
Trégua entre EUA e Irão derruba dólar e petróleo e reanima mercados globais
O anúncio de um memorando de entendimento para pôr fim à guerra, suspender o bloqueio naval e reabrir o Estreito de Ormuz fez o Brent cair abaixo dos 84 dólares e impulsionou as bolsas asiáticas, mas o destino do programa nuclear iraniano mantém a cautela.
O dólar recuou para o patamar mais baixo em dez dias face às principais divisas e o petróleo Brent afundou mais de 5% esta segunda-feira, depois de Washington e Teerão terem confirmado um acordo preliminar para encerrar o conflito militar que estrangulava o fornecimento global de energia. A notícia de que o memorando de entendimento será formalmente assinado na próxima sexta-feira, na Suíça, e inclui o fim do bloqueio norte-americano aos portos iranianos e a reabertura do Estreito de Ormuz — por onde transita cerca de um quinto do petróleo mundial — desencadeou uma vaga de alívio nos mercados. O presidente Donald Trump reforçou o otimismo ao escrever na rede Truth Social: “Navios do mundo, liguem os motores. Deixem o petróleo fluir!”, enquanto as bolsas asiáticas registavam ganhos expressivos e o índice Ibovespa se preparava para abrir em alta.
A inversão de tendência é abrupta. Durante semanas, a escalada militar entre os dois países alimentou o preço do barril e fortaleceu o dólar como ativo-refúgio. Agora, a simples assinatura de um memorando — ainda sem detalhes técnicos revelados e com o dossier nuclear remetido para negociações posteriores — bastou para desencadear uma corrida a ativos de maior risco. Contudo, analistas em Lisboa sublinham que a euforia está temperada pela prudência: o acordo é um esboço, não um tratado definitivo, e o historial de tensões no Golfo Pérsico recomenda vigilância. A reabertura efetiva do Estreito de Ormuz e o levantamento do bloqueio são passos concretos, mas a questão do programa nuclear iraniano permanece como o verdadeiro teste à durabilidade desta paz.
Na perspetiva de Brasília, a queda do dólar para a faixa dos R$5,04 e a perspetiva de um barril mais barato trazem um duplo alívio: reduzem a pressão inflacionista sobre os combustíveis e alargam a margem de manobra do banco central. O Ibovespa, que iniciou a sessão em território positivo, reflete a expectativa de um ciclo de menor aversão ao risco nos mercados emergentes. Já em Luanda e Maputo, a descida abrupta do Brent gera sentimentos contraditórios. Angola e Moçambique, exportadores de crude, veem as suas receitas fiscais ameaçadas se a cotação se mantiver abaixo dos 84 dólares, o que pode complicar a execução orçamental. Em contrapartida, a normalização das rotas marítimas e a redução dos custos de importação de derivados beneficiam as economias lusófonas africanas, fortemente dependentes de combustíveis refinados.
O desfecho da assinatura de sexta-feira na Suíça será determinante. Se o memorando se converter num cessar-fogo duradouro e destravar o fluxo de petróleo, os mercados poderão consolidar um novo ciclo de apetite pelo risco, com o euro a fortalecer-se e as moedas emergentes a respirarem. Mas observadores em Lisboa alertam que a ausência de um compromisso vinculativo sobre o programa nuclear iraniano mantém aceso o rastilho de uma nova crise. Qualquer percalço nas negociações complementares pode reacender a volatilidade e devolver o dólar ao seu papel de porto seguro. Por ora, o mundo financeiro escolheu apostar na paz, mas fá-lo com os olhos postos nos pormenores que ainda faltam.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O dólar caiu para a mínima de dez dias após Washington e Teerã acertarem um quadro de paz, derrubando os preços do petróleo e estimulando o apetite por risco. O memorando será assinado na sexta-feira na Suíça, mas a cautela persiste quanto a detalhes não resolvidos, como o programa nuclear iraniano.
O dólar enfraqueceu para a mínima de dez dias, trazendo alívio aos mercados financeiros após o anúncio de um acordo de paz preliminar entre EUA e Irã. Os preços do petróleo caíram e os investidores migraram para ativos de maior risco; a assinatura formal é esperada na sexta-feira na Suíça, mas o conteúdo exato permanece desconhecido.
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