
Mossad tentou recrutar Ahmadinejad para liderar Irão pós-regime, indicam investigações
Antigo presidente iraniano terá sido financiado e preparado por Israel, mas plano de golpe com apoio curdo fracassou após veto turco e dissensão interna.
O serviço secreto israelita Mossad conduziu durante anos uma operação para recrutar o antigo presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad e instalá-lo como líder de um Irão pós-revolucionário, segundo investigações divulgadas por jornais norte-americanos e israelitas. O plano, que incluía a operação militar “Gato das Botas”, previa que ataques aéreos israelitas abrissem um corredor para forças curdas a partir do Iraque, desencadeassem uma insurreição em massa e levassem à queda do regime dos ayatollahs. A iniciativa ter-se-á intensificado em 2024, com encontros secretos em Budapeste entre Ahmadinejad e o então diretor do Mossad, David Barnea, sob a cobertura de conferências académicas sobre o clima. O projeto, porém, colapsou no final de fevereiro, quando a extração do antigo presidente para um esconderijo no Irão correu mal e a componente curda foi travada por objeções da Turquia e por divergências internas em Israel.
Na perspetiva de Teerão, o regime nega categoricamente as acusações. O gabinete de Ahmadinejad classificou os relatos como “alegações ao estilo de Hollywood” e “guerra psicológica” destinada a semear divisões internas. A televisão estatal iraniana exibiu o antigo presidente numa cerimónia fúnebre em honra do líder supremo, Ali Khamenei, numa aparente tentativa de desmentir notícias de que se encontra sob prisão domiciliária. Fontes dos serviços de informação citadas pelas investigações sustentam, contudo, que Ahmadinejad está detido pela Guarda Revolucionária e que a sua aparição pública foi encenada para preservar a imagem do regime.
A dimensão regional do plano revela a complexidade das alianças no Médio Oriente. De acordo com um antigo chefe da inteligência militar israelita, Tamir Hayman, o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, terá convencido Donald Trump a vetar a operação, por considerar o empoderamento curdo uma ameaça estratégica. Em Israel, o conselheiro de segurança nacional Tzachi Hanegbi terá classificado partes do projeto como “ficção científica” e o chefe do Estado-Maior, Eyal Zamir, ordenou a suspensão três dias antes da hora prevista. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu terá insistido em prosseguir, mas o plano ruiu antes de os combatentes curdos entrarem em ação.
Ahmadinejad, que enquanto presidente apelou a “varrer Israel do mapa” e negou o Holocausto, terá sido motivado pelo rancor contra o sistema que o excluiu de três eleições presidenciais. Na leitura de analistas em Washington e Telavive, o antigo presidente via-se como um “Yeltsin persa”, disposto a reconhecer Israel e a aderir aos Acordos de Abraão em troca do poder. O dossier permanece em aberto: o paradeiro e a situação jurídica de Ahmadinejad são incertos, e o regime iraniano procura projetar normalidade enquanto as tensões regionais persistem.
| Imprensa europeia continental | −0.20 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa iraniana e afins | −0.80 | critical |
| Imprensa israelense | 0.00 | neutral |
The Mossad operation was a failed gamble, and Ahmadinejad ended up a hostage of the regime he was supposed to overthrow.
The paradox is highlighted: the man who wanted to wipe out Israel is recruited by Israel, but the plan fails and he remains a prisoner of the regime. The irony of fate makes the narrative plausible.
The military details of the plan (attacks on IRGC, Kurdish incursion) and Ahmadinejad's denial are omitted, which would complicate the reading of a simple failure.
The Mossad hatched a plot to destroy Iran, using Ahmadinejad as a puppet and the Kurds as mercenaries.
The plan is described in the most threatening details (targeted attacks, Kurdish invasion) to evoke fear and indignation, presenting Iran as a defenseless target of an external conspiracy.
The fact that the operation allegedly failed and that Ahmadinejad is now under regime control is omitted, elements that would reduce the perception of an immediate threat.
The Mossad tried to recruit Ahmadinejad, but he appeared in public and denied everything.
A concrete fact (the public appearance) is juxtaposed with the sensational revelation, creating an effect of doubt. The reporting of recent events weakens the thesis of a successful recruitment.
The details of the military plan and the analysis of the operation's failure are missing, which would give more weight to the NYT version.
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