
Polónia prende suspeito com passaporte georgiano no homicídio de artista satírico russo
Detenção ocorre após assassinato de Semyon Skrepetsky, crítico de Putin, num caso que Varsóvia classifica como possível terrorismo de Estado.
A detenção de um suspeito com passaporte georgiano, anunciada pelo primeiro-ministro polaco Donald Tusk, marca um ponto de viragem na investigação do homicídio do artista russo Semyon Skrepetsky, abatido a tiro na segunda-feira em Biała Podlaska, no leste da Polónia. Tusk afirmou que "tudo indica tratar-se de um assassinato político" e, caso se confirme o envolvimento de Moscovo, "será um ato de terrorismo de Estado". O suspeito foi localizado nos arredores de Varsóvia — num hostel, segundo a polícia de Lublin, ou num restaurante georgiano, conforme a imprensa polaca — e estará a prestar declarações enquanto os serviços secretos procuram o mandante do crime.
Skrepetsky, cujo nome verdadeiro era Robert Kuzovov, notabilizara-se pela sátira mordaz a Vladimir Putin. Dias antes de ser morto, participara numa manifestação em Berlim exibindo uma das suas obras mais icónicas: um ícone ortodoxo em que José Estaline segura um pequeno Putin como o Menino Jesus. O artista foi alvejado com três disparos à distância e outros dois à queima-roupa depois de cair no chão, num método que sugere execução. Inicialmente, as autoridades detiveram dois cidadãos bielorrussos, mas foram libertados por falta de provas.
O passaporte georgiano utilizado pelo detido levanta dúvidas. Fontes não oficiais citadas por meios de comunicação social polacos e russos indicam que o documento pode ser falso e que o suspeito será, na realidade, de origem chechena. A confirmar-se, o dado acrescenta uma camada de complexidade geopolítica, recordando o recurso do Kremlin a agentes de repúblicas do Cáucaso para operações no estrangeiro. Na perspetiva de Brasília, o episódio sublinha a vulnerabilidade de exilados políticos em países vizinhos de regimes autoritários, um tema sensível para as comunidades da diáspora lusófona que acolhem dissidentes. Observadores em Lisboa notam que o caso testa os mecanismos de proteção europeus e a capacidade de resposta a atos de violência transnacional.
A imprensa independente russa acompanha o caso com a atenção de quem vê nele um possível padrão: o braço longo do Estado russo a silenciar vozes críticas no exílio. Já os media ocidentais destacam a rapidez da detenção e o tom categórico de Tusk. A investigação prossegue agora para identificar o mandante, e Varsóvia promete partilhar informações com parceiros internacionais. Se a pista russa se consolidar, o homicídio poderá agravar a já tensa relação entre a Polónia e Moscovo, num momento em que a guerra na Ucrânia mantém a Europa de Leste em alerta máximo.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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As autoridades polacas prenderam um suspeito pelo assassinato do cartunista russo Semion Skrepetski. O primeiro-ministro Tusk declarou que o suspeito usava passaporte georgiano e que tudo indica um homicídio político. O artista era conhecido por satirizar Putin e havia participado de um protesto em Berlim dias antes.
Um homem foi preso na Polônia pelo assassinato de um artista russo crítico de Putin. O suspeito teria usado passaporte georgiano, e as autoridades tentam identificar o mandante do homicídio político.
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