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Sociedade & Culturasexta-feira, 19 de junho de 2026

O pai que pede licença: a silenciosa revolução dos homens que cuidam

Do México a Buenos Aires, uma nova geração de pais redefine a paternidade ao trocar o pedestal do provedor pela presença afetiva e pela corresponsabilidade no cuidado.

Na penumbra de um escritório na Cidade do México, um homem de camisa social hesita antes de bater à porta do supervisor. Não é um pedido de aumento nem uma queixa. É uma solicitação para sair mais cedo — precisa levar o filho a uma consulta pediátrica. O gesto, miúdo e repetido em milhares de locais de trabalho, carrega uma transformação que as estatísticas ainda não capturam por inteiro. O que está em curso, segundo observadores na capital mexicana, é a emergência de uma geração de homens que já não se veem como ajudantes ocasionais, mas como coprotagonistas do cuidado.\n\nA data do Dia do Padre, celebrada em junho em países como a Argentina e o Brasil, serve de espelho para essa mutação. Em Buenos Aires, uma cronista confessa sentir-se atraída pelos 'bons pais' — aqueles que levam os filhos à praça, conversam, educam — e descreve o antigo modelo do 'macho provedor' como uma figura que se vai desvanecendo. Na Alemanha, especialistas em desenvolvimento infantil enumeram dez práticas para fortalecer o vínculo seguro, entre elas pedir desculpas quando se perde a paciência e oferecer atenção plena, sem o telemóvel por perto. Em Acra, um artigo que enumera as virtudes de uma 'mulher forte' sugere, nas entrelinhas, que a parceira ideal é aquela que não compete, mas que 'respeita o papel do homem na relação' — um indício de que as expectativas sobre a masculinidade também se renegociam.\n\nNo México, a investigação jornalística revela que a participação ativa dos pais na criação está associada a melhores resultados cognitivos e emocionais para as crianças, além de maior satisfação pessoal para os homens. Contudo, as licenças de paternidade continuam limitadas, institucionalizando a ideia de que a flexibilidade para cuidar é um privilégio materno. No Brasil, a realidade é semelhante: os cinco dias de licença-paternidade contrastam com os 120 dias concedidos às mães, reforçando uma assimetria que, segundo analistas em São Paulo, não só restringe a presença paterna como sinaliza que o cuidado 'não lhes corresponde'. Em Portugal, a ampliação da licença parental obrigatória para os pais em 2023 representou um passo na direção da corresponsabilidade, mas a distância entre a lei e a prática quotidiana ainda é objeto de debate.\n\nA redefinição da paternidade não ocorre sem atritos. Nos Estados Unidos, um autor critica a tendência da 'parentalidade gentil' por desencorajar a disciplina básica e por transformar o bom pai numa 'mãe'. Em contraponto, uma análise feminista publicada em Gana argumenta que o patriarcado não é um clube de homens, mas um sistema que também pune aqueles que não se encaixam no molde do provedor estoico. Na Indonésia, um podcast sobre o papel do padrasto insiste que a confiança se constrói com presença e escuta, não com imposição. No meio dessas tensões, a moda masculina de 2026, captada nos Emirados Árabes Unidos, oferece uma metáfora visual: camisas de linho que mantêm a forma ao longo do dia, mochilas crossbody que se ajustam ao corpo em movimento, calças de corte relaxado que permitem agachar-se para amarrar os sapatos de uma criança. O 'dad bod' — aquele corpo sem tempo para o ginásio, com uma curva suave na barriga — celebrado por cronistas argentinas, talvez seja o emblema mais eloquente: a paternidade que se exerce não na exibição de músculos, mas na disponibilidade para estar, imperfeita e integralmente, ao lado de quem cresce.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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Imprensa atlântica / anglosferaImprensa latino-americana
Imprensa atlântica / anglosfera
AlarmeRevanchismo

O podcast de Jacarta que promove uma nova paternidade é apenas mais um exemplo da moda da 'parentalidade suave' que mina a força tradicional. Durante décadas, as elites midiáticas e acadêmicas zombaram dos pais, mas as crianças precisam da disciplina e da resiliência que só um pai forte pode oferecer. É hora de reagir ao ataque contra a masculinidade.

Imprensa latino-americana
TriunfoPragmatismo

O podcast de Jacarta faz parte de uma mudança silenciosa, mas profunda: uma nova geração de homens que assume o cuidado como parte central de sua identidade. A paternidade não é mais apenas herança e autoridade, mas presença, envolvimento emocional e gestos cotidianos. Essa transformação está redefinindo o que significa ser pai.

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sexta-feira, 19 de junho de 2026

O pai que pede licença: a silenciosa revolução dos homens que cuidam

Do México a Buenos Aires, uma nova geração de pais redefine a paternidade ao trocar o pedestal do provedor pela presença afetiva e pela corresponsabilidade no cuidado.

Na penumbra de um escritório na Cidade do México, um homem de camisa social hesita antes de bater à porta do supervisor. Não é um pedido de aumento nem uma queixa. É uma solicitação para sair mais cedo — precisa levar o filho a uma consulta pediátrica. O gesto, miúdo e repetido em milhares de locais de trabalho, carrega uma transformação que as estatísticas ainda não capturam por inteiro. O que está em curso, segundo observadores na capital mexicana, é a emergência de uma geração de homens que já não se veem como ajudantes ocasionais, mas como coprotagonistas do cuidado.\n\nA data do Dia do Padre, celebrada em junho em países como a Argentina e o Brasil, serve de espelho para essa mutação. Em Buenos Aires, uma cronista confessa sentir-se atraída pelos 'bons pais' — aqueles que levam os filhos à praça, conversam, educam — e descreve o antigo modelo do 'macho provedor' como uma figura que se vai desvanecendo. Na Alemanha, especialistas em desenvolvimento infantil enumeram dez práticas para fortalecer o vínculo seguro, entre elas pedir desculpas quando se perde a paciência e oferecer atenção plena, sem o telemóvel por perto. Em Acra, um artigo que enumera as virtudes de uma 'mulher forte' sugere, nas entrelinhas, que a parceira ideal é aquela que não compete, mas que 'respeita o papel do homem na relação' — um indício de que as expectativas sobre a masculinidade também se renegociam.\n\nNo México, a investigação jornalística revela que a participação ativa dos pais na criação está associada a melhores resultados cognitivos e emocionais para as crianças, além de maior satisfação pessoal para os homens. Contudo, as licenças de paternidade continuam limitadas, institucionalizando a ideia de que a flexibilidade para cuidar é um privilégio materno. No Brasil, a realidade é semelhante: os cinco dias de licença-paternidade contrastam com os 120 dias concedidos às mães, reforçando uma assimetria que, segundo analistas em São Paulo, não só restringe a presença paterna como sinaliza que o cuidado 'não lhes corresponde'. Em Portugal, a ampliação da licença parental obrigatória para os pais em 2023 representou um passo na direção da corresponsabilidade, mas a distância entre a lei e a prática quotidiana ainda é objeto de debate.\n\nA redefinição da paternidade não ocorre sem atritos. Nos Estados Unidos, um autor critica a tendência da 'parentalidade gentil' por desencorajar a disciplina básica e por transformar o bom pai numa 'mãe'. Em contraponto, uma análise feminista publicada em Gana argumenta que o patriarcado não é um clube de homens, mas um sistema que também pune aqueles que não se encaixam no molde do provedor estoico. Na Indonésia, um podcast sobre o papel do padrasto insiste que a confiança se constrói com presença e escuta, não com imposição. No meio dessas tensões, a moda masculina de 2026, captada nos Emirados Árabes Unidos, oferece uma metáfora visual: camisas de linho que mantêm a forma ao longo do dia, mochilas crossbody que se ajustam ao corpo em movimento, calças de corte relaxado que permitem agachar-se para amarrar os sapatos de uma criança. O 'dad bod' — aquele corpo sem tempo para o ginásio, com uma curva suave na barriga — celebrado por cronistas argentinas, talvez seja o emblema mais eloquente: a paternidade que se exerce não na exibição de músculos, mas na disponibilidade para estar, imperfeita e integralmente, ao lado de quem cresce.

Divergência das fontes

Sociedade & Cultura · 4 veículos · 2 idiomas

49%Média

Quanto as fontes relatam os mesmos fatos de maneira diferente.

Como se dividem

Favorável57%
Crítico43%

Como a mesma história é contada em outros lugares.

2 grupos editoriais · 2 idiomas

TomTemperaturaFocoPosicionamentoHorizonte
Imprensa atlântica / anglosferaImprensa latino-americana
Imprensa atlântica / anglosfera
AlarmeRevanchismo

O podcast de Jacarta que promove uma nova paternidade é apenas mais um exemplo da moda da 'parentalidade suave' que mina a força tradicional. Durante décadas, as elites midiáticas e acadêmicas zombaram dos pais, mas as crianças precisam da disciplina e da resiliência que só um pai forte pode oferecer. É hora de reagir ao ataque contra a masculinidade.

Imprensa latino-americana
TriunfoPragmatismo

O podcast de Jacarta faz parte de uma mudança silenciosa, mas profunda: uma nova geração de homens que assume o cuidado como parte central de sua identidade. A paternidade não é mais apenas herança e autoridade, mas presença, envolvimento emocional e gestos cotidianos. Essa transformação está redefinindo o que significa ser pai.

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