
Myanmar incinera 50 toneladas de drogas e consolida-se como epicentro global do ópio
A destruição recorde de narcóticos ocorre enquanto o país se torna o maior produtor mundial de ópio, com impactos crescentes nas fronteiras da Índia e do Bangladesh.
As autoridades de Myanmar incineraram, na sexta-feira (26 de junho de 2026), mais de 50 toneladas de drogas apreendidas, num valor estimado de 600 milhões de dólares, em cerimónias realizadas em Yangon, Mandalay e Taunggyi para assinalar o Dia Internacional contra o Abuso e o Tráfico Ilícito de Drogas. Segundo a polícia de Yangon, a quantidade destruída — que incluiu heroína, metanfetamina, ópio, cetamina e marijuana — duplicou a do ano anterior, com a metanfetamina a representar o maior volume, superior a 28 toneladas.
O evento ocorre num momento em que Myanmar se afirma como o maior produtor mundial de ópio, na sequência da proibição decretada pelo Talibã no Afeganistão em 2022, que reduziu em 93% o cultivo afegão. O relatório anual do Gabinete de Controlo de Narcóticos (NCB) da Índia, divulgado no mesmo dia, confirma que o cultivo ilícito de papoila em Myanmar expandiu cerca de 56% entre 2021 e 2023, atingindo 45.200 hectares, e que o país se tornou também o principal fornecedor de metanfetaminas do Sudeste Asiático, com epicentro no estado de Shan.
A reconfiguração do mercado global de opiáceos tem consequências diretas nas fronteiras vizinhas. O NCB indiano alerta que o corredor de Manipur, porta de entrada terrestre para a heroína e os comprimidos de metanfetamina, expõe os estados de Manipur, Mizoram e Nagaland a um fluxo crescente, agravado pela porosidade da fronteira e pelo regime de livre circulação. No flanco ocidental da Índia, o tráfico com recurso a drones a partir do Paquistão quintuplicou em cinco anos, com 305 incidentes e 468 kg apreendidos em 2025, sobretudo no Punjab. No Bangladesh, a guarda fronteiriça (BGB) reporta que, apenas nos primeiros seis meses de 2026, foram apreendidas mais de 105 milhões de pastilhas de yaba, aproximando-se do total de 2025, e fontes em Dhaka apontam para o envolvimento do grupo armado Arakan Army no financiamento da insurgência através do narcotráfico.
Analistas em Nova Deli e em Lisboa sublinham que a instabilidade política decorrente do golpe militar de 2021 permitiu que grupos étnicos armados e redes criminosas expandissem o controlo sobre a produção e as rotas de tráfico, transformando territórios em plataformas de distribuição para os mercados asiáticos e, potencialmente, para a Europa e a América Latina. As destruições simbólicas de droga, embora recordes, coexistem com apreensões igualmente históricas e com a constatação de que os volumes traficados continuam a crescer. As investigações prosseguem e as forças de segurança regionais reforçaram a vigilância, mas o estado atual é de contenção de um fenómeno que as próprias autoridades descrevem como estrutural e em expansão.
| Imprensa russa e CEI | +0.70 | aligned |
|---|---|---|
| Imprensa europeia continental | −0.50 | critical |
| Imprensa do Sudeste Asiático | +0.20 | neutral |
Myanmar shows that the fight against drugs is won with concrete action, not slogans. An example for the whole world.
The state is attributed a unified virtuous will, turning a police operation into an act of moral sovereignty.
Burning tons of drugs does not solve the problem: we need social and health policies, not fireworks.
The criteria of European democracies (transparency, human rights, sustainability) are applied to a different context, making the local action measurable against universal standards.
Myanmar acts within regional efforts: every step counts, but the road is long.
The event is normalized as part of a broader regional strategy, avoiding moral judgments and focusing on operational effectiveness.
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