
Vance viaja à Suíça para negociar tréguas no Líbano e acordo nuclear com o Irão
JD Vance encontra representantes iranianos na Suíça para debater tréguas no Líbano e programa nuclear, enquanto tensões no Estreito de Ormuz e no sul do Líbano marcam o pano de fundo.
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, partiu sábado (20) da base aérea de Andrews, em Maryland, com destino a Zurique, para se juntar às negociações com o Irão sobre o programa nuclear e a guerra no Líbano. Em declarações antes do embarque, Vance afirmou esperar "progressos em ambas as frentes", assinalando que enviados norte-americanos — Jared Kushner e Steve Witkoff — já se encontravam no local a tratar de aspetos técnicos. A delegação iraniana, liderada pelo presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, e que inclui o ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, aterrou em Zurique no mesmo dia, segundo imagens divulgadas pela televisão estatal.
As conversações decorrem no resort suíço de Bürgenstock, enquadradas num memorando de entendimento assinado digitalmente pelo presidente Donald Trump e pelo homólogo iraniano, Massoud Pezeshkian. O documento, contestado no Congresso norte-americano mas defendido pela Casa Branca, visa travar a escalada militar no Médio Oriente e criar condições para um acordo sobre o enriquecimento de urânio. Doha e Islamabad atuam como mediadores: o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, e o chefe do Estado-Maior, Asim Munir, viajaram para a Suíça, enquanto o Catar envia representantes para facilitar o diálogo.
A agenda imediata é dominada pela ameaça de encerramento do Estreito de Ormuz, agitada pelo Corpo de Guardas Revolucionários em represália pelos bombardeamentos israelitas no sul do Líbano. Vance assegurou que a via marítima permanece aberta e que 16 milhões de barris de petróleo atravessaram o estreito na véspera, um recorde. Apesar da retórica, a diplomacia iraniana sublinhou que a viagem visa "assegurar o cumprimento das obrigações da contraparte americana" e advertiu que a não implementação dos compromissos porá em risco o entendimento global. Em paralelo, o exército israelita reportou a morte de cinco soldados em duas operações atribuídas ao Hezbollah, enquanto o governo de Beirute denuncia a interferência estrangeira.
Na perspetiva de Washington, a presença de Vance eleva o nível político das conversações e sinaliza "disposição para resultados", segundo fontes da administração. O vice-presidente insistiu que os Estados Unidos detêm "todas as cartas", citando a abertura dos estreitos e a destruição dos stocks iranianos de materiais enriquecidos, mas acrescentou que sanções económicas serão aliviadas apenas mediante mudanças de comportamento. Analistas ocidentais apontam que a ronda técnica, prevista para domingo, poderá destravar negociações nucleares de 60 dias, ainda que a volatilidade no terreno libanês e as divergências sobre a retirada israelita constituam obstáculos concretos.
As conversações estão sujeitas a confirmações de última hora, mas o Ministério dos Negócios Estrangeiros suíço confirmou a presença de diplomatas de vários países em Bürgenstock, e o anúncio paquistanês de que as "negociações de nível técnico" arrancarão no domingo indica que o processo diplomático está em marcha.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Iranian media frame Vance's trip as a diplomatic win for Tehran, emphasizing that talks are progressing well and Iran is in control. They highlight the presence of top Iranian officials and confidence in maintaining the Lebanon ceasefire. The tone is pragmatic, with guarded optimism about US intentions.
Atlantic press in Persian reports Vance's departure to Zurich in a measured tone, focusing on hopes for progress on nuclear and Lebanon issues. It notes that talks are technical and that special envoy Witkoff is already on the ground. The approach is detached and factual, without emotional emphasis.
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