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Sociedade & Culturaterça-feira, 14 de julho de 2026

O corpo como último argumento: a greve de fome de Sonam Wangchuk chega ao 17.º dia

Com 8,5 quilos perdidos e dores musculares intensas, o educador e ativista climático indiano recusa interromper o jejum enquanto o governo não abrir diálogo, num protesto que mobiliza figuras públicas e reacende o debate sobre a crise dos exames no país.

Sobre um colchão branco estendido num palco improvisado no observatório de Jantar Mantar, em Nova Deli, Sonam Wangchuk já não consegue falar. Aos 59 anos, o engenheiro e educador de Ladakh, conhecido por ter inspirado a personagem Phunsuk Wangdu do filme «3 Idiotas», limita-se a gesticular para os jornalistas da Reuters, demasiado fraco para articular palavras. O termómetro marca 38 graus, mas a sensação térmica roça os 46. É o 17.º dia de uma greve de fome indefinida que, segundo os boletins médicos divulgados pelo Cockroach Janta Party (CJP), já lhe consumiu 8,5 quilos, fez a glicemia descer a 67 mg/dL e a pressão arterial estabilizar em valores como 109/70 mm Hg. Na véspera, um jovem que também jejuava no local desmaiara e fora levado ao hospital.

Wangchuk não está sozinho. A sua greve insere-se no protesto mais amplo do CJP, um movimento satírico nascido nas redes sociais que, em poucas semanas, conquistou 22 milhões de seguidores no Instagram. O alvo imediato é o ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, a quem exigem a demissão na sequência do cancelamento de um exame nacional de acesso a cursos de medicina, em maio passado, após uma fuga de provas que afetou 2,3 milhões de candidatos. O fundador do CJP, Abhijeet Dipke, de 30 anos, descreve um homem em “dor imensa”, que já começou a perder massa muscular. “Supliquei-lhe que terminasse o jejum”, contou Dipke nas redes sociais. “Ele respondeu calmamente: ‘Não me peças para acabar o jejum. Pergunta ao governo porque é que se recusa a dialogar’.”

A recusa do governo em sentar-se à mesa transformou o corpo de Wangchuk num campo de batalha simbólico. Na perspetiva de Nova Deli, o silêncio oficial contrasta com a multiplicação de apelos públicos para que o ativista interrompa o protesto. Mais de 1.800 signatários — entre os quais a escritora Arundhati Roy, os atores Naseeruddin Shah e Ratna Pathak Shah, e o economista Jean Drèze — subscreveram uma carta aberta em que, apesar de apoiarem as reivindicações, pedem o fim do jejum, argumentando que “este governo não tem coração nem consciência” e que a luta é “uma maratona, não um sprint”. A veterana atriz Zeenat Aman usou o Instagram para implorar ao executivo que “não fique a ver uma das maiores mentes do país ser sacrificada”. Líderes da oposição, como Arvind Kejriwal e Akhilesh Yadav, também se pronunciaram, com Yadav a afirmar que a vida de Wangchuk “é inestimável para o mundo inteiro”.

O que confere a este protesto uma ressonância que ultrapassa as fronteiras indianas é a sua matriz geracional. O CJP define-se como representante dos “preguiçosos, dos desempregados e dos cronicamente corretos”, e a sua ascensão fulgurante ecoa frustrações de uma juventude que, segundo dados oficiais, enfrenta uma taxa de desemprego de quase 10% na faixa dos 15 aos 29 anos, valor que sobe para 13,6% nas zonas urbanas. Observadores em Lisboa notam paralelos com movimentos de indignação juvenil que, em Portugal, ganharam corpo durante a crise da troika, enquanto no Brasil a memória das manifestações de 2013 e os recorrentes escândalos em concursos públicos tornam familiar a linguagem de um protesto que nasce online e se materializa na rua. A própria designação irónica do partido — “baratas” — remete para uma declaração polémica de um juiz do Supremo indiano, que comparara jovens desempregados a insetos, e foi reapropriada como insígnia de orgulho.

Wangchuk, que em 2018 recebeu o Prémio Ramon Magsaysay pelo seu trabalho com glaciares artificiais no Himalaia, já passara 170 dias na prisão no ano anterior, acusado de incitar protestos — acusações que acabaram por ser retiradas. Agora, deitado sob o calor tórrido de Jantar Mantar, o homem que inventou a “estupa de gelo” para armazenar água no inverno e libertá-la na primavera tornou-se ele próprio uma imagem de resistência suspensa no tempo. A próxima etapa está marcada para 20 de julho, dia da abertura da sessão parlamentar das monções, com uma marcha até ao Parlamento. Até lá, o colchão branco continua a ser a única resposta a um governo que, por enquanto, não responde.

Divergência — quem conta como
Eixo: Protesta vs. Distacco
30%Média
2 blocos · posições de −0.60 a 0.00
Critici del governoOsservatori neutrali
INDAFR
Divergência entre blocos de imprensa
Imprensa indiana e sul-asiática−0.60critical
Imprensa africana subsaariana0.00neutral
Imprensa indiana e sul-asiática−0.60
Voz

O governo indiano é culpado de indiferença em relação a um ativista que arrisca sua vida.

Mecanismovittimizzazione

Enfatiza a deterioração física e as vozes de celebridades para criar um senso de urgência moral.

Omissão

Não relata as justificativas do governo nem as declarações oficiais.

AlarmeIndignaçãoVozes divididas
Imprensa africana subsaariana0.00
Voz

Um ativista indiano está se deixando morrer de fome, mas a situação está sob supervisão judicial.

Mecanismooggettivazione

Baseia-se em fatos objetivos e declarações oficiais, evitando qualquer linguagem avaliativa ou enquadramento partidário.

Omissão

Não menciona as acusações políticas contra o governo nem o apoio de figuras públicas, reduzindo a dimensão política do protesto.

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Atualizado 16:442 idiomas · 9 veículos
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terça-feira, 14 de julho de 2026

O corpo como último argumento: a greve de fome de Sonam Wangchuk chega ao 17.º dia

Com 8,5 quilos perdidos e dores musculares intensas, o educador e ativista climático indiano recusa interromper o jejum enquanto o governo não abrir diálogo, num protesto que mobiliza figuras públicas e reacende o debate sobre a crise dos exames no país.

Sobre um colchão branco estendido num palco improvisado no observatório de Jantar Mantar, em Nova Deli, Sonam Wangchuk já não consegue falar. Aos 59 anos, o engenheiro e educador de Ladakh, conhecido por ter inspirado a personagem Phunsuk Wangdu do filme «3 Idiotas», limita-se a gesticular para os jornalistas da Reuters, demasiado fraco para articular palavras. O termómetro marca 38 graus, mas a sensação térmica roça os 46. É o 17.º dia de uma greve de fome indefinida que, segundo os boletins médicos divulgados pelo Cockroach Janta Party (CJP), já lhe consumiu 8,5 quilos, fez a glicemia descer a 67 mg/dL e a pressão arterial estabilizar em valores como 109/70 mm Hg. Na véspera, um jovem que também jejuava no local desmaiara e fora levado ao hospital.

Wangchuk não está sozinho. A sua greve insere-se no protesto mais amplo do CJP, um movimento satírico nascido nas redes sociais que, em poucas semanas, conquistou 22 milhões de seguidores no Instagram. O alvo imediato é o ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, a quem exigem a demissão na sequência do cancelamento de um exame nacional de acesso a cursos de medicina, em maio passado, após uma fuga de provas que afetou 2,3 milhões de candidatos. O fundador do CJP, Abhijeet Dipke, de 30 anos, descreve um homem em “dor imensa”, que já começou a perder massa muscular. “Supliquei-lhe que terminasse o jejum”, contou Dipke nas redes sociais. “Ele respondeu calmamente: ‘Não me peças para acabar o jejum. Pergunta ao governo porque é que se recusa a dialogar’.”

A recusa do governo em sentar-se à mesa transformou o corpo de Wangchuk num campo de batalha simbólico. Na perspetiva de Nova Deli, o silêncio oficial contrasta com a multiplicação de apelos públicos para que o ativista interrompa o protesto. Mais de 1.800 signatários — entre os quais a escritora Arundhati Roy, os atores Naseeruddin Shah e Ratna Pathak Shah, e o economista Jean Drèze — subscreveram uma carta aberta em que, apesar de apoiarem as reivindicações, pedem o fim do jejum, argumentando que “este governo não tem coração nem consciência” e que a luta é “uma maratona, não um sprint”. A veterana atriz Zeenat Aman usou o Instagram para implorar ao executivo que “não fique a ver uma das maiores mentes do país ser sacrificada”. Líderes da oposição, como Arvind Kejriwal e Akhilesh Yadav, também se pronunciaram, com Yadav a afirmar que a vida de Wangchuk “é inestimável para o mundo inteiro”.

O que confere a este protesto uma ressonância que ultrapassa as fronteiras indianas é a sua matriz geracional. O CJP define-se como representante dos “preguiçosos, dos desempregados e dos cronicamente corretos”, e a sua ascensão fulgurante ecoa frustrações de uma juventude que, segundo dados oficiais, enfrenta uma taxa de desemprego de quase 10% na faixa dos 15 aos 29 anos, valor que sobe para 13,6% nas zonas urbanas. Observadores em Lisboa notam paralelos com movimentos de indignação juvenil que, em Portugal, ganharam corpo durante a crise da troika, enquanto no Brasil a memória das manifestações de 2013 e os recorrentes escândalos em concursos públicos tornam familiar a linguagem de um protesto que nasce online e se materializa na rua. A própria designação irónica do partido — “baratas” — remete para uma declaração polémica de um juiz do Supremo indiano, que comparara jovens desempregados a insetos, e foi reapropriada como insígnia de orgulho.

Wangchuk, que em 2018 recebeu o Prémio Ramon Magsaysay pelo seu trabalho com glaciares artificiais no Himalaia, já passara 170 dias na prisão no ano anterior, acusado de incitar protestos — acusações que acabaram por ser retiradas. Agora, deitado sob o calor tórrido de Jantar Mantar, o homem que inventou a “estupa de gelo” para armazenar água no inverno e libertá-la na primavera tornou-se ele próprio uma imagem de resistência suspensa no tempo. A próxima etapa está marcada para 20 de julho, dia da abertura da sessão parlamentar das monções, com uma marcha até ao Parlamento. Até lá, o colchão branco continua a ser a única resposta a um governo que, por enquanto, não responde.

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Critici del governoOsservatori neutrali
INDAFR
Divergência entre blocos de imprensa
Imprensa indiana e sul-asiática−0.60critical
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O governo indiano é culpado de indiferença em relação a um ativista que arrisca sua vida.

Mecanismovittimizzazione

Enfatiza a deterioração física e as vozes de celebridades para criar um senso de urgência moral.

Omissão

Não relata as justificativas do governo nem as declarações oficiais.

AlarmeIndignaçãoVozes divididas
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Um ativista indiano está se deixando morrer de fome, mas a situação está sob supervisão judicial.

Mecanismooggettivazione

Baseia-se em fatos objetivos e declarações oficiais, evitando qualquer linguagem avaliativa ou enquadramento partidário.

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