
Do chá indiano ao gelo islandês, a odisseia de Nolan pelo mundo e pelas redes
A adaptação de Homero por Christopher Nolan mobiliza 250 milhões de dólares, tempestades online e uma escala de produção que vai de grutas gregas a cafés centenários.
A tarde de sábado caía mansa sobre Colaba quando três homens entraram no centenário Olympia Coffee House, pediram chai, bun maska e doces ligeiros, e em menos de quinze minutos se viram cercados por uma multidão que a polícia conteve à porta. “Só depois, quando fomos ao Google, percebemos que o Tom era o ator do Homem-Aranha”, contou o gerente, ainda atarantado com a visita-relâmpago de Christopher Nolan, Tom Holland e Matt Damon. A escala paradoxal do momento — gigantes de Hollywood num refúgio modesto, entre o rumor global e a intimidade de um chá — encapsula a própria odisseia que trouxe o trio a Mumbai para a antestreia de “The Odyssey”.
Nolan transformou o poema homérico numa demanda física e técnica. O orçamento de 250 milhões de dólares espalhou equipas pela Sicília, Islândia, Marrocos, Grécia e Escócia. Na gruta de Nestor, na Messénia, a reconstituição da fuga do Ciclope exigiu transportar quarenta ovelhas e filmar sob um cheiro nauseabundo e um enxame de abelhas: “Depois de um tempo, tudo ficou muito húmido e malcheiroso”, admitiu o realizador. Na Islândia, a deusa Atena de Zendaya viu a boca congelar até só emitir “blá-blá-blá”, enquanto Matt Damon qualificou o papel de Ulisses como a rodagem mais física da sua carreira. Em entrevistas à imprensa europeia, Nolan confessou a vertigem da expectativa: “Lançar o filme é extremamente empolgante, mas ao mesmo tempo muito assustador para todos nós”.
A abordagem do texto clássico afastou-se dos épicos históricos: Nolan tratou a viagem como “ficção científica”, inspirando-se em Kurosawa e Tarkovsky e utilizando a réplica viking Draken Harald Hårfagre, atracada na Escócia, como nau de Ulisses. Esta releitura desencadeou, porém, tempestades paralelas. Na Suécia, a presença de Elliot Page — que se especulou interpretar Aquiles, mas afinal dá corpo a Sinon — inflamou campanhas transfóbicas, a que colunistas locais responderam recordando a natureza queer do herói grego, que na corte de Skyros se vestia de rapariga e amou Patroclo. No México e nas redes globais, a silhueta esguia de Charlize Theron (Calipso) gerou acusações infundadas de recurso ao Ozempic, enquanto a atriz defendia hábitos saudáveis e a prática de pilates.
A estreia de Mumbai, com o elenco a cruzar o tapete vermelho sob os flashes, selou a dimensão transnacional da obra — que antes já fora ancorada na Sicília das sereias, em Lipari, e no castelo veneziano de Methoni. Em cada paragem, a odisseia cinematográfica encontrou a odisseia humana: um café que desconhece as estrelas que serve, uma caverna fétida onde o mito ganha corpo entre ovelhas, ou a boca gelada de uma deusa no Ártico. Quando o filme chegar às salas, a 17 de julho, estes fragmentos contraditórios — o colossal e o prosaico — serão a herança de uma viagem que começou há três mil anos.
| Imprensa europeia continental | 0.00 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa do Sudeste Asiático | 0.00 | neutral |
| Imprensa latino-americana | −0.30 | critical |
| Imprensa indiana e sul-asiática | +0.50 | aligned |
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