
Nikkei supera 72 mil pontos pela primeira vez impulsionado por IA e trégua no Irã
Índice japonês renovou recorde com alta de 1,55%, enquanto mercados asiáticos reagiram a avanços nas negociações de paz entre EUA e Irã e ao entusiasmo com inteligência artificial.
O índice Nikkei 225 ultrapassou nesta segunda-feira a barreira dos 72.000 pontos pela primeira vez na história, fechando a 72.353,96 pontos, uma valorização de 1,55% em Tóquio. O movimento foi acompanhado por novos máximos no Kospi sul-coreano, que avançou 0,69% para 9.114,55 pontos. O entusiasmo com a expansão global da inteligência artificial e o anúncio de um plano governamental japonês de 370 biliões de ienes (2,29 biliões de dólares) em investimentos estratégicos até 2040 sustentaram as compras, enquanto os progressos nas conversações de paz entre Estados Unidos e Irão aliviaram temporariamente as tensões geopolíticas.
A dinâmica da sessão foi ancorada por dois vetores distintos. Por um lado, a divulgação de que o governo da primeira-ministra Sanae Takaichi fixará uma meta de investimento público e privado em setores como IA e semicondutores alimentou a procura por ações tecnológicas. A SoftBank Group subiu 1,87%, a Tokyo Electron ganhou 3,24% e a sul-coreana SK Hynix disparou 5,61%. Por outro, a conclusão de uma ronda negocial de alto nível na Suíça, mediada pelo Catar e pelo Paquistão, e a perspetiva de conversas técnicas ao longo da semana reduziram o prémio de risco no mercado petrolífero. O Brent recuou cerca de 1,5%, para menos de 79 dólares por barril, um alívio para economias importadoras como Portugal e Brasil, enquanto produtores como Angola monitorizam os relatos contraditórios sobre o fecho do Estreito de Ormuz.
O impacto setorial refletiu a dualidade do momento. No Topix, os metais não ferrosos lideraram os ganhos com uma subida de 7,57%, seguidos por equipamentos elétricos e produtos de vidro e cerâmica. A J.Front Retailing disparou 16,24% após o fundo ativista 3D Investment Partners revelar uma participação de 5,10%. Em contrapartida, o imobiliário recuou 1,07%. Na China continental, que regressou de um feriado, o Xangai Composto avançou 1,78% para 4.163,10 pontos, enquanto o Hang Seng de Hong Kong cedeu 0,65%. Taiwan subiu 2,75% e a Austrália registou uma ligeira queda. Os futuros norte-americanos apontavam para uma abertura em baixa.
Apesar do otimismo, analistas em Tóquio advertem que o mercado japonês pode estar “esticado”, nas palavras de Neil Newman, diretor da Astris Advisory Japan, sobretudo devido à incerteza no Médio Oriente. O estrategista Wataru Akiyama, da Nomura Securities, sublinhou que a vigilância sobre a situação no Irão permanecerá elevada. O próximo marco para os investidores será a divulgação do índice de preços de consumo pessoal (PCE) nos EUA na quinta-feira, indicador preferido da Reserva Federal para a inflação, enquanto as conversas técnicas sobre o Irão prosseguem esta semana. Para as economias lusófonas, a trajetória do petróleo e a evolução da procura por semicondutores continuam a ser variáveis centrais na calibragem de expectativas para a segunda metade do ano.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O principal motor dos movimentos dos mercados asiáticos é o progresso nas negociações de paz entre EUA e Irã, que reduziu os preços do petróleo e gerou um sentimento misto. O Nikkei japonês atingiu um recorde, impulsionado pelas ações de tecnologia em meio ao boom da IA, mas os futuros americanos caíram, refletindo um otimismo cauteloso. A narrativa centra-se na desescalada geopolítica como variável-chave.
A histórica disparada do Nikkei acima dos 72.000 pontos é atribuída principalmente à euforia persistente com a IA e ao enorme plano de investimento de longo prazo do Japão em setores estratégicos. Embora o progresso nas negociações EUA-Irã tenha dado um impulso adicional, o boom da IA continua sendo a força dominante que leva os mercados a novas máximas.
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