a zona de bloqueio imposta pelos Estados Unidos há cerca de dois meses.
Apesar do tom otimista, Trump reiterou a ameaça de retomar os bombardeamentos caso o Irão não cumpra o acordado. «Se não se comportarem, serão atingidos outra vez», avisou, numa referência à campanha militar iniciada a 28 de fevereiro. Observadores na América Latina notam que a linguagem belicosa coexiste com a promessa de que este entendimento poderá ser o início de uma paz mais ampla no Médio Oriente. Paralelamente, o presidente confirmou que a Casa Branca enviou uma cópia do texto a Israel, gesto interpretado por analistas do mundo árabe como uma tentativa de acalmar as tensões com o governo de Benjamin Netanyahu, que Trump criticara anteriormente pela condução da guerra no Líbano.
A perspetiva europeia, refletida em meios italianos e suíços, destaca a complexidade logística da assinatura e o papel da Suíça como anfitriã neutra. A possibilidade de uma assinatura eletrónica antecipada revela a urgência em estabilizar o fluxo de petróleo através de Ormuz, vital para as economias do sul da Europa. Já a imprensa indiana e latino-americana enfatiza o potencial impacto do acordo nos preços globais de energia e na segurança marítima, áreas de interesse direto para países como Brasil e Angola, cujas exportações de crude competem com a produção do Golfo. A concretização do pacto, se confirmada, poderá reconfigurar as dinâmicas geopolíticas e oferecer um alívio momentâneo aos mercados, mas a desconfiança mútua e o historial de tensões mantêm analistas em Lisboa e noutras capitais céticos quanto à durabilidade do compromisso.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A imprensa do Golfo enquadra o acordo com pragmatismo: a retomada da navegação no Estreito de Ormuz traz alívio aos mercados de petróleo, enquanto nota as tensões entre Trump e Netanyahu sobre a campanha no Líbano. O acordo é visto como um passo concreto para congelar o programa nuclear iraniano.
A imprensa latino-americana celebra o acordo como um triunfo de Trump: um 'muro nuclear' que impedirá para sempre Teerã de desenvolver armas atômicas. O contraste com o acordo fracassado de Obama é destacado, e a promessa de paz duradoura é exaltada.
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