
Trump ameaça destruir pontes e centrais elétricas no Irão por cada ataque a navios no Estreito de Ormuz
Aviso foi emitido na rede Truth Social e abrange alvos na capital Teerão, numa altura em que os EUA conduzem o 11.º dia consecutivo de ataques aéreos contra o Irão e o conflito se alastra a outras rotas marítimas.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou na quarta-feira que as forças norte-americanas irão «bombardear e destruir uma ponte ou uma central elétrica» no Irão, incluindo instalações próximas ou dentro de Teerão, por cada disparo contra navios no Estreito de Ormuz. A ameaça, difundida na rede Truth Social, aplica-se a qualquer ataque com mísseis, rockets, drones ou outras armas e surge após onze noites consecutivas de operações aéreas dos EUA contra alvos militares iranianos, numa guerra iniciada a 28 de fevereiro e que já custou 37,5 mil milhões de dólares a Washington, segundo o Pentágono.
Na perspetiva de Teerão, a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Esmaeil Baqaei, afirmou que as ameaças contra infraestruturas civis «violam o direito internacional», enquanto o comando militar Khatam Al-Anbiya advertiu que um eventual ataque ao complexo subterrâneo de Kolang (designado por Trump como «Pickaxe Mountain») seria considerado «uma expansão da guerra» e respondido contra todos os interesses dos EUA e aliados. A diplomacia iraniana sustenta que as trocas de mensagens com Washington através de mediadores prosseguem, mas o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, considerou que o Irão «não parece estar a levar a sério» as negociações, durante uma reunião da ASEAN em Manila.
O Estreito de Ormuz, por onde transitava um quinto do petróleo e gás comercializados globalmente em tempo de paz, tornou-se o epicentro do conflito. A Guarda Revolucionária iraniana reimpôs o bloqueio e disparou contra embarcações que tentam atravessar a via, enquanto os EUA retaliaram com ataques a centros de comando, hangares e infraestruturas logísticas. A subida do preço do barril de Brent para cerca de 94 dólares e a ameaça dos rebeldes houthis do Iémen, apoiados pelo Irão, de bloquear portos sauditas no Mar Vermelho ampliam a pressão sobre as cadeias energéticas mundiais. Em Lisboa, analistas do setor energético notam que a instabilidade nas duas rotas pode agravar a inflação nos países importadores, incluindo os da África lusófona dependentes de combustíveis refinados.
O recrudescer das hostilidades ocorre após o colapso de um cessar-fogo preliminar assinado em junho, que previa a reabertura gradual do estreito. A administração Trump aprovou entretanto um acordo de cooperação nuclear com a Arábia Saudita que permite o enriquecimento de urânio sem o protocolo adicional da AIEA, o que, segundo diplomatas em Viena, poderá complicar os esforços para conter a dimensão nuclear da crise. O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica, Rafael Grossi, afirmou que os inspetores «já deveriam estar» no Irão para verificar o arsenal de urânio enriquecido. Com as eleições intercalares norte-americanas no horizonte e o custo dos combustíveis a subir, a pressão interna sobre Trump para encontrar uma saída negociada intensifica-se, mas o presidente insiste que «ainda não acabámos».
| Imprensa iraniana e afins | −0.80 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa atlântica / anglosfera | 0.00 | neutral |
| Imprensa russa e CEI | −0.50 | critical |
| Imprensa do Golfo árabe | −0.70 | critical |
O Irã descarta as ameaças americanas como propaganda e demonstra sua própria resiliência.
Ao enquadrar a ameaça como um sinal de fraqueza dos EUA, a narrativa inverte a dinâmica de poder, fazendo os EUA parecerem desesperados e o Irã no controle.
Omite o contexto dos ataques iranianos a navios que provocaram a ameaça.
Os Estados Unidos mantêm uma postura firme, mas abertos ao diálogo.
Ao equilibrar a ameaça com menções de aberturas diplomáticas e custos de guerra, a narrativa apresenta os EUA como fortes e razoáveis, evitando uma imagem puramente agressiva.
Omite as preocupações legais sobre atacar infraestrutura civil, que poderia ser considerado um crime de guerra.
A Rússia denuncia a agressão americana e adverte sobre as consequências.
Ao enquadrar a ameaça dos EUA como agressão e destacar o perigo para civis, a narrativa moraliza o conflito e posiciona a Rússia como um ator global responsável.
Omite a perspectiva americana de autodefesa e o fato de que o Irã iniciou os ataques a navios.
Os países do Golfo advertem contra a ilegalidade das ameaças americanas e pedem moderação.
Ao invocar o direito internacional e o conceito de crimes de guerra, a narrativa deslegitima a ameaça dos EUA e posiciona os países do Golfo como defensores das normas legais.
Omite o contexto dos ataques iranianos a navios e a perspectiva americana de dissuasão.
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