Entrar
Edição das 20:00 CETsábado, 25 de julho de 2026
325 veículos · 17 idiomas0 briefing hoje
Economia e Mercadossábado, 25 de julho de 2026

Trump ameaça tarifa sobre alface mexicana após surto de ciclosporíase nos EUA

Presidente dos EUA condiciona comércio a investigação sanitária, enquanto México contesta laudo que apontava contaminação e setor agrícola alerta para cortes orçamentários na vigilância.

A declaração do presidente Donald Trump, de que os Estados Unidos poderiam impor uma “grande tarifa” ao México por causa da alface supostamente contaminada, introduz uma nova variável comercial num momento de tensão nas relações bilaterais. A ameaça, feita em tom jocoso a jornalistas no Salão Oval, surge após os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) associarem um surto de ciclosporíase — com 1.947 casos confirmados e até 11.573 possíveis em nove estados — ao consumo de alface americana picada em restaurantes Taco Bell. O episódio ocorre na mesma semana em que a Casa Branca já anunciara tarifas de 50% sobre produtos canadenses, numa escalada que observadores em Washington interpretam como uso de instrumentos comerciais para pressionar parceiros em áreas não estritamente econômicas.

A investigação nos EUA teve reviravoltas. A FDA inicialmente apontou a presença do parasita Cyclospora cayetanensis em amostras de alface iceberg da empresa Taylor Farms, cultivada em Guanajuato, México. Posteriormente, a agência admitiu que o resultado fora um falso positivo e pediu desculpas ao fornecedor. Contudo, manteve a hipótese de que a alface mexicana, pela rastreabilidade, continua sendo o veículo provável. Paralelamente, autoridades sanitárias mexicanas — incluindo a Cofepris e o Senasica — analisaram dez amostras de matéria-prima e produto acabado da mesma planta, além de amostras de água. Todos os exames deram negativo para Cyclospora e coliformes fecais, o que a presidente Claudia Sheinbaum classificou como evidência de que não há, até o momento, comprovação de contaminação de origem mexicana. A própria FDA reconhece que nenhuma amostra positiva foi confirmada em laboratório.

Na Cidade do México, a resposta de Sheinbaum sublinhou a realização de um estudo epidemiológico próprio e o compromisso de divulgar os resultados assim que disponíveis. A declaração busca conter danos a um setor que exporta 97% das 153 mil toneladas anuais de alface para os EUA, com forte presença de produtores em Guanajuato, Zacatecas e Sonora. O Grupo Consultor de Mercados Agrícolas (GCMA) aproveitou o caso para alertar sobre a redução de 26% no orçamento do Senasica entre 2018 e 2026, o que, na sua avaliação, compromete a capacidade de vigilância e resposta rápida. “A sanidade e a inocuidade devem ser consideradas assunto de segurança nacional”, afirmou a entidade, que vê na coordenação binacional, baseada em evidências científicas, o caminho para evitar prejuízos injustificados a exportadores.

Além da alface, Trump mencionou a possibilidade de tarifar também o Canadá devido à fumaça de incêndios florestais que atinge o território americano. A retórica, embora apresentada com risos, alinha-se a um padrão de uso de sanções comerciais como ferramenta de pressão, a exemplo das tarifas de 50% sobre produtos canadenses anunciadas na véspera. Para o México, o próximo marco será a conclusão do estudo epidemiológico encomendado por Sheinbaum, que poderá influenciar a reavaliação da FDA e, no plano diplomático, a continuidade das revisões do T-MEC. Enquanto isso, autoridades estaduais nos EUA investigam fontes alternativas, como coentro e salsa, o que mantém em aberto a cadeia de causalidade do surto.

Amplie o olhar

Ler mais
Últimas notícias
Triplo homicídio no México e detenções por drogas na Colômbia, Peru e Indonésia·Após final do Mundial, Messi ressurge na tribuna de clube familiar da quarta divisão argentina·Irã rejeita saída militar para crise no Iêmen e pede diálogo entre houthis e Riad·Brasil nega vistos a enviados de Trump que questionariam urnas eletrônicas·Varejistas nas Américas e Ásia promovem liquidações de fim de julho·Ondas de calor e tempestades marcam fim de semana de extremos climáticos no planeta·Arsenal coloca Vinicius Júnior no topo da lista, e impasse contratual no Real acende disputa·Incêndios, resgates e suspeita de homicídio marcam fim de semana·Triplo homicídio no México e detenções por drogas na Colômbia, Peru e Indonésia·Após final do Mundial, Messi ressurge na tribuna de clube familiar da quarta divisão argentina·Irã rejeita saída militar para crise no Iêmen e pede diálogo entre houthis e Riad·Brasil nega vistos a enviados de Trump que questionariam urnas eletrônicas·Varejistas nas Américas e Ásia promovem liquidações de fim de julho·Ondas de calor e tempestades marcam fim de semana de extremos climáticos no planeta·Arsenal coloca Vinicius Júnior no topo da lista, e impasse contratual no Real acende disputa·Incêndios, resgates e suspeita de homicídio marcam fim de semana·
Atualizado 05:293 idiomas · 10 veículos
AnteriorEconomia e MercadosPróximo
10 veículos|3 idiomas|3 min de leitura
sábado, 25 de julho de 2026

Trump ameaça tarifa sobre alface mexicana após surto de ciclosporíase nos EUA

Presidente dos EUA condiciona comércio a investigação sanitária, enquanto México contesta laudo que apontava contaminação e setor agrícola alerta para cortes orçamentários na vigilância.

A declaração do presidente Donald Trump, de que os Estados Unidos poderiam impor uma “grande tarifa” ao México por causa da alface supostamente contaminada, introduz uma nova variável comercial num momento de tensão nas relações bilaterais. A ameaça, feita em tom jocoso a jornalistas no Salão Oval, surge após os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) associarem um surto de ciclosporíase — com 1.947 casos confirmados e até 11.573 possíveis em nove estados — ao consumo de alface americana picada em restaurantes Taco Bell. O episódio ocorre na mesma semana em que a Casa Branca já anunciara tarifas de 50% sobre produtos canadenses, numa escalada que observadores em Washington interpretam como uso de instrumentos comerciais para pressionar parceiros em áreas não estritamente econômicas.

A investigação nos EUA teve reviravoltas. A FDA inicialmente apontou a presença do parasita Cyclospora cayetanensis em amostras de alface iceberg da empresa Taylor Farms, cultivada em Guanajuato, México. Posteriormente, a agência admitiu que o resultado fora um falso positivo e pediu desculpas ao fornecedor. Contudo, manteve a hipótese de que a alface mexicana, pela rastreabilidade, continua sendo o veículo provável. Paralelamente, autoridades sanitárias mexicanas — incluindo a Cofepris e o Senasica — analisaram dez amostras de matéria-prima e produto acabado da mesma planta, além de amostras de água. Todos os exames deram negativo para Cyclospora e coliformes fecais, o que a presidente Claudia Sheinbaum classificou como evidência de que não há, até o momento, comprovação de contaminação de origem mexicana. A própria FDA reconhece que nenhuma amostra positiva foi confirmada em laboratório.

Na Cidade do México, a resposta de Sheinbaum sublinhou a realização de um estudo epidemiológico próprio e o compromisso de divulgar os resultados assim que disponíveis. A declaração busca conter danos a um setor que exporta 97% das 153 mil toneladas anuais de alface para os EUA, com forte presença de produtores em Guanajuato, Zacatecas e Sonora. O Grupo Consultor de Mercados Agrícolas (GCMA) aproveitou o caso para alertar sobre a redução de 26% no orçamento do Senasica entre 2018 e 2026, o que, na sua avaliação, compromete a capacidade de vigilância e resposta rápida. “A sanidade e a inocuidade devem ser consideradas assunto de segurança nacional”, afirmou a entidade, que vê na coordenação binacional, baseada em evidências científicas, o caminho para evitar prejuízos injustificados a exportadores.

Além da alface, Trump mencionou a possibilidade de tarifar também o Canadá devido à fumaça de incêndios florestais que atinge o território americano. A retórica, embora apresentada com risos, alinha-se a um padrão de uso de sanções comerciais como ferramenta de pressão, a exemplo das tarifas de 50% sobre produtos canadenses anunciadas na véspera. Para o México, o próximo marco será a conclusão do estudo epidemiológico encomendado por Sheinbaum, que poderá influenciar a reavaliação da FDA e, no plano diplomático, a continuidade das revisões do T-MEC. Enquanto isso, autoridades estaduais nos EUA investigam fontes alternativas, como coentro e salsa, o que mantém em aberto a cadeia de causalidade do surto.

Divergência das fontes

Economia e Mercados · 10 veículos · 3 idiomas

0%Baixa

Quanto as fontes relatam os mesmos fatos de maneira diferente.

Esta notícia apareceu em

10 veículos · 3 idiomas

Amplie o olhar

De Geopolitics & Politics

Trump ironiza sobre terceiro mandato e ataca imprensa em jantar com correspondentes em Washington

9 idiomas · 32 veículos

De Technology

Musk confessa envolvimento político excessivo, mas mantém defesa do DOGE

3 idiomas · 5 veículos

De Science & Health

Terapias de precisão avançam contra doenças raras na China, Reino Unido e Américas

4 idiomas · 6 veículos

Ler mais