
Poupança insuficiente e sistemas sob pressão revelam crise global da reforma
Da Malásia à Alemanha, governos enfrentam o desequilíbrio entre longevidade, baixos salários e sustentabilidade fiscal, enquanto especialistas revêem metas mínimas de poupança.
Apenas 38,3% dos contribuintes ativos do fundo de pensões obrigatório da Malásia (EPF) atingiram o nível de poupança de referência para a sua idade, informou o vice-ministro das Finanças, Liew Chin Tong, ao Parlamento. O valor, que subiu face aos 35% do ano anterior, mantém a insuficiência de poupança como um dos maiores problemas sociais do país. O EPF considera 390.000 ringgit (cerca de 80 mil euros) o mínimo necessário à data da reforma, mas planeadores financeiros em Kuala Lumpur consideram esse limiar irrealista, apontando para um valor de pelo menos 600.000 ringgit, e de um milhão para uma velhice confortável face à inflação e aos custos médicos.
A raiz do défice de poupança, segundo economistas malaio, está num mercado de trabalho marcado por salários baixos e crescimento salarial dissociado dos ganhos de produtividade. A economista Goh Lim Thye, da Universiti Malaya, defende que só a criação de empregos de maior valor acrescentado e o aumento real dos rendimentos permitirão contribuições consistentes ao longo da vida ativa. Em Nairobi, o problema manifesta-se de forma diferente: mais de 70% dos trabalhadores quenianos reformam-se sem qualquer pensão formal, dependendo de benefícios modestos da segurança social ou da família. Para a minoria que poupa, os erros no cálculo dos benefícios — contribuições em falta, registos de serviço incorretos — são frequentes, alerta Albanus Muthoka, da Enwealth Financial Services, que recomenda a verificação minuciosa dos extratos finais.
Na Europa, a pressão recai sobre a idade da reforma e sobre os mecanismos de financiamento. Em Espanha, a idade legal sobe para 66 anos e 10 meses em 2026 e para 67 anos em 2027 para quem não atingir 38 anos e meio de descontos. O funcionário da Segurança Social Alfonso Muñoz Cuenca descreve a dificuldade de trabalhadores em profissões de desgaste físico chegarem a essa idade em plena capacidade, defendendo uma “desaceleração laboral” progressiva. Na Alemanha, o debate centra-se no financiamento: o Governo federal reviu em alta o aumento do imposto sobre o tabaco, que subirá o preço médio do maço de cigarros para 11,78 euros até 2030, com o objetivo de gerar 4,44 mil milhões de euros adicionais, parte dos quais para cobrir o défice do seguro de saúde público. A indústria tabaqueira contesta a medida, alertando para o risco de expansão do mercado ilegal, como já ocorreu em França.
Nos Estados Unidos, o sistema de Segurança Social caminha para um ponto de rotura. O fundo fiduciário que complementa as receitas dos impostos sobre salários deverá esgotar-se em 2032, segundo o Gabinete de Orçamento do Congresso, o que obrigaria a um corte de até 28% nas prestações ou a um aumento de impostos. Analistas em Washington notam que o sistema, desenhado quando havia 16,5 trabalhadores por beneficiário, opera hoje com apenas 2,7, e que os maiores benefícios são pagos a quem teve rendimentos mais altos durante a carreira. No Reino Unido, o comité parlamentar do Tesouro criticou a Estratégia de Inclusão Financeira do Governo por não quantificar a exclusão nem definir metas claras, deixando 900 mil adultos sem conta bancária e 13,1 milhões com baixa resiliência financeira. O próximo marco factual a observar será a revisão intercalar da estratégia britânica, prevista para 2027, ano em que também entram em vigor as novas idades de reforma em Espanha e os escalões mais elevados do imposto alemão sobre o tabaco.
| Imprensa europeia continental | −0.70 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa do Sudeste Asiático | 0.00 | neutral |
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.50 | critical |
| Imprensa africana subsaariana | −0.20 | neutral |
O governo alemão usa o imposto sobre o tabaco como tapa-buracos, mas fá-lo gradualmente para evitar protestos.
Apresenta o aumento como inevitável e gradual, mas critica-o como uma escolha cínica que explora os fumadores.
Não menciona os potenciais benefícios para a saúde pública da redução do tabagismo, nem compara as taxas com outros países.
A solução para a segurança das pensões é aumentar os salários reais através do crescimento da produtividade, não os impostos.
Reduz um problema complexo a um único fator económico, ignorando desigualdades e falhas de mercado.
Não considera o papel dos impostos sobre o tabaco ou outros encargos no financiamento das pensões, nem aborda o problema dos trabalhadores de baixos rendimentos que não conseguem poupar.
Os actuais sistemas de segurança social são inadequados e precisam de reformas profundas, mas os impostos sobre o tabaco não fazem parte da discussão.
Usa comparações históricas e demográficas para minar a confiança no sistema atual, sem oferecer alternativas concretas.
Não menciona o uso de impostos sobre o tabaco como possível fonte de financiamento, nem discute as experiências de outros países.
O Quénia deve reformar o seu sistema de pensões para permitir que os trabalhadores acedam às suas poupanças, não aumentar os impostos.
Apresenta o problema como uma falta de acesso e cobertura, propondo soluções legais sem considerar o financiamento.
Não discute o uso de impostos sobre o consumo como o tabaco para financiar pensões, nem compara com estratégias de outros países.
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