
Trump admite operação militar em Cuba semelhante à que capturou Maduro na Venezuela
Em entrevista ao site Axios, presidente dos EUA afirmou que ação contra a ilha “pode ser possível” e destacou a proximidade geográfica; secretário de Estado Marco Rubio, de origem cubana, está “muito envolvido” no planeamento.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, admitiu pela primeira vez a possibilidade de uma operação militar contra Cuba, nos moldes da que resultou na captura e remoção do presidente venezuelano Nicolás Maduro em janeiro. Numa entrevista ao portal Axios, divulgada nesta sexta-feira (19/6), Trump respondeu “é possível” quando questionado se uma ação contra Havana poderia seguir o mesmo padrão. Sublinhou que a ilha está “a um passo” dos EUA, contrastando com a longa distância até ao Irão, e que a única diferença relevante é que “a Venezuela tem petróleo, Cuba não”. Garantiu ainda que o secretário de Estado, Marco Rubio – filho de exilados cubanos – está “muito envolvido” no dossiê.
As declarações surgem num momento de crescente pressão de Washington sobre Havana. Desde o início do ano, a administração Trump impôs tarifas a países fornecedores de petróleo a Cuba e declarou estado de emergência, alegando ameaça à segurança nacional. A ilha acusa os EUA de “asfixiar” a sua economia através de um embargo energético que agravou a escassez de combustível, afetando a eletricidade, transportes e saúde. A par disso, em maio, o Departamento de Justiça acusou o antigo presidente Raúl Castro e cinco militares pelo abate de duas aeronaves ligadas a um grupo de exilados em 1996 – acusação que Havana classifica como “provocação política”. Em resposta à asfixia económica, o governo cubano aprovou na semana passada, em tempo recorde, o maior pacote de reformas estruturais em 15 anos, incluindo a liberalização de setores-chave e a modernização do sistema financeiro.
Em Washington, a intervenção na Venezuela é apresentada como um modelo de ação rápida e eficaz, e a ilha caribenha, na ótica do Pentágono, reúne condições geográficas que facilitariam uma incursão. Para além de Trump, o chefe do Pentágono, Pete Hegseth, já admitira a hipótese de “sequestro” do presidente Miguel Díaz-Canel, e o diário The New York Times noticiou planos para capturar Raúl Castro. Observadores em Brasília consideram que uma eventual operação unilateral dos EUA em Cuba reabre feridas históricas de ingerência na América Latina e pode tensionar ainda mais as relações com governos da região que defendem o princípio da não intervenção. Em Lisboa, onde a comunidade cubana é expressiva, fontes diplomáticas alertam para o risco de desestabilização de um país já mergulhado numa crise humanitária agravada pelo cerco económico. Nos países africanos de língua portuguesa, como Angola e Moçambique, a presença de missões médicas cubanas gera preocupação sobre os efeitos de um eventual colapso do regime para a cooperação em saúde.
Não foi definido um calendário para qualquer ação militar. Trump assegurou que mantém uma “postura flexível” e afirmou que as autoridades cubanas “querem desesperadamente falar” com Washington. O vice-presidente JD Vance confirmou que já decorrem conversas sobre Cuba, e que a situação económica da ilha é “pior do que a do Irão” após o início da ofensiva norte-americana. O governo de Díaz-Canel, por sua vez, tenta equilibrar as reformas internas com a exigência de diálogo, mas sem ceder a pressões que considerem interferência na soberania. A comunidade internacional aguarda os próximos passos da Casa Branca, enquanto os planos militares continuam a ser preparados pelo Comando Sul.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A ameaça de Trump de uma operação militar em Cuba, comparada à tomada da Venezuela, gerou alarme. Seus comentários sobre a 'bela propriedade' e a costa cubana são vistos como um pretexto colonialista para a intervenção. O bloco vê isso como parte da persistente ambição imperial dos EUA na região.
A mídia russa destaca a admissão de Trump de que uma operação de mudança de regime em Cuba é possível, semelhante ao cenário da Venezuela. A cobertura enfatiza a pressão crescente de Washington, ligando-a à crise energética causada pelo bloqueio naval. Isso é enquadrado como mais um exemplo do unilateralismo agressivo dos EUA.
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