
Trump adverte que Irã 'deixará de existir' se EUA retomarem guerra
Ataques recíprocos no Estreito de Ormuz, com ameaça explícita de Trump e resposta iraniana contra bases dos EUA no Kuwait e Bahrein, agravam crise que põe em risco o cessar-fogo mediado há duas semanas.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no sábado que o Irã "deixará de existir" caso Washington se veja forçado a completar militarmente a missão iniciada, depois de uma nova série de ataques aéreos americanos contra alvos iranianos e da resposta com mísseis e drones da Guarda Revolucionária contra bases dos EUA no Kuwait e no Bahrein. A troca de golpes, confirmada por comandos militares de ambos os lados, intensifica a pressão sobre o frágil acordo de cessar-fogo assinado há menos de duas semanas, com mediação do Paquistão, Catar e outros países da região.
Segundo o Comando Central dos EUA (Centcom), os bombardeamentos visaram infraestruturas de mísseis, drones, radares costeiros e capacidade de minagem naval iraniana, em retaliação ao ataque com drone suicida contra o petroleiro de bandeira panamenha M/T Kiko, carregado com dois milhões de barris de petróleo bruto, nas imediações do Estreito de Ormuz. Já o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (IRGC) declarou ter alvejado "posições militares americanas" no Kuwait e no Bahrein com mísseis balísticos e drones, classificando a ação como resposta às agressões dos EUA contra o Irã. Autoridades kuwaitianas e baremitas confirmaram o acionamento de defesas aéreas e sirenes; fontes militares americanas indicaram não ter havido baixas ou danos significativos nas suas instalações.
De acordo com análises de observadores em Lisboa e Brasília, o epicentro das tensões reside no controlo da navegação no Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um quinto do petróleo e gás natural liquefeito mundiais. A divergência sobre as rotas de passagem — Washington promove um corredor sul ao longo da costa de Omã, enquanto Teerã insiste numa rota setentrional sob seu controlo, com eventual cobrança de taxas — constitui o principal obstáculo à consolidação da trégua. A reabertura gradual da via marítima, após meses de interrupção, já permitira o escoamento de centenas de navios retidos e contribuíra para a descida das cotações internacionais, mas os novos ataques reacenderam o risco de disrupção prolongada, com impacto direto nos preços dos combustíveis e na segurança energética de países dependentes de importações, como Portugal e o Brasil.
O Bahrein solicitou ao Conselho de Segurança da ONU uma reunião de emergência, enquanto o Kuwait reportou a interceção de dois mísseis balísticos. A continuidade dos combates no sul do Líbano, onde Israel afirma ter matado membros do Hezbollah e destruído lançadores de foguetes, adiciona complexidade ao cenário, notam diplomatas em Ancara. O memorando de entendimento assinado eletronicamente pelos presidentes Masoud Pezeshkian e Donald Trump previa mecanismos de desescalada, mas a sucessão de acusações mútuas de violação coloca em dúvida a retoma das negociações diretas.
Até ao fecho desta edição, não havia anúncio de novos contactos entre as partes, e as operações militares prosseguiam. A comunidade internacional, em particular os países lusófonos com interesses na estabilidade do Golfo, acompanha com preocupação o risco de colapso definitivo do cessar-fogo. O Conselho de Segurança deverá debater a crise nos próximos dias, enquanto a diplomacia regional tenta evitar que o frágil acordo se desintegre.
| Imprensa iraniana e afins | −0.80 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.50 | critical |
| Imprensa do Golfo árabe | −0.60 | critical |
O Irã denuncia a agressão americana e reivindica seu direito à autodefesa, acusando Washington de sabotar as negociações.
O bloco iraniano constrói credibilidade apresentando o ataque dos EUA como uma violação unilateral do cessar-fogo, citando fontes oficiais iranianas e omitindo provocações iranianas anteriores.
O bloco iraniano omite mencionar os ataques do IRGC contra bases dos EUA no Kuwait e no Bahrein, que desencadearam a resposta americana.
Washington justifica a retaliação como uma resposta proporcional às provocações iranianas, enfatizando o direito à autodefesa e a proteção do comércio internacional.
O bloco atlântico legitima a ação dos EUA ao enquadrá-la como uma resposta defensiva a uma clara violação do cessar-fogo, usando fontes oficiais americanas e destacando a ameaça iraniana à navegação.
O bloco atlântico omite a ameaça de Trump de 'fazer o Irã desaparecer', que precedeu os ataques iranianos, e não relata a versão iraniana dos eventos.
Os países do Golfo expressam alarme com as ambições nucleares do Irã e apoiam a ação dos EUA como necessária para a segurança regional.
O bloco do Golfo Árabe amplifica a ameaça nuclear iraniana ao citar comentários da mídia iraniana pedindo armas nucleares, criando um senso de urgência e legitimando a intervenção dos EUA.
O bloco do Golfo Árabe omite discutir suas próprias vulnerabilidades e a responsabilidade do Irã por ataques diretos a bases no Kuwait e no Bahrein, concentrando-se em vez disso na ameaça nuclear de longo prazo.
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