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Sociedade & Culturasegunda-feira, 6 de julho de 2026

Línguas de ouro e anéis indianos: o que as novas descobertas arqueológicas revelam sobre rotas antigas

De sarcófagos selados no Egito a uma gruta repleta de pérolas raras no Vietname, uma série de achados recentes ilumina os intercâmbios culturais e comerciais que ligavam o Mediterrâneo ao Sudeste Asiático há dois milénios.

No interior de um túmulo escavado na rocha, a cerca de cem quilómetros a oeste de Alexandria, os arqueólogos encontraram pequenas lâminas de ouro pousadas sobre as bocas dos defuntos. Eram as chamadas “línguas de ouro”, depositadas ali há quase dois mil anos para que os mortos pudessem falar no além. A cena, descrita pela missão egípcia que trabalha no sítio de Marina el-Alamein, repetiu-se em vários dos 18 sepulcros agora revelados, incluindo um sarcófago de granito com 2,5 metros de comprimento que permaneceu selado desde a época greco-romana. Ao seu lado, os restos de uma esfinge de gesso sugeriam a riqueza ritual de uma cidade portuária que, segundo os investigadores, corresponde à antiga Lucápsis.

O anúncio destes achados, feito pelo Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito, coincidiu com a divulgação de outras descobertas que, em conjunto, desenham um mapa de contactos transcontinentais. No oásis de Dakhla, no deserto ocidental egípcio, uma equipa chefiada por Mahmoud Massoud expôs os alicerces de uma cidade bizantina do século IV, com uma igreja basilical, torres defensivas e a casa de um diácono chamado Tisous, que terá funcionado como igreja doméstica antes da construção do templo principal. Foram ainda recolhidos cerca de 200 óstraca – fragmentos de cerâmica com anotações comerciais e correspondência quotidiana em copta e grego – e um conjunto de moedas de ouro do reinado de Constâncio II. Observadores no Cairo sublinham que a preservação do urbanismo e da cultura material da época tardorromana reforça a imagem do Egito como ponto de encontro entre o mundo mediterrânico e as rotas africanas.

A milhares de quilómetros dali, na província tailandesa de Phetchaburi, duas argolas de ouro com cerca de dois mil anos emergiram junto a ossadas humanas no sítio de Don Yai Thong. Uma delas exibe uma inscrição em escrita brami, “pusarakhitasa”, que os especialistas interpretam como “o protegido por Pushya”, um signo auspicioso da astrologia indiana. A outra é um aro liso, sem adornos. Para os arqueólogos do Departamento de Belas Artes da Tailândia, o conjunto pertenceu provavelmente a um mercador da casta vaixá, a terceira na hierarquia social hindu, e constitui um testemunho tangível das ligações comerciais entre o subcontinente indiano e o Sudeste Asiático continental durante a Idade do Ferro. Analistas em Banguecoque notam que a descoberta, somada a achados anteriores de tambores de bronze na mesma zona, acelera a revisão do papel da região nas redes de troca da Antiguidade.

Ainda no Sudeste Asiático, mas num registo natural, uma equipa de espeleologia revelou a gruta Thang, no Parque Nacional de Phong Nha-Ke Bang, no Vietname. Com três quilómetros de extensão e salões que chegam a ultrapassar os cem metros de largura, a cavidade impressiona pela concentração invulgar de “pérolas de caverna” – concreções esféricas de calcite formadas ao longo de milénios em pequenas bacias de água. A empresa Jungle Boss, que participou no reconhecimento, descreveu o fenómeno como raro mesmo para exploradores experientes, e as autoridades vietnamitas já aprovaram a inclusão da gruta num novo circuito de ecoturismo. A descoberta, segundo observadores em Hanói, pode ampliar a atratividade de um parque já classificado pela UNESCO como Património Mundial.

Enquanto os governos locais preparam a divulgação pública destes sítios – a escavação tailandesa foi acelerada para proteger os objetos das chuvas sazonais, e o Egito aposta no turismo arqueológico para aliviar a crise de liquidez –, uma inscrição em aramaico decifrada no castelo de Zerzevan, na Turquia, recorda que as transições entre mundos também foram espirituais. Gravada à entrada de um templo subterrâneo de Mitra, a frase menciona simultaneamente a divindade persa e Jesus Cristo, selando simbolicamente o fecho do santuário pelos cristãos do século IV. A poucos metros dali, uma cruz esculpida na pedra permanece como a última palavra de um diálogo entre crenças que, tal como as línguas de ouro depositadas nos túmulos egípcios, continua a falar através dos séculos.

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The discoveries in Egypt and Thailand show the richness of the past.

Mecanismopragmatismo

By presenting two distinct discoveries as part of the same season, a picture of archaeological continuity is created.

Omissão

It does not mention the cave discovery in Vietnam, which is covered by the Southeast Asian bloc.

DistanciamentoPragmatismo
Imprensa indiana e sul-asiática+0.20
Voz

The two Indian gold rings discovered in Thailand testify to the cultural influence of ancient India.

Mecanismoriproiezione

By emphasizing the Indian origin of the rings, the historical role of India in the region is reaffirmed.

Omissão

It does not mention the discoveries in Egypt or the cave in Vietnam.

TriunfoPragmatismo
Imprensa do Sudeste Asiático0.00
Voz

The Thang cave in Vietnam, with its rare cave pearls, is a geological wonder.

Mecanismoscoperta locale

By focusing on a local discovery, the natural heritage of Vietnam is highlighted.

Omissão

It does not mention the gold rings in Thailand or the Egyptian tombs.

DistanciamentoPragmatismo

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Línguas de ouro e anéis indianos: o que as novas descobertas arqueológicas revelam sobre rotas antigas

De sarcófagos selados no Egito a uma gruta repleta de pérolas raras no Vietname, uma série de achados recentes ilumina os intercâmbios culturais e comerciais que ligavam o Mediterrâneo ao Sudeste Asiático há dois milénios.

No interior de um túmulo escavado na rocha, a cerca de cem quilómetros a oeste de Alexandria, os arqueólogos encontraram pequenas lâminas de ouro pousadas sobre as bocas dos defuntos. Eram as chamadas “línguas de ouro”, depositadas ali há quase dois mil anos para que os mortos pudessem falar no além. A cena, descrita pela missão egípcia que trabalha no sítio de Marina el-Alamein, repetiu-se em vários dos 18 sepulcros agora revelados, incluindo um sarcófago de granito com 2,5 metros de comprimento que permaneceu selado desde a época greco-romana. Ao seu lado, os restos de uma esfinge de gesso sugeriam a riqueza ritual de uma cidade portuária que, segundo os investigadores, corresponde à antiga Lucápsis.

O anúncio destes achados, feito pelo Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito, coincidiu com a divulgação de outras descobertas que, em conjunto, desenham um mapa de contactos transcontinentais. No oásis de Dakhla, no deserto ocidental egípcio, uma equipa chefiada por Mahmoud Massoud expôs os alicerces de uma cidade bizantina do século IV, com uma igreja basilical, torres defensivas e a casa de um diácono chamado Tisous, que terá funcionado como igreja doméstica antes da construção do templo principal. Foram ainda recolhidos cerca de 200 óstraca – fragmentos de cerâmica com anotações comerciais e correspondência quotidiana em copta e grego – e um conjunto de moedas de ouro do reinado de Constâncio II. Observadores no Cairo sublinham que a preservação do urbanismo e da cultura material da época tardorromana reforça a imagem do Egito como ponto de encontro entre o mundo mediterrânico e as rotas africanas.

A milhares de quilómetros dali, na província tailandesa de Phetchaburi, duas argolas de ouro com cerca de dois mil anos emergiram junto a ossadas humanas no sítio de Don Yai Thong. Uma delas exibe uma inscrição em escrita brami, “pusarakhitasa”, que os especialistas interpretam como “o protegido por Pushya”, um signo auspicioso da astrologia indiana. A outra é um aro liso, sem adornos. Para os arqueólogos do Departamento de Belas Artes da Tailândia, o conjunto pertenceu provavelmente a um mercador da casta vaixá, a terceira na hierarquia social hindu, e constitui um testemunho tangível das ligações comerciais entre o subcontinente indiano e o Sudeste Asiático continental durante a Idade do Ferro. Analistas em Banguecoque notam que a descoberta, somada a achados anteriores de tambores de bronze na mesma zona, acelera a revisão do papel da região nas redes de troca da Antiguidade.

Ainda no Sudeste Asiático, mas num registo natural, uma equipa de espeleologia revelou a gruta Thang, no Parque Nacional de Phong Nha-Ke Bang, no Vietname. Com três quilómetros de extensão e salões que chegam a ultrapassar os cem metros de largura, a cavidade impressiona pela concentração invulgar de “pérolas de caverna” – concreções esféricas de calcite formadas ao longo de milénios em pequenas bacias de água. A empresa Jungle Boss, que participou no reconhecimento, descreveu o fenómeno como raro mesmo para exploradores experientes, e as autoridades vietnamitas já aprovaram a inclusão da gruta num novo circuito de ecoturismo. A descoberta, segundo observadores em Hanói, pode ampliar a atratividade de um parque já classificado pela UNESCO como Património Mundial.

Enquanto os governos locais preparam a divulgação pública destes sítios – a escavação tailandesa foi acelerada para proteger os objetos das chuvas sazonais, e o Egito aposta no turismo arqueológico para aliviar a crise de liquidez –, uma inscrição em aramaico decifrada no castelo de Zerzevan, na Turquia, recorda que as transições entre mundos também foram espirituais. Gravada à entrada de um templo subterrâneo de Mitra, a frase menciona simultaneamente a divindade persa e Jesus Cristo, selando simbolicamente o fecho do santuário pelos cristãos do século IV. A poucos metros dali, uma cruz esculpida na pedra permanece como a última palavra de um diálogo entre crenças que, tal como as línguas de ouro depositadas nos túmulos egípcios, continua a falar através dos séculos.

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The Thang cave in Vietnam, with its rare cave pearls, is a geological wonder.

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