
Moscovo amplia lista de 'agentes estrangeiros' com jornalista e ativistas; Bangladesh prende editor
Ministério da Justiça russo incluiu jornalista, ex-líder de gabinete de Navalny e projeto LGBTQ+; em paralelo, tribunal em Daca ordena prisão de editor por difamação.
O Ministério da Justiça da Rússia atualizou o registo de 'agentes estrangeiros', adicionando o jornalista e militar das Forças Armadas da Ucrânia Petr Ruzavin, a ex-coordenadora do gabinete de Alexei Navalny em Tomsk Ksenia Fadeeva, a artista Ekaterina Kuznetsova e o projeto de apoio a pessoas queer 'Sfera'. Simultaneamente, a pasta removeu da lista o analista político Inal Khashig, citando a 'perda dos indícios de agente estrangeiro'. Com as alterações, o registo passa a contar com 1.219 pessoas e organizações, num universo em que, segundo o próprio ministério, apenas 4% dos visados receberam financiamento externo em 2025.
Segundo a versão oficial, os novos visados disseminaram 'informação não fidedigna' sobre decisões do poder executivo e materiais de outros 'agentes estrangeiros' e de organizações classificadas como 'indesejáveis'. A Fadeeva, Ruzavin e Kuznetsova são acusadas de se opor à 'operação militar especial' na Ucrânia; Ruzavin terá ainda apelado ao apoio às forças ucranianas. O projeto 'Sfera' é visado por 'propaganda de relações LGBT', num contexto em que o 'movimento internacional LGBT' foi declarado extremista e proibido na Rússia. O ministério sublinhou que todos os indivíduos e a direção do projeto residem ou operam fora do país.
A inclusão ocorre num quadro de endurecimento legislativo contínuo. Desde 2012, a lei russa permite classificar organizações como 'agentes estrangeiros' com base em financiamento externo e atividade política; a partir de 2022, o critério foi alargado a quem esteja sob 'influência estrangeira', conceito que a legislação não define. Observadores em Moscovo notam que 80% das novas designações em 2025 incidiram sobre opositores à guerra ou apoiantes da Ucrânia, segundo o projeto de direitos humanos OVD-Info. As consequências legais agravaram-se: desde setembro de 2025, uma única infração administrativa pode resultar em até dois anos de prisão; os visados estão proibidos de lecionar, candidatar-se a eleições, investir em setores estratégicos e, desde 2024, devem canalizar rendimentos de atividades criativas e vendas de imóveis para contas especiais em rublos.
Em contraponto, um tribunal em Bogra, no Bangladesh, ordenou a prisão preventiva do editor interino do diário 'Agrôjatra Protidin', Rezanur Islam, no âmbito de uma queixa por difamação e extorsão contra o ministro de Estado da Administração Local, Mir Shah Alam. A detenção, efetuada pela polícia de investigação, decorre de uma ação cível interposta pelo editor de outro jornal local, que alega a disseminação de 'informação falsa, fabricada e enganosa'. O próprio ministro emitiu um comunicado a negar qualquer autorização ou instrução para a queixa e a apelar a uma solução negociada. O caso, que mobilizou organizações de jornalistas, ilustra, na perspetiva de analistas em Lisboa e São Paulo, um padrão de restrição à liberdade de imprensa que transcende fronteiras, com instrumentos legais distintos mas convergentes na limitação do escrutínio público. O processo de fiança do editor será retomado no domingo, enquanto na Rússia o registo continua a expandir-se sem indicação de reversão da política.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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As autoridades russas expandiram o registro de 'agentes estrangeiros' para incluir o jornalista Petr Ruzavin, a ativista Ksenia Fadeeva, a artista Ekaterina Kuznetsova e o projeto LGBT 'Sfera'. O Ministério da Justiça afirma que eles disseminaram materiais de outros agentes estrangeiros e informações não confiáveis, e se opuseram à operação militar especial. O registro é uma ferramenta para proteger os interesses nacionais da influência estrangeira.
Moscou adicionou novos nomes à sua lista dos chamados 'agentes estrangeiros', visando um ex-jornalista da Mediazona, uma associada de Navalny e um projeto de direitos LGBT. Críticos veem isso como mais um passo na repressão do Kremlin contra vozes independentes e minorias. A medida destaca o encolhimento do espaço para dissidência na Rússia.
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