
Petróleo desaba após EUA e Irão assinarem acordo de paz e reabrirem Ormuz
O memorando de entendimento assinado em Versalhes encerra mais de cem dias de conflito, levanta as sanções ao petróleo iraniano e reabre o Estreito de Ormuz, derrubando as cotações do crude nos mercados internacionais.
Os preços do petróleo registaram uma queda significativa na manhã desta quinta-feira, após os Estados Unidos e o Irão terem assinado um acordo interino que põe fim a mais de cem dias de conflito armado. O memorando de entendimento, rubricado em Versalhes à margem da cimeira do G7, prevê a reabertura do Estreito de Ormuz, o levantamento das sanções norte-americanas sobre as exportações de crude iraniano e o início de um período de negociação de 60 dias. O Brent do Mar do Norte recuou 1,12% para 78,66 dólares por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) cedeu 1,28% para 75,81 dólares, com as perdas a acentuarem-se ao longo da sessão.
O entendimento surge depois de uma guerra que, desde fevereiro de 2026, bloqueou uma das principais artérias do comércio energético mundial e provocou a maior disrupção de oferta de que há memória. O acordo de 14 pontos estabelece que, no prazo de 30 dias, a circulação no Estreito de Ormuz será retomada em plena capacidade, permitindo o escoamento sem taxas do petróleo e do gás natural. A trégua inclui ainda a suspensão das sanções que mantinham afastados dos mercados internacionais os barris iranianos, num momento em que a economia global ainda digeria os efeitos inflacionistas do choque energético.
Na perspetiva de Brasília, a queda das cotações poderá aliviar a pressão sobre os preços dos combustíveis no mercado interno, num contexto em que a Petrobras tem sido chamada a conter reajustes. Observadores em Lisboa notam que a distensão no Golfo Pérsico é favorável a um país fortemente dependente de importações energéticas, podendo traduzir-se numa redução da fatura com a energia. Já para as economias lusófonas africanas produtoras de crude, como Angola e Moçambique, a descida das cotações representa um risco para as receitas fiscais e para o equilíbrio das contas públicas, ainda que o regresso da estabilidade regional possa, a prazo, beneficiar o investimento estrangeiro.
Apesar do otimismo, analistas no Médio Oriente e na Ásia advertem que o alívio nos preços pode ser limitado no curto prazo. A retoma da produção e do transporte de crude iraniano não será instantânea, e os mercados permanecem atentos à reunião da Reserva Federal norte-americana, cujo novo presidente já sinalizou a possibilidade de subir as taxas de juro ainda este ano para combater uma inflação «persistentemente elevada». O período de negociação de 60 dias será crucial para aferir se o memorando se converterá num acordo definitivo ou se, como advertiu Donald Trump, os bombardeamentos poderão ser retomados caso Teerão «não se comporte».
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Os mercados de petróleo oscilaram na incerteza após o acordo provisório entre EUA e Irã. O aviso do presidente Trump de que o acordo 'não é final' e que os bombardeios poderiam recomeçar manteve os operadores em alerta. O breve repique dos preços desapareceu, deixando o mercado focado na fragilidade da paz.
O acordo entre EUA e Irã elevou as esperanças de uma paz duradoura no Golfo. Com a reabertura de Ormuz, o levantamento das sanções e as ambições nucleares iranianas contidas, o prêmio de guerra escoou dos preços do petróleo. O pacto é apresentado como um caminho para a estabilidade regional e a reconstrução, embora preocupações com os juros permaneçam.
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