
Ondas de calor e chuvas extremas disparam preços de grãos, café e cacau
Temperaturas elevadas nos EUA e Europa, excesso de umidade na África Ocidental e temores com o El Niño provocam forte alta nas commodities agrícolas, com reflexos no Brasil e na Argentina.
Os mercados globais de commodities agrícolas registraram fortes valorizações nesta segunda-feira, impulsionados por uma combinação de eventos climáticos adversos em regiões produtoras estratégicas e movimentos técnicos de investidores. Em Chicago, os contratos futuros de soja subiram 4,44%, para US$ 11,92 por bushel, enquanto o milho avançou 3,68% e o trigo, 2,38%. Em Nova York, o café arábica valorizou-se 16,19%, atingindo US$ 3,04 por libra-peso, e o cacau teve alta de 13,07%, para US$ 5.694 por tonelada. A magnitude dos ganhos reflete a confluência de riscos de oferta em diferentes continentes, amplificada pelo reposicionamento de fundos especulativos.
A onda de calor que atinge o Meio-Oeste americano e as projeções de tempo mais seco e quente para a primeira quinzena de julho — período crítico para o desenvolvimento das lavouras de soja e milho — desencadearam compras generalizadas em Chicago. Na Europa, temperaturas extremas em países como França, Espanha e Itália ameaçam a produtividade do milho, levando analistas a preverem possível redirecionamento da demanda de importação para os Estados Unidos e a América do Sul. Paralelamente, chuvas intensas na Costa do Marfim e em Gana, responsáveis por cerca de 60% da oferta global de cacau, provocam alagamentos, dificultam o escoamento e aumentam a incidência de doenças como a podridão parda, reduzindo as expectativas para a próxima safra. No café, o atraso da colheita brasileira — apenas 52% concluída até 1º de julho, ante 60% no ano anterior — e a queda nos estoques certificados em Nova York reforçaram a perceção de aperto na oferta física, enquanto ordens de stop-loss e a recompra de posições vendidas por fundos amplificaram o movimento de alta.
Do lado da demanda, sinais de recuperação dos preços da carne suína na China indicam uma possível melhora no consumo de farelo de soja, adicionando suporte às cotações do grão. A Arábia Saudita também contribuiu para o impulso do trigo ao cobrir uma licitação de 661 mil toneladas. Na América do Sul, a perspetiva é dual: a Bolsa de Comércio de Rosário projeta uma campanha agrícola favorável para soja e milho na Argentina, com boa disponibilidade hídrica, mas alerta para o risco de excesso de chuvas associado ao fenômeno El Niño, que pode provocar anegamentos e prejudicar a colheita. Observadores em Buenos Aires recomendam atenção à drenagem de campos e ao monitoramento climático permanente. No Brasil, o produtor de café, mais capitalizado, retém vendas, reduzindo a liquidez de curto prazo e acentuando a volatilidade.
O cenário mantém os mercados em alerta. A confirmação de temperaturas acima da média e chuvas escassas no cinturão agrícola americano nas próximas semanas poderá consolidar os prêmios de risco. Ao mesmo tempo, a evolução do El Niño no Pacífico equatorial será acompanhada de perto, pois sua intensidade definirá o regime de chuvas na safra sul-americana. Os próximos relatórios de condições das lavouras do USDA e as atualizações dos modelos climáticos sazonais constituem os marcos imediatos para a trajetória dos preços.
| Imprensa russa e CEI | 0.00 | neutral |
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| Imprensa latino-americana | +0.10 | neutral |
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | 0.00 | neutral |
Russia records the cocoa price surge as a technical and weather-driven event, without alarm or triumphalism.
The bloc builds credibility through dry reporting and use of numerical data, avoiding value judgments.
The bloc does not mention the surge in other agricultural commodities like soy, corn, and coffee, which are also part of the global rally.
Latin America presents a mixed picture: on one hand it celebrates strong rallies in soy and coffee, on the other it warns against technical moves not supported by fundamentals.
The bloc uses a balance between productive optimism and financial skepticism to appear objective and informed.
The bloc does not address the impact of price rises on final consumers, focusing only on futures markets.
The Arab world focuses on corn, highlighting the effect of the European heat wave and the possible reduction of global stocks.
The bloc strengthens its position by citing a market analyst, lending authority to the forecast of further rises.
The bloc does not mention the role of short squeeze in the price rise, unlike the other blocs.
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