
Aumentos de preços da Apple e Microsoft expõem custos da IA e derrubam bolsas globais
Ações de tecnologia lideraram perdas generalizadas após gigantes repassarem alta dos semicondutores ao consumidor, enquanto o adiamento do IPO da OpenAI intensificou o ceticismo sobre o retorno dos investimentos em inteligência artificial.
As bolsas asiáticas registraram quedas acentuadas no final da semana, com o índice Kospi, de Seul, a recuar 5,8% e a acionar um circuit breaker que interrompeu as negociações durante 20 minutos. O movimento alastrou-se a Tóquio, onde o Nikkei 225 cedeu 4,2%, e a Taiwan, com o Taiex a perder 3,66%. Na Europa, o Stoxx 600 recuou 0,67%, enquanto em Nova Iorque o Nasdaq caiu 0,24% na sessão, acumulando uma perda semanal superior a 4,6%. O estopim imediato foi a decisão da Apple de aumentar os preços de MacBooks e iPads, justificada pela subida dos custos de memória e armazenamento, seguida por um anúncio semelhante da Microsoft para as consolas Xbox.
A subida de preços tornou visível um desequilíbrio que analistas em Wall Street e na Europa descrevem como uma indústria de IA em formato de K: as fabricantes de chips, como a Micron, beneficiam de uma procura explosiva que elevou as suas ações, enquanto as empresas que desenvolvem e aplicam os modelos de inteligência artificial enfrentam custos de infraestrutura cada vez mais pesados, sem retorno imediato. A este cenário somou-se a notícia, divulgada pelo New York Times, de que a OpenAI estuda adiar a sua oferta pública inicial para 2027, receando que a volatilidade do setor dificulte a obtenção da avaliação desejada de um bilião de dólares. O índice de semicondutores de Filadélfia caiu 4,7% na sexta-feira, com perdas que se estenderam a nomes como Samsung Electronics, SK Hynix e TSMC.
Na perspetiva de investidores asiáticos, a liquidação reflete um questionamento mais amplo sobre a sustentabilidade das valorizações elevadas num contexto de taxas de juro ainda altas nos Estados Unidos. Dados de inflação norte-americana acima de 4% em maio mantiveram viva a possibilidade de novas subidas pela Reserva Federal, o que penaliza particularmente as empresas tecnológicas, dependentes de crédito barato. Em contrapartida, a queda dos preços do petróleo — o Brent recuou para abaixo dos 73 dólares, com a retoma de carregamentos no terminal de Ras Tanura, na Arábia Saudita — aliviou parcialmente as pressões inflacionistas e permitiu ganhos em setores defensivos, como saúde e consumo básico.
No Brasil, o efeito foi distinto. A combinação da queda do petróleo com um IPCA-15 de junho abaixo das expectativas e o tom do Relatório de Política Monetária reforçaram as apostas num novo corte da Selic em agosto. As taxas dos contratos de DI recuaram de forma expressiva, com o vértice para janeiro de 2029 a cair de 14,34% para 14,21%, enquanto o real se valorizou face ao dólar. Observadores em Lisboa notam que o PSI-20, embora menos exposto a tecnológicas, acompanhou a cautela europeia, mas sem o sobressalto vivido na Ásia.
O próximo marco para os mercados será o início da temporada de resultados trimestrais nos Estados Unidos, dentro de duas semanas, que testará a capacidade das empresas de tecnologia de converterem o investimento massivo em IA em lucros concretos. Até lá, os investidores monitorizam também as decisões da Reserva Federal e os desenvolvimentos no Estreito de Ormuz, cuja reabertura progressiva continua a influenciar os preços da energia.
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.30 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa latino-americana | −0.50 | critical |
| Imprensa do Golfo árabe | −0.30 | critical |
The US stock market corrects after an excessive rally, but global trade tensions remain the real risk.
Presents the correction as healthy, but emphasizes macroeconomic uncertainties to justify caution.
Nasdaq volatility directly hits Latin America, threatening investments and growth.
Links the Nasdaq drop to capital flight from the region, using local data to make the threat concrete.
Gulf markets feel the tech sell-off, but economic diversification provides a buffer.
Acknowledges the impact but relativizes it, highlighting the region's resilience through diversification.
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