
Senado dos EUA rejeita nova tentativa de limitar poderes de guerra de Trump contra o Irão
Com um voto de diferença, a câmara alta travou a resolução democrata, enquanto um memorando de entendimento entre Washington e Teerão começa a ganhar forma.
O Senado norte-americano bloqueou esta terça-feira, por 48 votos contra 47, a mais recente iniciativa democrata para restringir a autoridade militar do presidente Donald Trump em relação ao Irão. A resolução, apresentada pelo senador Raphael Warnock, exigia que o comandante-em-chefe retirasse as forças armadas de hostilidades não autorizadas pelo Congresso. A margem mínima revela um Senado profundamente dividido: quatro republicanos — Susan Collins, Bill Cassidy, Lisa Murkowski e Rand Paul — alinharam com quase todos os democratas, enquanto o democrata John Fetterman se juntou à maioria republicana para travar o texto.
A votação ocorre num momento de viragem diplomática. Na segunda-feira, Trump, o vice-presidente JD Vance e o presidente do parlamento iraniano assinaram um memorando de entendimento que concede 60 dias para negociar um acordo de cessar-fogo e pôr fim a um conflito que dura desde fevereiro, quando Israel e os Estados Unidos lançaram ataques aéreos contra a República Islâmica. Observadores em Teerão, citados pela imprensa persa, sublinham que o quadro preliminar foi recebido com ceticismo tanto no Majlis como no Senado americano, onde legisladores de ambos os partidos exigem acesso aos detalhes do pacto antes do prazo para a assinatura, na próxima sexta-feira.
A nona tentativa democrata de invocar a Lei de Poderes de Guerra expõe uma tensão constitucional que ecoa muito além de Washington. Na perspetiva de Brasília, o impasse recorda os debates sobre o equilíbrio entre Executivo e Legislativo na autorização de intervenções militares, tema sensível para uma potência média com aspirações globais. Em Lisboa, analistas notam que a União Europeia acompanha com apreensão a possibilidade de um acordo que pode reconfigurar a arquitetura de segurança do Médio Oriente, com impacto direto nos fluxos energéticos e na estabilidade do Mediterrâneo alargado.
A divisão partidária não é monolítica. O voto de Fetterman, único democrata a opor-se, e o apoio dos quatro republicanos dissidentes mostram que a questão da supervisão legislativa da guerra transcende as linhas partidárias. A administração Trump sustenta que o presidente dispõe de ampla margem de manobra, enquanto senadores como Tim Kaine argumentam que o possível acordo representa apenas um “intervalo” nos combates, e não uma paz duradoura. Republicanos como John Kennedy e Bill Cassidy já avisaram que qualquer tratado final deve ser submetido ao Senado, invocando a Lei de Revisão do Acordo Nuclear com o Irão, de 2015, que obriga o escrutínio parlamentar de pactos relacionados com o programa nuclear iraniano.
O desfecho imediato mantém as mãos de Trump livres para continuar a pressionar Teerão, mas a exigência de transparência cresce. Para os países lusófonos com interesses no Golfo — de Angola, atenta à volatilidade do preço do petróleo, a Portugal, com a sua diáspora e laços históricos na região —, a incerteza sobre o conteúdo do memorando é um fator de risco. Se o acordo-quadro evoluir para um tratado formal, o papel do Senado será inevitável, e a coligação bipartidária que hoje ficou a um voto da vitória poderá voltar a testar os limites do poder presidencial.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O Senado dos EUA rejeitou por um voto uma resolução que limitaria os poderes militares de Trump sobre o Irã. Com 48 votos contra e 47 a favor, o presidente mantém a autoridade para conduzir operações militares sem aprovação do Congresso.
O Senado bloqueou por margem estreita uma resolução democrata para limitar os poderes de guerra de Trump no Irã, 48 a 47. A votação coincidiu com o anúncio pela Casa Branca de um acordo-quadro com Teerã, intensificando os pedidos por supervisão do Congresso e detalhes do acordo.
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