
Trump ameaça o T-MEC com preferência por “não ter acordo”, mas admite possível assinatura
Em Paris, o presidente dos EUA afirmou que o país estaria melhor sem o tratado trilateral, embora tenha deixado a porta aberta a uma renovação, aumentando a incerteza a poucos dias do prazo de revisão.
A poucas semanas do prazo formal para a extensão do acordo comercial entre Estados Unidos, México e Canadá, Donald Trump voltou a semear incerteza sobre o futuro do tratado. Em declarações aos jornalistas no aeroporto de Paris, após a cimeira do G7, o presidente norte-americano afirmou que “preferiria não ter o acordo”, embora tenha admitido que “é possível que o assine”. A ambiguidade das suas palavras — “preferiria que fosse terminado” e “estamos melhor como país se não tivermos um acordo” — ecoa a retórica protecionista do seu primeiro mandato e coloca os parceiros comerciais em estado de alerta máximo.
O T-MEC, conhecido no Canadá como CUSMA e nos Estados Unidos como USMCA, entrou em vigor em 2020 para substituir o antigo Tratado de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA), que Trump classificou repetidamente como “o pior acordo comercial jamais feito”. A nova arquitetura introduziu uma cláusula de revisão obrigatória ao fim de seis anos: até 1 de julho de 2026, os três países devem notificar se pretendem prolongar o pacto por mais dezasseis anos, até 2042, ou se optam por um regime de revisões anuais que, na prática, manteria o acordo em vigor sob avaliação permanente. O Canadá e o México já enviaram cartas a Washington a manifestar a intenção de renovar por todo o período, mas a administração Trump não tornou pública a sua posição formal.
Na perspetiva de Brasília, a hesitação norte-americana é observada com preocupação, pois a eventual erosão de um bloco comercial na América do Norte pode reconfigurar os fluxos de investimento e pressionar as cadeias de valor que ligam o continente. O México, que tem no T-MEC o pilar da sua estratégia exportadora, vê as declarações de Trump como um sinal contraditório: o presidente diz que o acordo só lhe interessou porque incluía uma “cláusula de saída” inexistente no NAFTA, mas ao mesmo tempo admite que poderá assinar a renovação. Analistas em Lisboa sublinham que esta ambiguidade é uma táctica negocial recorrente de Trump, destinada a extrair concessões, mas que o risco de uma rutura real não pode ser descartado, com consequências para o comércio global que afetariam também economias lusófonas dependentes de exportações para o mercado norte-americano.
O prazo de julho de 2026 funciona como um gatilho: se os EUA não notificarem a extensão, o acordo não caduca automaticamente, mas entra numa fase de revisões anuais que gera instabilidade jurídica para investidores e empresas. Trump sugeriu que o acordo “expira” e que prefere essa via, o que indicia uma vontade de deixar o mecanismo de renovação automática caducar. Contudo, a porta não está fechada — “poderia assiná-lo”, disse —, o que mantém em aberto a possibilidade de uma renegociação mais ampla, eventualmente com novas exigências americanas em matéria de regras de origem, comércio digital ou acesso a mercados agrícolas.
A incerteza atual reflete um padrão mais vasto de política comercial errática por parte de Washington, que afeta não só os vizinhos continentais mas também parceiros transatlânticos e do Sul Global. Para o Canadá e o México, o desafio imediato é interpretar as mensagens contraditórias e preparar cenários de contingência, enquanto o relógio avança para uma data que pode redefinir a integração económica da América do Norte. A comunidade internacional, incluindo os países de língua portuguesa com laços comerciais atlânticos, acompanha com apreensão um processo que testa os limites da diplomacia económica e a previsibilidade das regras do comércio global.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
2 grupos editoriais · 3 idiomas
A imprensa anglófona relata as declarações contraditórias de Trump sobre o CUSMA, notando sua preferência por encerrar o acordo, mas deixando a porta aberta para assiná-lo. Destaca o prazo de 1º de julho e o fato de que Canadá e México já solicitaram uma extensão de 16 anos, enquanto os EUA permanecem indecisos. O tom é cético, mas pragmático, focado na incerteza para o comércio norte-americano.
Os veículos latino-americanos enfatizam a insistência de Trump de que os EUA estariam melhor sem o T-MEC, ao mesmo tempo que notam ironicamente sua disposição em assinar. Sublinham o desequilíbrio de poder, citando a fala de Trump de que Canadá e México precisam mais dos EUA do que o contrário. A cobertura reflete preocupação e ceticismo sobre o futuro do acordo trilateral, com um toque de resignação.
Artigos relacionados
Inglaterra vence Croácia por 4-2 em estreia eletrizante na Copa do Mundo de 2026
7 idiomas · 26 veículos
EsporteGana vence Panamá nos acréscimos e arranca com triunfo dramático no Mundial 2026
7 idiomas · 23 veículos
EsporteColômbia vence Uzbequistão na estreia do Mundial com show de Luis Díaz
6 idiomas · 26 veículos