
Ouro vive semana de forte volatilidade com tensões no Golfo e expectativa sobre juros dos EUA
Investidores globais repercutem possível reabertura do Estreito de Ormuz, dados de inflação americana e a próxima decisão do Federal Reserve, enquanto o metal precioso registra a segunda queda semanal consecutiva.
Os mercados de ouro atravessaram uma semana de oscilações extremas, pressionados pela convergência de riscos geopolíticos e incertezas monetárias. Após um início de semana marcado por fortes vendas, a cotação internacional da onça troy chegou a desabar para US$ 4.023 na quinta-feira — o menor nível de 2026 —, refletindo o agravamento das hostilidades entre os Estados Unidos e o Irão e a divulgação de indicadores de inflação persistentes na economia norte-americana. Contudo, uma recuperação parcial nos dias seguintes, com o fecho à volta dos US$ 4.216 na sexta-feira, não evitou a segunda perda semanal consecutiva, num movimento que reflecte a elevada sensibilidade dos investidores às negociações sobre o Estreito de Ormuz e à trajectória da política da Reserva Federal.
Na perspetiva do Médio Oriente, as conversações entre Teerão e Washington para reabrir a via marítima estratégica — por onde circula cerca de um quinto do petróleo mundial — permanecem frágeis. Fontes diplomáticas citadas na região sugerem que um eventual acordo exigiria gestos de flexibilidade, como o alívio de sanções económicas e a criação de fundos de investimento para o pós-conflito, elementos que poderiam reduzir o prémio de risco associado ao ouro. Enquanto isso, observadores em Brasília avaliam que a volatilidade do metal amarelo repercute directamente nos mercados emergentes, pressionando as reservas e as estratégias de diversificação de activos, num momento em que o real e outras moedas da América Latina enfrentam a força do dólar. Em Lisboa, a atenção recai sobre o impacto nas carteiras de investimento europeias, já que o ouro é tradicionalmente visto como refúgio em cenários de tensão prolongada.
O comportamento errático da cotação esteve também fortemente ligado às expectativas para a reunião do Federal Reserve. Dados de inflação acima do previsto reforçaram o receio de que a autoridade monetária mantenha as taxas de juro elevadas por mais tempo, ou até mesmo as aumente, o que reduz a atractividade do ouro, activo que não gera rendimento. Analistas internacionais sublinham que o metal precioso sofre uma concorrência acrescida das obrigações do Tesouro americano, cujos rendimentos reais se mantêm robustos. Ainda assim, persistem dúvidas quanto ao verdadeiro rumo da inflação, o que introduz um elemento de imprevisibilidade adicional — e, paradoxalmente, pode sustentar alguma procura por protecção.
Para os próximos dias, os olhos dos investidores de Jacarta a Luanda estarão voltados para a decisão e as sinalizações do banco central dos EUA. A reabertura do Estreito de Ormuz, se confirmada, poderia atenuar a tensão geopolítica e ditar uma correção em baixa nos preços do ouro, com suportes técnicos apontados na região dos US$ 4.058 e US$ 3.929 a onça. No entanto, analistas no Sudeste Asiático recordam que, mesmo com a trégua, o cenário inflacionário global mantém o metal como activo de relevância estratégica. A conjugação destes factores deverá continuar a gerar forte volatilidade, exigindo dos investidores uma leitura atenta dos desenvolvimentos diplomáticos e macroeconómicos.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Os mercados de ouro passaram por fortes flutuações em meio às tensões entre EUA e Irã e à reabertura do Estreito de Ormuz. Os fortes dados de inflação dos EUA e a próxima reunião do Fed lançam dúvidas sobre a direção do metal. As negociações diplomáticas continuam, e os incentivos econômicos são vistos como um possível caminho para amenizar o conflito.
Os preços do ouro caíram esta semana, à medida que os investidores reavaliavam as expectativas da política monetária dos EUA em meio a pressões inflacionárias persistentes. O metal registrou uma segunda perda semanal consecutiva, fechando em baixa antes da reunião do Federal Reserve. Os participantes do mercado permanecem céticos quanto à trajetória da inflação e seu impacto nas taxas de juros.
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