
Cessar-fogo Israel-Hezbollah fracassa em horas e confrontos deixam mortos no sul do Líbano
Apesar do acordo alcançado com mediação dos EUA, Catar e Irão, ataques mútuos resultaram em baixas militares e civis, comprometendo a estabilização do Médio Oriente.
O cessar-fogo anunciado na sexta-feira entre Israel e o grupo xiita Hezbollah, mediado por Estados Unidos, Catar e Irão, foi quebrado poucas horas depois, com uma escalada de ataques que deixou pelo menos cinco soldados israelitas mortos e dez civis libaneses, incluindo uma família de quatro pessoas. O exército israelita confirmou no sábado a morte de um sargento, elevando para cinco o número de militares mortos desde o início da trégua, após quatro soldados terem sido mortos na véspera, num ataque com um objeto contra um tanque. Em resposta, Israel lançou ataques aéreos e com drones contra posições do Hezbollah no sul do Líbano e no vale de Bekaa, enquanto o grupo armado disparou mais de 50 projéteis contra forças israelitas. O Ministério da Saúde libanês elevou para 4.057 o total de mortos desde o início dos combates, em 2 de março.
As posições divergentes evidenciam a fragilidade do acordo. O exército israelita afirmou ter recebido “instruções atualizadas do nível político” para cessar as hostilidades, limitando-se a ações defensivas numa “zona de segurança” no sul libanês, mas responde a qualquer ataque. Já o Hezbollah, considerado organização terrorista por Washington, acusou Israel de tentar expandir a ocupação e reivindicou o direito de “resistência” enquanto tropas israelitas permanecerem em território libanês. O Presidente libanês, Joseph Aoun, manteve contactos com Washington e Doha, sublinhando que os incidentes não devem travar as negociações diretas entre Líbano e Israel, cuja quinta ronda está prevista em breve. “O cessar-fogo abrangente é a porta para discutir a retirada israelita, o destacamento do exército e a troca de prisioneiros”, declarou.
A continuação dos confrontos põe em causa o memorando de entendimento assinado entre EUA e Irão com o objetivo de pôr fim à guerra no Médio Oriente. Segundo fontes regionais, Teerão e o Hezbollah opõem-se às conversações diretas, receando que o resultado final implique o desarmamento do grupo. Em contraste, Beirute procura consolidar a soberania estatal e o cessar-fogo permanente. O impasse resulta num ciclo de violência que já fez 36 mortos nas fileiras israelitas desde março, enquanto o Líbano contabiliza milhares de vítimas, maioritariamente civis. A comunidade internacional, incluindo o Brasil, tradicional defensor do diálogo no Médio Oriente, acompanha com preocupação a situação, sem que se vislumbre uma saída rápida.
A próxima ronda de negociações em Washington afigura-se crucial. O Presidente Aoun instruiu a delegação libanesa a não ceder na exigência de um cessar-fogo integral, considerando-o condição para qualquer avanço. No terreno, porém, a troca de golpes e as mortes aumentam a pressão sobre as diplomacias. Enquanto Israel reforça a presença numa faixa de segurança, e o Hezbollah promete não recuar, o risco de uma escalada mais ampla persiste, desafiando o frágil equilíbrio regional.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Iranian media highlight Israeli losses in southern Lebanon, portraying Hezbollah's resistance as inflicting deadly blows. The rising enemy soldier toll is framed as evidence of Israel's military fragility. The narrative is overtly partisan, with tones of revenge and celebration of tactical victories.
Continental European media condemn Israeli strikes in Lebanon hours after a ceasefire announcement, reporting over 10 civilian deaths. The credibility of the truce is questioned as lethal escalation continues. The tone is critical of Israel, focusing on humanitarian suffering and the urgency of de-escalation.
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