
Trump admite mísseis iranianos, mas Teerão recusa negociá-los
Presidente dos EUA considera aceitável que o Irão mantenha capacidade balística, enquanto o regime iraniano insiste que o programa não é negociável, gerando incerteza sobre o acordo de paz.
A assinatura de um memorando de entendimento entre Washington e Teerão, que pôs fim a um conflito regional iniciado em fevereiro, trouxe à superfície uma divergência profunda sobre o programa de mísseis balísticos do Irão. Donald Trump afirmou em Paris, à margem da cimeira do G7, que seria injusto privar o Irão de armamento que os seus vizinhos possuem, citando a Arábia Saudita e o Qatar como exemplos. A declaração representa um golpe para Israel, que há anos exige o desmantelamento total dessa capacidade iraniana, e contrasta com a posição inflexível de Teerão.
O memorando, assinado na quinta-feira por Trump e pelo presidente iraniano Masoud Pezeshkian, estabelece as bases para negociações sobre o programa nuclear e o alívio de sanções económicas, mas é omisso quanto aos mísseis balísticos. O acordo pôs fim a uma guerra que eclodira a 28 de fevereiro com ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra alvos iranianos. Apesar do cessar-fogo, a questão dos mísseis permanece como um obstáculo central, com Teerão a recusar qualquer discussão sobre o tema.
O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmaeil Baghaei, foi categórico: “Os nossos mísseis não gostam de ser discutidos por ninguém. São apenas para disparar, não para negociar.” A declaração, transmitida pela televisão estatal, sublinha que as capacidades defensivas do Irão não serão incluídas em nenhum processo diplomático. Observadores em Teerão interpretam esta firmeza como um sinal de que o regime mantém a dissuasão convencional como pilar estratégico, independentemente dos avanços nas conversações nucleares.
A posição de Trump, porém, introduz uma nuance inesperada. Ao considerar “relativamente justo” que o Irão disponha de mísseis balísticos, o presidente norte-americano parece afastar-se da linha tradicional de Washington e de Telavive. Analistas em Israel receiam que esta aparente condescendência enfraqueça a pressão sobre o programa de mísseis, que Teerão continua a aperfeiçoar. Em Brasília e Lisboa, diplomatas acompanham o processo com cautela: a estabilidade do Médio Oriente tem reflexos diretos nos mercados energéticos globais, e uma paz frágil que ignore arsenais convencionais pode gerar novas crises.
O futuro do entendimento depende agora da capacidade de Washington e Teerão de isolar o programa de mísseis das conversações nucleares. Se a administração Trump aceitar tacitamente a exigência iraniana, Israel poderá ver-se isolado numa questão que considera existencial. Para os países lusófonos, a prioridade é garantir que o alívio de sanções não desbloqueie recursos para uma corrida armamentista regional, mas sim para a estabilização económica e a cooperação energética. A próxima ronda de negociações testará os limites desta paz recém-costurada.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Trump agora diz que o Irã deveria ter mísseis balísticos, revertendo sua postura linha-dura anterior. Essa guinada é vista como uma jogada pragmática para avançar as negociações, mas levantou dúvidas sobre a consistência da política dos EUA.
Trump aceitou que o Irã mantenha seus mísseis balísticos, deixando Israel frustrado e 'roendo as unhas'. Teerã afirma categoricamente que seus mísseis são apenas para disparar e jamais serão negociados, retratando o acordo como uma vitória para sua soberania defensiva.
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