
Presidente da Hungria assina emenda que põe fim ao próprio mandato
Tamás Sulyok cede à pressão do governo de Péter Magyar e promulga reforma constitucional que o afasta do cargo, aprofundando a desmontagem do legado de Orbán.
O Presidente da Hungria, Tamás Sulyok, assinou no sábado a 17.ª emenda à Constituição, que determina o fim imediato do seu mandato. A promulgação ocorreu no último dos cinco dias de que dispunha e produz efeitos a partir da meia-noite de domingo, altura em que a presidente do Parlamento, Ágnes Forsthoffer, assumirá interinamente a chefia do Estado. O Parlamento tem agora trinta dias para eleger um novo Presidente, num contexto de maioria qualificada do partido Tisza, do primeiro-ministro Péter Magyar.
A decisão de Sulyok foi comunicada num vídeo divulgado no Facebook, no qual o chefe de Estado afirmou não dispor de “meios constitucionais para se opor” a uma emenda que, “embora viole princípios constitucionais, foi aprovada pela Assembleia Nacional”. Sulyok, eleito em 2024 com os votos do Fidesz, partido do antigo primeiro-ministro Viktor Orbán, qualificou a reforma de “vergastada histórica” e de “prova duradoura de que os valores fundamentais de uma sociedade livre foram espezinhados em nome do poder”. Já o primeiro-ministro Magyar, que venceu as eleições de abril com a promessa de “mudança de regime”, saudou a assinatura como a remoção do “último obstáculo” à entrada em vigor das reformas. Orbán, por seu turno, reagiu a partir dos Estados Unidos afirmando que “a tirania já não é uma ameaça, mas uma realidade” e que “se isto pôde ser feito ao Presidente, amanhã ninguém estará seguro”.
A emenda constitucional insere-se numa ofensiva legislativa mais ampla do governo de centro-direita pró-europeu para desmantelar o que Magyar designa como “máfia” do anterior executivo. Além de cessar o mandato presidencial, o diploma repõe a idade de reforma obrigatória de 70 anos para os juízes do Tribunal Constitucional, forçando a saída do seu presidente, Peter Polt, tido como aliado de Orbán. Introduz ainda um limite de doze anos de mandato para os deputados, restaura a competência do tribunal para fiscalizar leis orçamentais e cria um novo gabinete de recuperação de ativos com poderes alargados de combate à corrupção. Nos últimos meses, o executivo suspendeu também o serviço noticioso da televisão e rádio públicas e encerrou o Gabinete de Proteção da Soberania, instrumentos que, na perspetiva do governo de Budapeste, serviam de “fábrica de propaganda” e de intimidação de opositores.
A crise institucional húngara é acompanhada com atenção em capitais lusófonas. Em Lisboa, observadores sublinham o paralelismo com os debates europeus sobre o primado do direito e a independência dos tribunais, matérias centrais para a arquitetura institucional da União Europeia. Em Brasília, a sucessão de emendas constitucionais e a substituição de titulares de órgãos de soberania reavivam a discussão sobre os limites da maioria parlamentar e a proteção das minorias políticas, num momento em que o Congresso brasileiro também discute alterações à Constituição. A organização Human Rights Watch considerou que a reforma “faz lembrar a era Fidesz”, enquanto a Amnistia Internacional defendeu que Sulyok tinha direito a um processo equitativo.
O Parlamento deverá eleger um novo Presidente no prazo de trinta dias, ao mesmo tempo que o governo de Magyar prepara uma nova Constituição, a ser elaborada no prazo de um ano. Até lá, a presidência interina de Forsthoffer assegurará a transição, enquanto o partido Tisza consolida a sua maioria de dois terços para aprovar as reformas prometidas durante a campanha eleitoral.
| Imprensa russa e CEI | −0.50 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.40 | critical |
| Imprensa europeia continental | +0.70 | aligned |
The Hungarian president signed an unconstitutional amendment under pressure, denouncing the trampling of democratic values.
By centering the president's moral condemnation and framing the amendment as a violation of the constitution, the narrative creates a victimhood that delegitimizes the new government.
The Russian press omits the context that the new government is pro-European and that the president was a close ally of Orbán, as well as the fact that the amendment was passed by a large parliamentary majority.
The new Hungarian government's crackdown on the EV sector threatens $20 billion in Chinese investments and risks a geopolitical backlash.
By highlighting the economic stakes and the potential for a Chinese backlash, the narrative constructs a hierarchy of threats that prioritizes economic stability over domestic political changes.
The Atlantic press omits the entire constitutional crisis and the president's resignation, focusing only on the economic and geopolitical implications of the new government's policies.
The pro-Orbán president has been forced out, and the new prime minister is dismantling the nationalist network, restoring European democratic norms.
By framing the events as a democratic renewal and the triumph of European values, the narrative universalizes the change as a positive step for all of Europe, legitimizing the new government's actions.
The continental European press omits the president's own statement that the amendment violates the constitution and the moral dilemma he expressed, as well as the potential economic consequences of the new government's policies.
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