
Indústria dos EUA e zona do euro patinam em maio, enquanto balança comercial europeia vira deficitária
Produção industrial americana e europeia cresce abaixo do esperado, e zona do euro registra déficit comercial de 1 bilhão de euros em abril, refletindo choques energéticos e desaceleração global.
A atividade industrial nos Estados Unidos deu sinais de arrefecimento em maio, ao avançar apenas 0,1% em relação ao mês anterior, frustrando analistas que projetavam alta de 0,3%. O dado, divulgado pela Reserva Federal, veio acompanhado de uma estagnação no setor manufatureiro — que responde por 78% da produção total — enquanto a mineração cresceu 1,3% e os serviços essenciais recuaram 0,4%. A utilização da capacidade instalada subiu marginalmente para 72,6%, mas permanece em patamar historicamente baixo. Em Washington, interpreta-se a moderação como reflexo do aperto monetário prolongado e da incerteza sobre a política comercial, que inibem novos investimentos.
Do outro lado do Atlântico, a zona do euro viu a sua balança comercial de bens mergulhar num défice de mil milhões de euros em abril, uma deterioração de 9,7 mil milhões face ao superávit de 8,7 mil milhões registado no mesmo mês de 2025. As exportações do bloco cresceram 5% em termos anuais, para 255,4 mil milhões de euros, mas as importações dispararam 9,3%, pressionadas sobretudo pela fatura energética e pela redução do excedente em máquinas e veículos. Em termos ajustados sazonalmente, o saldo foi positivo em 1,3 mil milhões de euros, uma melhoria face aos 600 milhões revistos de março, mas ainda frágil. Observadores em Bruxelas notam que a escalada dos custos energéticos, agravada pelo conflito no Médio Oriente, está a comprimir a competitividade externa da região.
A produção industrial da zona do euro confirmou o arrefecimento ao subir apenas 0,1% em abril na comparação mensal, abaixo dos 0,2% antecipados pelo mercado. Embora a alta de março tenha sido revista para 0,4%, o impulso parece efémero: a antecipação de encomendas por receio de escassez e aumentos de preços deu lugar a um cenário de enfraquecimento da atividade no segundo trimestre. Na base anual, o avanço foi de 0,3%, insuficiente para compensar a perda de dinamismo. Para economias lusófonas como Portugal, cujas exportações dependem da procura intraeuropeia, a desaceleração industrial no bloco acende alertas sobre o crescimento no segundo semestre.
Na Rússia, o excedente da conta corrente encolheu 4,3% no primeiro quadrimestre de 2026, para 20,1 mil milhões de dólares, pressionado pelo aumento do défice na balança de serviços. Em abril, o saldo positivo foi de 6,7 mil milhões, uma queda de 37,4% face a março, mas ainda 2,6 vezes superior ao registado em abril de 2025. Analistas em Moscovo atribuem a volatilidade às sanções ocidentais e à reorientação forçada dos fluxos comerciais, que encarecem as importações de serviços. O quadro global, com a indústria a perder fôlego nos dois lados do Atlântico e desequilíbrios comerciais a acentuarem-se, sugere um segundo semestre de crescimento moderado, com riscos assimétricos para os mercados emergentes, incluindo os de língua portuguesa, que podem enfrentar menor procura externa e custos de financiamento ainda elevados.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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As exportações italianas cresceram 8,8% em termos anuais em abril, com um salto de 12% para mercados extra-UE, sinalizando uma demanda externa robusta. Apesar de uma queda mensal, o desempenho anual destaca a força comercial do país em meio a um cenário industrial global frágil.
A zona do euro registrou um déficit comercial de 1 bilhão de euros em abril, uma reversão acentuada em relação ao superávit do ano anterior, com importações saltando 9,3%. A produção industrial avançou apenas 0,1%, abaixo das expectativas, e o ganho modesto foi atribuído a encomendas antecipadas devido aos riscos do conflito no Oriente Médio, expondo o equilíbrio frágil do bloco.
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